Mudar é difícil”

Por mais que a gente já tenha visto muitas temporadas com ex participantes que nunca venceram, o tema Second Chance nunca foi tão presente e a necessidade de crescer nunca foi tão urgente. Num episódio ainda melhor do que a já excelente premiere, tivemos uma grande reviravolta que caiu como uma bomba e um verdadeiro desfile de erros que já foram cometidos. Por enquanto, Jeff Varner e Abi seguem como protagonistas da temporada, mas a nossa querida brasileira vem cometendo os mesmos erros da sua primeira participação e arrisco dizer que faz um jogo ainda pior do que aquele feito em Philippines. A cada confusão causada, Abi Maria, talvez, fique mais perto da final, uma vez que ela está inserida num contexto em que está aberta a caça aos bons jogadores, mas acredito que suas chances de vencer já são minúsculas e menores do que há 6 temporadas atrás. Por mais que ela tenha causado muito com RC, não me lembro dela ter sido tão agressiva e paranóica nos primeiros dias nas Filipinas e não sei se ela realmente é capaz de crescer como jogadora e mudar o seu estilo, que pode e deve prejudica-la num possível Final Tribal Council.

Vamos erguer as mãos para o céu e agradecer muito aos deuses de Survivor, porque, se formos analisar, Abi contou com muita sorte por estar numa tribo que só conheceu o Tribal Council na merge na sua primeira participação. Caso contrário ela muito provavelmente teria saído no começo e nem seria chamada para ser votada pelos fãs. A brasileira é a típica participante que sai no começo do jogo numa temporada normal, como J’tia em Cagayan por exemplo, mas o sucesso da sua tribo mudou lhe deu a oportunidade de cravar o seu nome na história do reality. Dessa vez, visivelmente melhor fisicamente, Abi já não se encontra numa tribo tão triunfante, mas as regras são outras. Enquanto numa temporada comum saem primeiro os fracos e causadores de confusão, num All-Stars quem vai para casa mais cedo são as maiores ameaças e aqueles que se destacaram positivamente na primeira vez. Tina, Rudy, Richard Hatch, Colby, Ethan, Stephenie Lagrossa, Cirie e Boston Rob são bons exemplos de ótimos jogadores que foram prejudicados pelo seu sucesso anterior e saíram precocemente numa segunda ou terceira tentativa. Em duas eliminações, Vytas e Shirin, Second Chance já prova que conhecer o jogo e ser famoso pelo lado estratégico não está na moda em Camboja. Assim, Abi, justamente por não ser tão boa no jogo como é para a televisão, vai ganhando um passe livre para fazer o que quiser sem ser eliminada. Se Second Chance fosse uma temporada normal, Abi teria sido eliminada logo de cara, mas não estamos falando de uma temporada normal e sim de uma muito especial. Não me levem a mal, Abi é a minha torcida principal junto com Wentworth, mas procuro expor as falhas (que são enormes) no jogo de todos, inclusive daqueles para quem eu torço. Abi é a novela brasileira (talvez A Favorita seja o título que melhor exprime o que ela é para nós), mas, apesar de divertir muita gente, continua sendo apenas uma novela.

Usando Abi como desculpa, Varner tomou conta do jogo e definiu os dois primeiros eliminados, mostrando que não está para a brincadeira e se tornando o vilão da temporada. Desde suas entrevistas pré-game, Jeff Varner já mostrava uma grande vontade de eliminar Spencer e os jogadores mais novos, mas ao invés de adotar logo de cara esta linha, ele resolveu tirar Vytas, outra grande ameaça estratégica, manter Abi e só tomar conta do jogo num segundo momento. Um verdadeiro truque de mestre. É importante lembrar que, mesmo em Australian Outback, ele já mostrava ser muito afiado no lado estratégico, mas Varner vem surpreendendo com um jogo muito agressivo desde o início, algo que lembra Tony em Cagayan e era mais ou menos o que eu esperava de Penner em Philippines. Tudo o que Varner fez até agora beirou a genialidade, mas não sei até que ponto ele vai conseguir manter o controle de tudo, especialmente numa temporada que já nos presenteou com tantas reviravoltas. A verdade é que o seu jogo lembra e muito o jogo de JT em Heroes Vs. Villains, alguém que flipava toda semana, conseguiu manter seus aliados, mas caiu no overplay. Além de correr o risco de sair de forma bombástica e humilhante, Varner precisa ter muito cuidado para não perder seus aliados, uma vez que em 6 dias no jogo ele já mostrou para todos que não é confiável e acredito que até Woo tenha percebido. Tirar as maiores ameaças é lindo na teoria, porém fazendo isto Varner pode acabar se isolando numa aliança que de ameaçador só resta ele.

