Duelo de titãs.
Pode ser cedo para comemorar, mas já são dois episódios em que o caso da semana casa única e perfeitamente com a situação daquele dia, em minha opinião o procedural funciona muito melhor assim e a série não se perde com assuntos nunca retomados. Essa foi a segunda vez em 25 episódios em que o nome na lista negra de Reddington não é uma pessoa, a única outra vez que isso aconteceu antes foi em The Ciprus Agency, o 13o episódio. Agora tivemos um banco que rende muito mais do que juros, sua fachada esconde segredos e cifras dos maiores criminosos do mundo. E para que não haja registros rastreáveis dessas transações e lavagens de dinheiro, nada melhor do que um cérebro humano que registra tudo com que tem contato e não esquece de nada nunca. Hello, Carrie Wells de Unforgettable! Podemos perceber um fascínio de Blacklist com condições cerebrais raras e esquisitas, visto a dissociação de personalidade semana passada e a super memória nessa.
É claro que a dona desse cérebro é valiosíssima e interessa tanto a mocinhos e bandidos, mas enquanto estava sob a proteção de Keen e Ressler, provavelmente por ter tomado uma de suas bolinhas, Ressler demora dois eclipses lunares para reagir, o que leva Keen a acumular mais uns hematomas do que o inevitável e Kaja a ser baleada. (Posso estar errada, mas acho que esse é o primeiro episódio em que alguém toma uns tabefes e Ressler sai ileso!) As consequências poderiam ter sido piores, mas acho que essa bola de neve ainda cresce mais antes de explodir na cara do agente. Acho esse plot de sofri-um-trauma-jogar-me-ei-nas-drogas muito, mas muito gasto, quantas centenas de vezes já assistimos isso na TV? Não acho que essa construção do personagem interessante para quem assiste nem enriquecedora para o personagem.
Antes de falar do maravilhoso encontro entre Red e Berlin, os criminosos mais frios, calculistas e educados do mundo, vou falar um pouco da cena que mais me intrigou essa semana: Naomi/Jennifer/Mrs. Reddington diz para seu captor que Red não se importa com ela, que ela se escondeu todo esse tempo para proteger sua filha. Mas como se esconder SEM a filha dela, protegeria a mesma? Para despistar Red se ele fosse atrás da ex-mulher na esperança de uma reunião familiar? Mas o que o impediria de achar a filha em seguida, se ele tivesse sido capaz de encontrar a ex-esposa? Fiquei bem confusa com essa declaração. Na semana passada, durante seu bate papo com Lizzie, ela diz que a polícia chegou para levá-la ao programa de proteção antes de sua filha voltar da escola. Quando exatamente isso aconteceu, não sabemos ao certo, quantos anos se passaram, se a filha deles ainda era uma criança, se foi adotada por outra família ou o quê. É claro que as respostas vêm em torturantes doses homeopáticas e com o que temos de informação, não dá pra arriscar muita coisa.
O que Mrs. Reddington não enxerga, é que o afastamento por parte de seu ex é para protegê-la. Me doeu o coração quando Red não desamarra nem tira a venda dela no momento do resgate, é nítido que aquela cena o machuca. Ele quer tocá-la, mas não o faz, para o bem dela e do que ela precisa seguir acreditando. Amo qualquer resquício de vulnerabilidade em Red. Não acredito que essa foi a última vez que vimos Mary Louise Parker, sua participação até aqui foi ínfima perto do potencial da atriz e mais ainda da personagem. Não sei se semana que vem, mas estou certa de que ainda nos veremos.
Mesmo se divertindo em retalhar a ex do seu arqui-inimigo, Berlin se importa mais com seus milhões e concorda em devolver o que sobrou de sua vítima para reaver seus cifrões. Achei mirim da parte de Berlin ter todo seu dinheiro em um só banco e trocar a satisfação de uma vingança a que ele aparentemente dedicou toda sua vida em liberdade, por seu dindin de volta. Uma vingança dessa não tem preço, vamos combinar. Acho que Berlin comeu o papo de que Red não se importa tanto assim com a esposa e vai mirar agora em Keen. Seria bem cafona usar a mesma técnica de esquartejamento, mas ele não parece acreditar que Red não é o culpado pelo que aconteceu com sua filha. Red não tem o perfil de que faria algo desse tipo, mesmo que tivesse encomendado esse job para o Stewmaker. Dentre as dezenas de possíveis cenários, Red pode ser em vez de quem encomendou o assassinato, o homem por quem a filha de Berlin se apaixonou, mas não tivemos nenhuma outra informação dessa história desde que Berlin contou isso ainda na cama do hospital, no Season Finale, fingindo ser vítima de Berlin em vez de o próprio. Eu faço parte da turma que não acredita que Red é o pai de Liz, então cogito também a hipótese de Liz ser a filha de Berlin, que não morreu e que desde então vive sob a proteção de Red. Afinal, ele matou seu grande amigo, o pai adotivo de Liz, porque ele queria contar a filha o nome de seu pai biológico. Red fez o que fez para encurtar o sofrimento do amigo, mas mais do que isso, para proteger Liz, pois saber a verdade sobre seu pai a coloca em risco. São hipóteses que se contradizem absurdamente, mas ainda são possibilidades. Há também a teoria de que Liz é a neta e, portanto filha da falecida filha de Berlin. Eu sei tá bem confuso, tá tiro pra todo lado. Toda e qualquer teoria é bem-vinda aqui.
Essa cena que ilustra o texto no parque de diversões em Coney Island foi maravilhosa, a polidez de ambos lados (devidamente amparados por seus capangas e <3 Dembe <3), a tensão de que aquilo podia acabar mal e nenhuma família feliz que ali brincava sairia ilesa desse encontro e o soproooooo na cara de Berlin, definitivamente a melhor cena do episódio. Voltei 4 vezes para rever aquilo e ri descontroladamente todas elas. Pra mim, aquilo nao foi roteirizado, é fruto de um James Spader tão imerso na canastrice de seu personagem, que não resistiu e fez aquilo. Para Stormare não ter caído na gargalhada como eu, ele só pode estar igualmente dedicado a seu personagem. Spader encontrou um parceiro a altura e seria maravilhoso que eles se juntassem contra esse inimigo em comum.
Como se já houvesse poucos, o fim de Monarch Douglas Bank nos traz mais alguns mistérios: Liz tem uma fonte, um informante que Red desconhece. Por enquanto, né? Acho interessante quando o mistério vem de outro lado, uma vez que Reddington já está saturado deles.
E tivemos o retorno de Samar, a agente do Mossad que seqüestrou Red semana passada com direito a aviões, tiros e outras peripécias mais. Red se despediu da moça dizendo que a veria de novo e cá está ela, entrando pela porta de frente no FBI, pra ocupar a cota Meera desfalcou com sua saída. Porta essa aberta pelo próprio Cooper, que tá se achando o espertão e cedendo favores, mas ela já entra no time de conluio com Red, que é sempre quem mais tem a oferecer.















