Faltando um episódio para a conclusão de seu terceiro ano, Supergirl entrega uma trama decepcionante.
Supergirl sempre foi uma série com explicações nada complicadas para suas tramas e desenvolvimentos. Usualmente o padrão adotado é o de uma justificativa simples, que serve apenas como gancho para algo maior. Tome como exemplo a invasão Daxamite e a solução de “contaminar” a atmosfera com chumbo, expulsando a raça alérgica do planeta. Nada ali fez sentido e tão pouco precisava fazer, afinal estamos falando de uma adaptação de uma história em quadrinhos em que uma raça recebe poderes da radiação solar, mas apenas se o sol for amarelo. Logo, não é necessário que você receba muito e procurar ciência nessas produções do Arrowverse é perder tempo. Contudo, até mesmo alguns detalhes precisam ser respeitados, em especial aqueles que a série constrói como regra.
A transformação do planeta Terra em um local ‘adaptado’ para kryptonianos foi a coisa mais bizarra que a série já tentou vender em três anos, e estou falando da produção que nos entregou a Banshee prateada com maquiagem de dia de los muertos como se fosse algo “natural”. O próprio conceito de trabalhar a palavra ‘terraformação’ de um planeta que sozinho já garante poderes para esta raça alienígena é absurdo. O objetivo, claramente, é o de destruir o planeta e levar com ele a população humana, deixando-o livre para a Nova Krypton, mas terraformar exatamente o que? Na vontade de justificar seu evento de fim de mundo, criando um gancho emocional para o próximo episódio, Supergirl trabalhou da maneira que já estava operando desde o retorno do hiato, sem nenhum sentido.

A própria ideia de fazer com que as servas do culto a Régia fugissem do “planeta” com a nave do J’onn, deixando Kara e Mon-El presos em Argo, é indicativo de que a série está decidindo as coisas aleatoriamente. Você tem um dispositivo de transporte casualmente esperando para ser arrumado na oficina do pai da Kara, um holograma/inteligência artificial que também pode se conectar com outros hologramas, mas que a mãe da Kara nunca pensou em utilizá-lo para procurar vestígios da filha após a destruição de Krypton e o processo de fusão do J’onn e seu pai correndo paralelamente a tudo isso. São várias, inúmeras decisões que não casam com a ideia de planejamento. Se teve uma coisa que Supergirl demonstrou é que o chapéu onde colocam as ideias e as retiram em forma de sorteio continua operando como maior mente criativa do grupo de roteiristas.
E mesmo que a cena com a invasão das três “bruxas” tenha sido bem legal e cinematográfica para a série, assim como o combo chute no peito e caída em cima da mesa, da Alex, nem mesmo a ação conseguiu fazer muito sentido dentro do episódio. Sim, Make it Reign é melhor que o episódio anterior, mas ainda permanece massacrado pelas convenções de roteiro e saídas fáceis. O aprofundamento emocional de seus personagens permanece em espera, enquanto justificativas baseadas em ficção cientifica permeiam o texto da série. Se no começo da temporada Supergirl estava tentando descobrir quem ela era e onde pertencia, como kryptoniana heroína ou repórter, quando confrontada pela tragédia ao redor de sua decisão de sair da Terra ela nem ao menos finge interesse nessas questões de introspecção e autoconhecimento. Ao contrário, o episódio decide que este é o melhor momento para que Kara e Mon-El decidam como anda a vida amorosa, graças aos conselhos de Alura, a mãe que ainda está esperando por aquele momento de reconexão com sua filha.
> ATLANTA, dica de série imperdível
Supergirl tem me decepcionado muito, da mesma maneira que Arrow e Flash, no passado (hoje já não espero mais nada destas). O problema é que Supergirl nunca foi uma série bem estruturada, mas sempre apresentou uma conexão bem forte entre seus personagens, mostrando histórias pessoais e belas enquanto trabalhava a temática de uma super-heroína. Sem estes elementos, porém, apenas as rachaduras na fundação da série ficam a mostra. É preciso que exista uma balança, caso contrário o resultado será decepcionante, como está sendo. Ou Supergirl traz de volta a emoção ou começa a pensar sua trama com mais cuidado. Simplesmente abandonar todos estes elementos enquanto faz um jogo de jogar assuntos na parede para ver o que cola, não está mais dando certo.















