O início do fim para Supernatural.
Muito já foi dito sobre expectativa aqui. À medida que os episódios vão sendo exibidos e os arcos se soltando cada vez mais, o telespectador conta com as impressões que têm para moldar sua expectativa de acordo com o rumo que as coisas tomam. Se Game Night veio num crescente, Absence e Jack in the box acabaram não colaborando muito, de modo que fazia tempo que eu não ficava tão pessimista para uma season finale. Acabou que Moriah quebrou todas as minhas expectativas; Não por me mostrar exatamente o que eu queria ver, mas por me fazer enxergar uma saída para o roteiro que não havia sequer cogitado.
Ao terminar de ver o episódio, cheguei a me perguntar se o que eu acabava de ver havia mesmo acontecido. Tanto que ao rever as cenas finais, imaginei meio que se tratar de um sonho, algo que não faz sentido, algo que faz com que a nossa ficha demore a cair; Ou seja, tive um sentimento estranho e espetacular, que talvez eu nunca tenha sentido nesses 14 anos de estrada até aqui. Definitivamente a série, que sempre teve o dom de fazer com o que o tema abordado na temporada posterior fosse corretamente iniciado nas sucessivas finales, soube surpreender e iniciar um novo ano, o último deles.
Enquanto que de Absence para trás a série mostrou os danos colaterais causados por Jack e em Jack in the box, os efeitos disso numa comunidade maior de pessoas, Moriah fez juz a essa progressão e mostrou como o nefilim ao proferir simples palavras, poderia inferir um caos maior ao mundo todo. Muito bom, pois fez com que o personagem seguisse os seus princípios, que sempre pareceram meio nebulosos, como uma definição estranha do que seria o bem e o mal. Fazer com que todos parassem de mentir em tese seria algo bom até porque o mandamento é claro – não levantar falso testemunho. No entanto, o nosso garoto erra mais uma vez ao levar tudo isso ao pé da letra e acabou interferindo de forma negativa no equilíbrio mundano. Sem contar que foi bom isso ter sido mostrado, pois faz juz à ingenuidade de Jack em sempre ter que abrir mais a mente para entender a vida, traço de sua personalidade que a série insiste em conservar – não seria agora que isso iria deixar de acontecer – e foi uma boa oportunidade do plot mostrar que a mentira, o pecado não se tratam de questões tão simples assim, mas de cenários que são bastante relativos. O próprio Chuck afirmou mais tarde, que isso fazia parte do equilíbrio, assim como Luz e Escuridão e etc, o que faz total sentido, pois todos usamos do livre arbítrio que nos é concedido e a média de todas as decisões que tomamos acerca de nós mesmos e sobre tudo o que envolve com quem nos relacionamos é o que detém essa compensação, ou seja, ninguém é totalmente puro e o próprio Deus reconhece isso. Perfeito.
Só achei a conduta de Jack um pouco estranha. No início, o personagem só queria fugir, mas após o encontro com a mãe de Kelly ele teve um ataque de arrependimento e apareceu para Castiel para ser sacrificado? Por qual motivo ele sentiu remorso por tudo o que fez? Em tese ele não deveria poder contar com uma parte cada vez menor de sua alma? Bom, talvez a ideia de ser novamente confrontado sobre a morte de sua mãe, trauma que o atormenta desde sua aparição na temporada anterior, tenha feito ele retroceder nos pensamentos e nas ideias. Mas se arrepender do que fez, para mim, foi um pouco de exagero, uma solução fácil para um problema que até então era insolúvel.

No início do episódio, Sam, Dean e Castiel sentiram na pele o trecho citado pela própria mitologia: Um nefilim deve ser superior em seus poderes ao Arcanjo que o criou. E como a caixa Malak estava fora de questão, fez bastante sentido Castiel querer estudar as fraquezas da jaula para trancafiar Jack lá. Não sei exatamente como se deu essa questão entre os personagens, mas não houve debate entre os três sobre isso e me pareceu chato a atitude de Castiel em novamente procurar sozinho uma solução para o problema. Mas como não foi algo que gerou nenhuma situação forçada e nem desviou o foco do que foi mostrado, foi válido. Não sei por que mas achei que a prece feita por ele em Game Night tinha sim surtido algum efeito e quando vi uma publicação na internet – acho que veio do instagram do próprio Alex Calvert – saquei que Chuck teria uma participação decisiva essa semana e por estarmos falando do último ano de SPN, nada mais justo que fosse ele a abrir essa porta.
Lembrando também da minha crítica à postura de Sam ou à falta dela no episódio anterior, devo dizer que fiquei bem satisfeito com a posição que ele tomou, tentando pôr algum juízo no irmão. Não faz qualquer sentido Dean apertar o gatilho, matar Jack por um sentimento de vingança (sim, é apenas isso que o move) e morrer no processo. Chega a ser muito incoerente Dean cogitar isso, dado que até pouco tempo, a decisão de se colocar na caixa Malak tenha sido algo tão perturbador e dramático; Portanto, a ideia de se matar apenas para se vingar não deveria ser algo complexo? Uma decisão e tanto a se tomar? Nesse ponto, acho que o roteiro foi muito negligente, ainda que ao mesmo tempo tenha sido também fiel até demais; fiel àquele Dean egoísta já mostrado aqui. Para ele, tudo o que importa é trazer de volta as pessoas que ele ama, fazer as coisas que ele quer, mas por que não pensar em como tudo isso iria afetar as pessoas a seu redor?