Por mais que os dois já citados estejam no centro dos holofotes, continuo achando o jogo de Kelley o mais sólido e acertado até então. “Sneaky. Sneaky”. Além de já possuir o idol em suas mãos, Wentworth está bem em todos os aspectos do jogo e conta com a sua tímida participação em San Juan Del Sur para não ser um alvo na mira de Varner. Sendo aliada direta de Spencer e Shirin, Kelley poderia muito bem acabar excluída como os seus dois amigos, mesmo porque ela também riu e não defendeu Abi, mas, provavelmente por um ótimo social, ela acabou achando seu espaço com a maioria. No aspecto estratégico, Wentworth também acertou bastante e sem mostrar qualquer tipo de resistência se voltou contra os seus aliados. Ela poderia ter lutado pela permanência de ambos, principalmente porque tem um idol em suas mãos, mas nadar com a corrente me pareceu a coisa certa.

Não foi só Abi que reviveu erros do passado e a gente pode perceber inúmeros deja vus durante o episódio. Para começar, a exclusão de Abi realmente me lembrou um pouco com o que aconteceu com Shirin em Worlds Apart, mas, por mais que eu tenha achado que todos da aliança foram bem burros, acho que não cabe muita comparação. Abi procurou e começou a confusão e acabou sofrendo as consequências, que nem foram pessoais e tão pesadas como as proferidas por Will. Entretanto, concordo que Shirin deveria saber o quanto proteger alguém encurralado é poderoso em Survivor e se tivesse defendido Abi, provavelmente, não teria sido eliminada tão precocemente. Outro que cometeu um erro pela segunda vez foi Spencer, que mais uma vez deixou duas aliadas brigarem e acabou sem os números por conta disto. Tanto ele quanto Shirin ainda tiveram um comportamento muito parecido com o da primeira vez, falando de muito de estratégia e se tornando alvos mais uma vez. O motim contra os dois e a divisão dos votos eles, inclusive, lembraram um pouco o ocorrido com Max e Shirin em Worlds Apart. Para continuar no plano das lembranças, Spencer levou uma virada como aquela feita por Kass e Tasha contra ele e Garret e precisou suplicar e jurar lealdade como fez na eliminação de J’Tia (que saudade dela).

O fato é que é muito fácil criticar e achar pontos negativos no jogo dos participantes assistindo no conforto de casa e sem a menor experiência do que é estar em Survivor. Todos nós sabemos o quão difícil é largar o papel de trouxa e não cometer os mesmo erros pela segunda, terceira ou até quarta vez. Com o tempo, acabamos amadurecendo e deixando atitudes pueris para trás, mas este processo sempre é complicado e demorado e deve ser ainda mais difícil de crescer num ambiente de tanta pressão em que 20 pessoas disputam ferozmente um prêmio de 1 milhão de dólares.

