Acho que todos concordam que Unity fez jus a uma reta final digna de SPN. Com um enredo bem estruturado, o episódio foi uma boa experiência e soube caminhar bem, de modo a não se apressar em alguns aspectos e a construir bons momentos de tensão.

Todo o conteúdo que nos foi apresentado provou ser de uma agilidade impecável. A começar pelo teaser, que foi curtíssimo – durou pouco mais de um minuto – e PAM! Uma única cena com pouquíssimas falas se mostrou o suficiente para embasar toda aquela tensão que logo seria bem explorada.

E esse tato de agilidade que o roteiro teve, não se restringiu apenas ao teaser. Todo o episódio foi rodeado por uma dinâmica magnífica, tanto que se quiséssemos nos pautar em cima da discussão agilidade x velocidade, Unity representaria bem esse primeiro lado, pois conseguiu focar apenas no essencial sem transmitir aquela sensação de que deixamos passar algo. Detalhe, nem o pequeno salto temporal, dado ao fazer com que as três histórias (Amara, Dean e Sam) fossem contadas separadamente, atrapalhou o conjunto. Ao contrário, potencializou a agilidade do roteiro, sem fazer com que as cenas perdessem a coesão.

Unity também não deixou por menos quando o assunto foi interação entre os personagens. O episódio foi repleto de bons diálogos e destaque para os de Chuck e Amara, em que a gente consegue perceber que o teor do que foi mostrado realçou de forma bem interessante, as nuances de como Chuck enxerga suas criações. Não posso deixar de citar novamente a inversão grotesca entre as perspectivas de Chuck e Amara sobre os humanos, mas acompanhar todo aquele discurso da Escuridão para que só então ela decidisse de fato lutar a favor dos Winchesters, foi pertinente. Logo vê-se que o roteiro se redimiu ao mostrar que a conversa no bar em Gimme Shelter não poderia ser considerada como o único esforço. A própria Amara pesou seus argumentos e tomou sua decisão nessas primeiras cenas.

Chaveando agora para a história de Dean, eu julguei, de início, que o drama de Sam em jogar um balde de água fria no irmão, algo desnecessário para a série, mas após ver Dean jogando todos aqueles argumentos, me bandeei para o lado de Sam. É bem fácil concordar com um plano quando dele não precisamos sacrificar nada importante, não é? Nos últimos episódios, as alegações de Dean já estavam me deixando com um pé atrás e agora, é nítido como tudo soou egoísta. Se antes eu achava que Sam estava fazendo birra e que Castiel estava perdendo tempo tentando achar uma outra chance, considerei um verdadeiro gesto de força e nobreza. Fora que, nada mais natural eles tentarem, após todos esses 15 anos, o impossível para proteger a família e ponto para SPN por isso.

Outra parte proveitosa do episódio foi a ida ao encontro de Adão e Serafina. Curti o clima em que os dois foram apresentados e, sendo Adão o mandante do plano para ceifar Chuck, fico pensando no quão interessante seria trazê-lo de novo e por favor, com toda aquela vibe de chá de cogumelo da Serafina. Não deixa de ser legal ver a série completando esse imenso álbum de figurinhas que representa essa vasta mitologia – acho que agora depois de Adão, só fica faltando o próprio Jesus Cristo – e sermos apresentados dignamente a esses dois no momento até então, mais crítico da temporada, é no mínimo louvável.

Mencionando agora Sam e Castiel, achei um pouco forçada a sacada que o Winchester teve ao lembrar de Sergei e das chaves da Morte. Quando tudo parecia estar perdido, ambos se recordaram de algo que poderia servir e que já estava ali no bunker. Contudo, o episódio apresentou um miolo tão bem conectado e talvez se colocassem algum obstáculo para que Sam não soubesse a priori que o plano de Billie seria tomar o lugar de Chuck, isso poderia prejudicar a performance do roteiro, portanto está perdoado esse pequeno Deus Ex Machina, que nos levou ao encontro da Entidade, inclusive já estava com saudades. Impagável ver o Vazio puto da vida, mais uma vez e a conversa que ele teve com Sam mostrou que além de Chuck e Billie, ele próprio terá seu lugar no páreo e se necessário, passando por quem quer que seja para conseguir o que quer. Mais um gancho que será bastante benéfico nessa reta final, dado que seria maçante ter os três últimos episódios focando apenas em Chuck.

E fazendo jus ao enredo bem estruturado, Unity teve um clímax excelente. Todas as três histórias convergiram muito bem para que as revelações fossem lançadas no instante mais crítico possível e atingissem um nível bem envolvente de tensão. Tanto os cortes de cena entre Sam tentando dissuadir Dean e Chuck contando todo o plano à Amara quanto esse misto de ação com drama que adicionaram mais para o final fez tudo ficar tão intrigante que meu coração já não aguentava mais no instante em que Chuck chegou quebrando tudo. Sem contar que o cliffhanger foi de matar, embora eu ache que seja propaganda enganosa. Amara, de certa forma, foi descartada. Não creio que fariam isso com Jack também no mesmo episódio. Mas, ainda assim foi bem válido.

Enfim, após uma rodada de dois episódios fracos, Unity fez deslanchar essa sequência final. Confesso que ao término de tudo, fiquei surpreso com a quantidade de conteúdo válido que conseguiram inserir nesses quarenta minutos de telinha e espero que os próximos sigam a linha deste último. Encontro vocês aqui semana que vem!

Curiosidade:

  • A atriz Carmen Moore, que interpretou Serafina, já fez duas participações em Supernatural. Uma no 9×02- “Devil my care” e outra em 5×20- “The devil you know”.
REVISÃO GERAL
Nota:
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