Achei bem interessante a conotação que o roteiro nos deu sobre Deus e a dinâmica dos universos. Engraçado que eu mesmo pego também imaginando às vezes se todos nós não fazemos parte de uma história maior cujo autor é Deus, que nossas vidas passam por diferentes fases, que algumas pessoas permanecem conosco como personagens recorrentes durante muito tempo enquanto que outros apenas partem; tudo feito com algum propósito e se me permitem, algumas das coisas que nos cercam podem sim ser executadas de forma deliberada. Por mais que possa até parecer um pouco leviano da minha parte tentar erguer uma visão minha sobre as coisas, mas já que é pertinente à temática desta semana, digo que fico satisfeito por ter uma crença individual minha esboçada dessa forma. Não que tenha ganhado pontos comigo por isso, mas temos que admitir a ousadia do roteiro em mostrar essa perspectiva de forma tão ativa e audaz foi boa – principalmente em mostrar um Deus que esboça ira, vaidade, dentre alguns outros defeitos. Mais instigante ainda é saber que isso será abordado em algum outro momento na próxima temporada.
Outra discussão que também reflete meu entendimento sobre o assunto e que foi exposto é a de que existem regras que foram criadas para serem quebradas para que o equilíbrio seja devidamente preservado. Deixei para comentar essa parte aqui, pois o foco lá em cima era Jack, mas Chuck explicou tudo a Sam de forma mais ampla e clara: Deus entende como ninguém as criaturas que ele mesmo criou; Ele entende que o pecado faz parte do convívio humano e que tudo é apenas uma parte dessa grande engrenagem que é a vida humana, por isso o seu comentário – até censurado por Castiel – quando percebeu que a mentira era necessária para manter a paz nos escritórios da Mirror Universe.
Outra alusão observada em Moriah – talvez a mais importante – seja a de que todas as situações às quais somos submetidos servem para nos testar no dia a dia. Saber que Chuck era a grande mente por trás de todos os acontecimentos que permeiam a vida dos Winchester pode ser estranho, pois já era óbvio demais saber que isso era verdade, considerando o fato de que Chuck é Deus e assim como na bíblia Abraão foi requisitado por Deus para sacrificar seu filho Isaque, a expectativa era de que a história se repetisse e que Jack fosse eliminado. Foi aliviante ver que no momento crítico, Dean escolheu não puxar o gatilho. Acho que o instante poderia ser dotado de um drama melhor, mas visto que Dean já estava numa onda de ira muito grande, não seria nada fora do comum esperar que ele não derramasse ao menos uma lágrima. Acho também que abusaram muito da flexibilidade da linha temporal nessa cena. Como poderia Dean já ter chegado lá há um tempo e Sam chegar logo em seguida de carro para impedi-lo?


No último momento, Dean se arrepende e torna a ficar do lado de Sam, afirmando que há um motivo para as coisas estarem como estão e o mais importante e irrefutável, Mary com certeza não iria querer ser salva dessa forma, como fruto de uma barganha forçada, ainda que feita por Deus. Senti muito por Jack ter morrido da forma como morreu, pois como não é novidade, gostava muito do personagem. Agora, no The big empty e com Billie em seu encalço, acredito que a mesma tentará fazer um pacto com ele para que juntos possam ceifar Deus e graças a isso, teremos Jack renovado por mais uma temporada. Desconheço qual será o seu papel nesse retorno, vai ver até que Billie possa ajudar a restaurar a sua alma caso ele faça algo em troca, mas também fiquei curioso para saber.
Foi muito legal a essa altura os Winchesters terem esse contato e por consequência esse conflito de interesses com Chuck, que sempre escreveu histórias épicas, reboots de histórias mostradas na bíblia – como Sam no papel de Lúcifer e Dean no papel de Miguel e etc; Que ao que tudo indica resolveu escrever outro tipo de história: um apocalipse real na terra para os irmãos resolverem, exatamente como sempre queríamos ver na série; Um total desequilíbrio de almas do inferno vagando pela terra e promovendo o terror. O que vocês acharam? Achei sensacional, pois indica que essa próxima temporada vai mesmo ser especial. Uma temporada cujo vilão é o próprio Deus, já pensaram? Pois lá, o nosso mundo se encontra em total desordem e resolver isso, meus amigos, será o Grande Teste, o teste final para os Winchesters superarem. Até a 15º temporada!

Observações:
- Mirror Universe foi uma referência a Star Trek. Lá, coexistem seres iguais ao do mundo regular, só que com personalidades opostas. Exatamente como todos lá no escritório ficaram após Jack ter mandado todos pararem de mentir, não?
- Infelizmente, essa foi mais uma season finale com Rowena deixada na reserva.
> A GUERRA DOS DEUSES EM AMERICAN GODS!
Pessoal, aproveito para agradecer por ser bem acolhido durante mais um ano de Supernatural. Para mim, é uma honra enorme escrever sobre uma série que cresceu junto comigo durante todos esses anos. Fico mais orgulhoso ainda em saber que serei eu – até então o plano é esse – que irei escrever sobre a temporada final. Um final há muito esperado pela maioria dos fãs e que sem dúvida, será grandioso. Estarei lá para escrever os textos da próxima temporada, cada um como se fosse o último! Até mais!















