Profundos questionamentos éticos e morais.
Nesta semana, em The Americans, tivemos um episódio onde os protagonistas passaram por intensos conflitos emocionais.
Martial Eagle sacramentou um fato que já era visível na série: que sua força reside, principalmente, nas excelentes atuações de seu elenco, especialmente do casal protagonista.
Novamente centrado em Philip, pudemos acompanhar a catarse de sentimentos que o personagem teve neste capítulo. E como foi lindo! Matthew Rhys é um poderosíssimo ator que consegue transpassar todas as agruras sentidas pelo personagem para o telespectador, nesse caso, durante sua odisseia na perigosa missão que foi designada para ele e Elizabeth.
O primeiro revés foi quando Philip teve um imprevisto na missão e teve de eliminar de maneira brutal um soldado que o avistara. Não bastasse isso, o funcionário que ele decidira poupar no episódio passado não resistiu ao frio intenso e também morreu. Podemos observar as primeiras consequências desses acontecimentos em sua impaciência com Henry durante o café da manhã.
Seu ódio exacerbado com a situação o levou também a utilizar aquela cruel carta na manga contra Martha, o que ele havia evitado anteriormente. Buscando manter controle sobre sua segunda esposa, Clark reproduziu a gravação editada, passando por cima dos princípios que o personagem ainda preservava anteriormente.
A gota d´água catalisadora na revolta de questionamentos de Philip foi descobrir que Paige doou 600 dólares para a igreja. A cena em que ele confronta o pastor/padre foi cheia de tensão, pois realmente acreditei que ele colocaria seu disfarce em risco caso agredisse o decano. As fortes palavras do religioso produziram algum efeito em Philip, como pude observar pela sua expressão facial.
Embora seja um descrente e cético, como eu, consegui notar ali que o espião buscava algum tipo de redenção, perdão ou até mesmo expiação de seus “pecados”. As recentes mortes, direta ou indiretamente ligadas a ele, mexeram profundamente com o personagem, levando-o a questionar seus valores éticos e morais, assim como sua visão de mundo. Foi uma catarse poderosa e interessante de se acompanhar na tela.
Elizabeth também foi alvo da ira de Phil, que chegou a dizer que aquela vida era muito mais fácil para ela do que para ele. Foi uma forte acusação, recebida com impacto pela personagem, divinamente interpretada por Keri Russel. Liz também buscou descontar sua raiva e frustração de alguma maneira: castigando Paige com o intuito de construir certos valores na filha.
Buscando equilíbrio no foco das tramas e personagens, a embaixada russa esteve de fora nesse episódio, o que provou ser mais uma sábia escolha. Para compensar tivemos bastante destaque para o agente Beeman, que volta novamente a buscar o rastro d´Os Americanos, com suas investigações, ainda que de maneira longínqua e remota. Já sua subtrama de separação da esposa pouco me atrai, desperdiçando um precioso tempo de tela do personagem.
Martial Eagle nos presenteou com uma profunda e catalisadora jornada emocional de seus protagonistas. Confirmou The Americans como uma série que pode, tranquilamente, se sustentar nas interpretações de seu ótimo elenco. Ainda assim, a série possui um excelente roteiro que complementa de maneira perfeita a jornada dos personagens nele descritos e construídos.
Não obstante, algumas boas arestas foram deixadas em aberto para o devido desenvolvimento nos próximos episódios, como a insatisfação de Andrew Larrick ao descobrir as mortes ocorridas no acampamento militar. Prevejo alguma forma de retaliação no futuro.
Além disso, houve a ameaça do agente Gaad ao chefe da Rezidentura, Arkady, que pode acarretar consequências inesperadas. Elizabeth criou uma nova persona para acompanhar de perto as investigações do projeto Stealth. E por fim, Beeman conduz a investigação oficial do mesmo projeto.
Com esses diversos ganchos, a segunda temporada de The Americans se encaminha para seu terço final, de forma promissora e instigante.















