Dois episódios que não sabiam muito bem o que abordar, mas provaram ser capazes de uma coisa: acertar naquilo que não queriam. Tanto Golden time quanto Last call são mais provas de que esse ritmo de episódios fillers que se sucedem e que nos fazem esperar pelas finales representam uma fórmula bem ultrapassada. Tudo isso põe em risco a cadência do roteiro, que sabe para onde deve ir, mas intencionalmente nos traz essas bolas curvas.
- Golden Time:
Golden Time teve um ponto de partida sólido. Ao menos nisso, o episódio se valeu de um elemento dos mais marcantes na mitologia de SPN e tentou fazer história em cima disso, já o fato de ter conseguido é bastante questionável. O acervo de Rowena foi um bom ponto a ser explorado, principalmente quando se está sem chances de ir atrás de Chuck, porém foi mais uma amostra de um arranjo que quando SPN quer, vai lá e faz.
Num contexto onde as pessoas estão ressuscitando como se respirassem, não foi uma surpresa tão grande ver Eileen de volta. Encontro-me em um estágio onde apenas aceito essas coisas. O que se pode dizer? Ela é uma aliada. Mesmo não chegando perto da versatilidade de Ketch e da prontidão de Rowena, todos que vêm para ajudar são bem vindos. Particularmente, foi legal vê-la recorrendo aos seus poderes de fantasma para ajudar os Winchesters na batalha contra as bruxas, que aliás foi uma das cenas de que mais gostei. Sinto que o caso poderia ter sido mais fluído se as cenas de Castiel não estivessem nesse episódio e mesmo se observarmos o contexto numa perspectiva mais macro, vemos que o miolo do episódio se deu porque um dos irmãos foi sequestrados – como muitos outros episódios já exibidos na série – me senti envolto na luta final e vibrei quando vi os dois irmãos vencendo o time de bruxas.
Mesmo não simpatizando muito com esses retornos na série – nesse último ano e com esse feitiço de Rowena, vemos que ressuscitar alguém nunca foi tão fácil – me emocionei um pouco na cena em que Eileen assume seu corpo de volta. Ela saindo da banheira, agradecendo em linguagem de sinais e o abraçando foi uma vitória que os irmãos mereceram.

Castiel presenciou mais um caso da semana e achei o gancho para a sua volta um pouco forçado demais. Fora que não é a primeira vez que fazem isso. Cass já precisou partir outras vezes e por motivos tão pequenos quanto esse, voltou a trabalhar com os irmãos. Mesmo gostando de como o personagem vem se mostrando, mais (pró)ativo e independente, foi uma pena que o enredo que o circundou nessa semana foi bem desinteressante e meio que sem clímax também. Contudo, já chegando perto da midseason, ficou claro que esse era o momento para o seu retorno e não conseguindo mais postergar isso, o roteiro presenteou Castiel com uma experiência como caçador boa o bastante para que ele voltasse aos trilhos.
- Last Call:
Se Golden Time focou em Sam, Last Call fez com que seu irmão ganhasse a dianteira. Impossível não notar que o caso da semana foi assinalado por uma temporada em que estamos sempre presenciando situações em que os irmãos são confrontados por elementos que remetem aos seus passados, trazendo reflexões sobre os momentos de caça, esperança que eles têm para o mundo e etc. E mesmo com um certo nível de esforço para encobrir um enredo superficial, sabemos bem que nenhum dos dois episódios conseguiu nos enganar. Olhando por cima, percebemos que ambos foram enrolação pura. Digamos que meu trabalho aqui seria apenas amenizar esse fato.
Por ver as imagens promocionais do episódio, pensei que o caso envolvendo o velho amigo de Lee de Dean seria algo mais elaborado, impactante. Não que tenha sido uma total perda de tempo ver Jensen no karaokê, mas acho que todos ficamos com a sensação de engano Tudo isso para reiterar o que já afirmei lá em cima, que o roteiro dessa temporada está dando bobeira. Temos Chuck, Amara, Miguel, Jack e Billie esperando para fazer a diferença nessa história. Fora que Anael, Bobby, Charlie, Jody e as wayward sisters ainda não deram as caras esse ano. Geralmente por serem menores, os primeiros arcos das temporadas tendem a ser mais ágeis que os segundos, por isso espero que a midseason recupere os níveis de satisfação do público e nos prenda por mais um arco – o último.

Cass teve até boa intenção ao voltar e ajudar Sam com a ferida, mas só criou mais problema. Ao menos ele se antecipou a Sergei e fez com que a negociação virasse a seu favor quando o ameaçou com sua sobrinha. Detalhe bem conveniente inclusive, Sergei comentar sobre sua sobrinha que não tem importância para o contexto da série e de repente ser isso o que Cass usa para chantageá-lo. Acho que até já passou da hora de esse cara vazar da série. Depois do que ele aprontou com Jack, merecia morrer.
Um detalhe interessante é que Last Call reforçou um Castiel mais enérgico, que vem sendo mostrado desde o início do ano, como quando agiu com Belphegor antes e agora com Sergei. É perceptível que agora o anjo consegue se manter numa linha de controle nunca vista antes, antecipando-se a seus adversários e sabendo usar a arma certa no momento certo. Queremos mais esse Castiel daqui para a frente.
E para não dizer que Last Call foi totalmente dispensável, Sam passou a ter uma visão mais clara de Chuck e dos acontecimentos que o tem rondado durante esse tempo. Entender essa conexão se mostrou a chave e o ponto de partida para que no episódio 8 eles se juntem e partam para cima de Chuck. Só a midseason finale mesmo para nos salvar. Até lá, hunters!