Esta tarefa deve ser ainda mais complicada para Joe e Shirin, uma vez que ambos jogaram há pouquíssimo tempo e nem tiveram muito tempo para refletir e repercutir o que fizeram em Worlds Apart. Fico muito triste por Shirin sair tão cedo, mas tenho que afirmar que ela em duas temporadas não conseguiu jogar como alguém com tanto conhecimento do jogo deveria. Nas duas participações, ela começou muito bem, fazendo alianças rapidamente e se salvando do primeiro Tribal Council, mas num piscar de olhos já se viu novamente com apenas um aliado verdadeiro, o que revela sérios problemas no seu jogo social. A principal impressão que tenho de Shirin é que o lado fã a atrapalha demais e ela acaba se expondo demais ao intensificar os aspectos do jogo que ganham destaque nos episódios. Por ser fanática no programa, Shirin acabou jogando com o parâmetro dos episódios que já assisti, falando muito de estratégia e tentando assumir um papel de líder desde o início. O programa é feito a partir de uma edição de 3 dias inteiros que viram apenas 40 e poucos minutos e os participantes precisam viver além de só jogar.

Nos comentários da review do primeiro episódio, muitos não entenderam quando eu afirmei que Shirin tinha sido negligenciado pela edição e que não tinha se destacado. Revendo o episódio, conclui que ela teve um papel fundamental na formação da aliança e na eliminação de Vytas (o que nunca foi questionado por mim), mas foi a única dos 20 participantes que em nenhum momento ganhou um confessional falando sobre si mesma e sobre como encararia esta segunda chance. No primeiro episódio da temporada, Shirin apareceu apenas falando sobre Vytas e no meio da ação e Varner, Wentworth, Spencer e até mesmo Abi foram retratados como alguém consciente e ativo no processo. Depois de 30 temporadas, não tem como ignorar a edição e a narrativa que os contadores da história, os editores, estão construindo e Shirin, aos meus olhos, simplesmente não parecia fazer parte desta narrativa. Assim, a sua eliminação no segundo episódio me pareceu bem coerente com o que vinha sendo montado, principalmente por tudo o que foi mostrado na premiere de Varner e Abi.

Como não sou obrigado a comentar o testemunho do pastor Andrew Savage, quero logo especular sobre o que está por vir. Sim, teremos uma nova divisão em 3 tribos e eu não poderia ficar mais animado com isto. Apesar dos dois eliminados serem ótimos participantes, estou muito feliz com a qualidade dos episódios que estas eliminações produziram. Entretanto, o medo de tudo cair no marasmo sempre é grande dentro de mim, principalmente porque Shirin e Vytas saíram para a permanência de pessoas tão apáticas como Kelly Wiglesworth, Woo e Monica. Assim, acho que uma embaralhada nas cartas vem em boa hora, principalmente para colocar os membros da Bayon finalmente no jogo.

O futuro da temporada depende desta nova divisão e nem sei qual será o critério utilizado pela produção. Acho que é muito cedo para usar um sorteio porque ele pode resultar em tribos muito desiguais, o que mataria a emoção dos challenges em grupo logo no terceiro episódio da temporada. Fico para torcida para Spencer ter uma sobrevida, para a eliminação de um dos alpha males da Bayon e para finalmente ver Ciera, Kass e Stephen jogando de verdade.

Ranking da semana:

1. Kelley Wentworth. Além de estar jogando muito bem, está completamente fora do radar de seus adversários e completamente dentro do radar da edição. Impossível não perceber o quanto ela está bem no jogo. Sem dizer que a impressão é que ainda estamos vendo apenas o começo de algo muito bem executado. #TeamWentworth

2. Jeff Varner. He is running the show. Varner foi o grande jogador dos dois primeiros episódios, mas já mostrou que não é confiável e, com a swap, pode ver suas flipadas saírem pela culatra. Imagina se ele cai numa tribo com Spencer e três ex Bayon, seria difícil se recuperar do baque.

3. Terry. Incrível como ele conseguiu virar o jogo e ganhar uma leal aliada, que parecia odiá-lo 5 minutos antes. Terry deixou o Challenge Dominator no Panamá e trouxe com ele alguma receita milagrosa de Cirie para a atual temporada. Precisou pegar no tranco e da ajuda de Varner, mas Terry está aprendendo a ser mais estratégico.

4. Savage. Eu odeio este cara com todas as minhas forças e não vi o menor sentido na choradeira que ele causou, mas tenho que assumir que ele virou uma espécie de messias da Bayon e conseguiu fiéis súditos. Eu sei que o fato de não ter ido ao Tribal Council é determinante para este jogo funcionar, mas, para continuar no tema novela, por enquanto Savage vem sendo o rei do gado.

