Desde o início da 13º temporada, estive bastante orgulhoso de poder dizer que todos os episódios nessa primeira parte da temporada haviam seguido uma sequência lógica e propícia e mais orgulhoso ainda em poder ser eu o revisor deles. Todos os episódios mostraram alguma evolução (alguns menos que outros), mas já chegando aqui, próximo da fall season, sou obrigado a dobrar minha língua, pois “The scorpion and the frog” se mostrou um episódio totalmente dispensável, que ofereceu muito pouco ou quase nada de novo e não levou a lugar algum.
Devo começar ressaltando que a proposta do episódio foi aceitável. Os Winchesters estavam à procura de Jack (o site do IMDB me trolou, pois a participação do Alexander Calvert no episódio lá já havia sido deletada) e precisavam usar de algum meio para encontrá-lo. Contudo, deram a entender que apenas usaram a busca pelo nefilim como pretexto para trazer à tona um espetáculo grotesco de mistura de tensão, comédia e improviso.
Um dos poucos positivos desse episódio foi a atenção que deram, pelo menos por aproximadamente um minuto de episódio, à lenda dos nefilins. Já era hora da série mostrar um pouco mais sobre essas criaturas, mesmo que se tratasse de um simples feitiço de rastreio. Porém, se Sam confirmou de forma tão rápida que o feitiço de Bart era mesmo autêntico, por meio de páginas na internet sobre cultos e feitiços, porque o próprio Sam não conseguiu achar ou ter ao menos uma pista do feitiço antes sozinho? Essa é uma das provas que SPN quando quer facilitar, facilita; Agora quando quer dificultar…
O que dizer desse demônio da encruzilhada chamado Barthamus? Fala sério. O cara parece uma cópia de Crowley; do jeito de falar, irônico até o formato redondo da cabeça; Isso sem mencionar a capacidade de trair sua raça. Se valeu a pena se rebelar contra o novo Rei do Inferno apenas para conseguir seus ossos de volta? Talvez. Porém, o desenrolar das cenas e a posterior morte do demônio ao término do episódio deram a impressão de que tudo aconteceu para encher linguiça, para preencher os quarenta e poucos minutos de episódio e segurar o público até a próxima semana, dizendo “Pronto. Essa história começou aqui e terminou aqui. Valeu e até a próxima semana”. Uma trama totalmente sem propósito e o pior, utilizaram o plot de Jack como pretexto para esse disparate.

Ver os irmãos trabalhando com os demônios é algo que já estamos cansados de assistir e o clima de comédia em que apostaram, por exemplo no momento em que Dean servia como bússola da cripta, foi meio que patético. Eu sei, eu sei. O demônio podia até ter carisma, como Crowley tinha em vários momentos, porém essa sensação de deja vú não foi nada legal. Se tentar trazer personagens já mortos de temporadas anteriores é chato, imagina matar um personagem e tentar de maneira forçada fazer com que sua personalidade encarne no corpo de outro?
E por falar em deja vú, Bart não fica sozinho nessa não, pois assim que bati os olhos em Alice, percebi que ela era uma cópia da Charlie. “Estranha” (segundo Dean), inteligente e ousada. E mesmo sendo bem parecida com ela, os caras inovaram num pequeno detalhe e acho necessário ressaltar alguns detalhes como esse, pois num cenário em que um bom roteiro é desperdiçado e que o episódio não consegue cumprir com a proposta na maioria das vezes, são esses detalhes que salvam.
A inovação veio em saber por qual motivo a garota vendera a alma e talvez tenha sido o único motivo em trilhar alguma história que tenha esse episódio como base, que diferente do anterior, em matéria de conteúdo foi quase zero. Embora o semblante de orgulho em Alice, no momento em que Dean e Sam resolveram não aceitar a troca de Barthamus, bem como a sua ousadia em ser ela a queimar os ossos do demônio tenham me agradado, fiquei incomodado com a cena final, em que Dean e Sam a deixaram no ônibus. Muito parecida com a cena final de 7×20- “The Girl with the Dungeons and Dragons Tatto”, em que os irmãos se despediam de Charlie e transmitiam o mesmo ar de sintonia e satisfação visto durante essa semana.
Agora, um cara que tem peito para enfrentar não só demônios como Asmodeus, mas qualquer coisa que venha pela frente, que é imortal enquanto estiver guardado em sua casa, merecia sem dúvida, muito mais de SPN. Enxerguei muito potencial em Luther Shriek e em sua história. Porém, mais uma vez, o episódio mostrou que veio mesmo para fazer tudo o que podia de errado e o eliminou de forma abrupta e sem explicações; pois diante de uma temporada cheia até o gargalo de vilões, pessoas fortes como ele e que lutam do lado certo da guerra, poderiam ser úteis.

Difícil de acreditar que após aquela confusão toda para roubar o baú, ninguém tenha tido a curiosidade de abrir para saber o que havia dentro. Caso tivessem descoberto antes a posse dos ossos, poderiam juntar os pontos após toparem com Shriek, serem mais ágeis no momento de matar Bart. Mas, o roteiro foi muito conveniente para que tudo acontecesse exatamente do jeito que aconteceu; Shriek, mesmo liberto, esperando para encontrar o grupo apenas fora de sua casa, local onde já estaria vulnerável; Ninguém percebendo o momento em que Bart chegava com um facão para decapitar Luther; O demônio fazendo Alice de refém e após a queima dos ossos, todos os três sendo estúpidos o suficiente para permitir que o feitiço virasse cinzas antes de pegá-lo.
Por fim, o ponto chave da performance dos irmãos no caso dessa semana foi o improviso. Somar um mais um e ter a ideia de que Luther o ajudaria a passar pelos dardos foi uma boa sacada, mas quando lembro que tudo o que aconteceu não teve propósito algum, em se tratando do feitiço, fico de mãos atadas por não ter como defender o episódio.
Ainda me atendo a alguns detalhes que fizeram com que o episódio não fosse totalmente perdido, foi ótimo ver que Dean continua resoluto. E mesmo que, em alguns momentos, tenhamos que lidar com um Dean medroso, como quando ele estava prestes a pôr a mão na fechadura, isso significa para nós, fãs, que sua essência ainda está ali. Para ele, que diferente de antes estava sem esperanças, está mais decidido do que nunca e mesmo depois desse passo em falso, a que se resumiu toda a dinâmica do episódio, ainda se vê com chances de vencer aquela guerra. Até a próxima semana, hunters!