5. Jeremy. Vem na mesma pegada de Savage e ganhando uma ótima edição. Está merecendo cair numa tribo com Abi, Varner, Keith e Kass para aprender o que é bom.

6. Tasha. Mal apareceu mas está viva no jogo e pode ter muitas opções com a switch.

7. Kass. Odeio a Bayon com todas as minhas forças, mas adorei o lado fofo e emotivo de Kass. Eu ainda não acredito em nada que esta mulher fala, mas acho que manter o caos para mais tarde uma grande estratégia. CBS, quero ela, Tasha e Spencer na mesma tribo. Por favor, nunca te pedi nada.

8. Kimmi. É alguém que conseguiu não ser um incômodo e chega a esta nova fase do jogo numa ótima condição. Parece estar muito bem fisicamente, não é alvo e acredito que ela vai ter ótimas opções de caminho até a merge.

9. Ciera. Não tivemos quase nada de Ciera, mas a saída de Vytas (que foi muito sentida por ela e toda a Bayon) deve ajudar bastante para ela se manter fora do radar. Já quero uma aliança da menina que eliminou a mãe com a menina que não teve coragem de eliminar o pai.

10. Keith. Está bem posicionado e num jogo em que ser estratégico é um problema, Keith talvez esteja mais salvo do que todos os outros.

11. Woo. Por mais que eu odeie ele, Woo sambou na cara de Shirin e Spencer e eu quase bati palmas para ele. Ignorar alguém por 6 dias e depois ir pedir um favor é muito amadorismo.

12. Peih Gee. Tenho a impressão de que ela será uma das vítimas desta fase tribal com 3 equipes e de todos que fliparam fico me perguntando se a jogada faz sentido para Peih Gee. Todos sabemos que Abi é uma pessoa extremamente instável, então não sei se é esperto por parte de Peih Gee trocar de aliança e continuar perto dela. É claro que ela poderá procurar abrigo com Woo, Wiglesworth, Wentworth, Terry e Varner, mas e se ela cair numa tribo com Abi e Spencer ou pior só com Abi? Se Abi é “A Favorita”, ainda acho que Peih Gee pode ser “A Próxima Vítima” depois de RC.

13. Spencer. Despencou no ranking porque ter sido eliminado, por ter cometido vários erros no passado e, principalmente, porque ainda é visto como a maior ameaça no jogo. O fracasso pode ser bom para Spencer conseguir diminuir o alvo que possui e vejo chances dele se recuperar. Depois de vê-lo pedindo socorro para o cachorro de Tony, quero ver ele suplicando para Kass Zero Chances of Winning The Game.

14. Joe. Survivor MacGyver my ass.

15. Abi Maria. Só amor por esta maravilhosa representante da cultura brasileira. Joga muito mal, mas faz muito bem para o jogo e para o nosso entretenimento. Vem sendo a principal ferramenta de Varner e tem chances de ir longe graças a ele e à mentalidade de tirar os mais inteligentes primeiro.

16. Stephen Fishibach. Podemos todos comemorar a sobrevivência de Stephen à Bayon. Dias melhores virão. Sou otimista e acho que ele pode ter um papel fundamental crescendo ao longo do jogo.

17. Kelly Wiglesworth. Lembra quando a gente lamentava o retorno de Jenna Lewis em All-Stars? Entaõ, estava de bom tamanho. Wiglesworth é boring até dizer chega e ganha airtime por ser da primeira temporada.

18. Purple Monica. Who? Deve ir longe. Uma avulsa sempre vai longe.

PS1: Eu e muita gente ainda não sabe qual será a divisão das tribos, então peço encarecidamente para evitar qualquer tipo de spoiler, inclusive sobre a nova configuração dos times para manter a emoção para o próximo episódio.

PS2: Cadê uma Web Série da RC assistindo Second Chance e comentando cada segundo de Abi no vídeo?

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