Tão perto da conclusão de sua terceira temporada, Supergirl está completamente perdida e Not Kansas é a prova.

Com apenas mais dois episódios para finalizar seu conturbado terceiro ano, Supergirl derrapou novamente com sua história, entregando um emaranhado de decisões completamente errôneas e menos do ‘soco’ emocional que deveria estar movimentando a trama, já tão próxima do fim. Após decidir que precisa passar um tempo, indeterminado com a mãe, Supergirl parte para o resto do planeta Krypton, a Cidade Argo que atualmente flutua no espaço, para se reaproximar de suas raízes, em mais um episódio sem nenhum ápice, clímax ou qualquer representação do que a série um dia foi. Pior ainda, com um discurso nada apropriado para um tema tão complexo quanto o do desarmamento – de instituições de segurança do governo e não apenas do comprador “comum”, acredita?

Supergirl está diferente, bem diferente. Antes uma série que não poupava seus personagens de confrontos emocionais e poderosos, hoje a série se esconde atrás de textos superficiais e nada conectados entre si. Sim, a produção sempre teve problema de foco, especialmente quando tentava trabalhar núcleos de personagens diferentes ao mesmo tempo, mas este defeito está cada vez mais presente e deixando um gosto cada vez mais amargo na boca. Além de não entregar, pelo segundo episódio consecutivo, o encontro poderoso entre mãe e filha, a série decidiu “brincar” com o assunto do desarmamento de uma maneira totalmente errada e rasa.

Seria muito fácil pontuar como Argo é um local onde emoções não existem e todos agem como um robô. É o fato que permeia as ruas daquela cidade, a vida de seus habitantes e até mesmo a “desmotivação” da vilã do episódio, a serva do culto as Destruidoras do Mundo. E como um episódio qualquer de meio de temporada, Kara decidiu se sentir desconectada, um sentimento que até faz sentido, já que em determinado momento a personagem precisará voltar para o planeta Terra, mesmo que essa suposta desconexão não vá representar motivação alguma. E aí o que já estava difícil de engolir, fica tão feio quanto o efeito da Kara voando com o Mon-El debaixo do braço.

Em Not Kansas Kara e Mon-El (?????) precisaram enfrentar as “barreiras” de um planeta nada alienígena, mas bem diferente. Bom, o tempo passou e Kara não é mais uma criança, tão pouco sua amiga de infância, mas por algum motivo elas precisam reatar laços antigos de um período que nunca chegamos a ver. E não é estranho para vocês que Kara e uma qualquer (interpretada pela maravilhosa Esmé Bianco) tenham dividido momentos chave sentimentalmente, mas Kara e a mãe, Alura, terminaram o episódio sem trocar muitas palavras? Aparentemente este foi o caminho escolhido para tratar o retorno de uma personagem que tanto nós, quanto a protagonista, acreditávamos ter morrido há anos. Festa de retorno? Choro e drama? Que nada. Kara vai sair para jantar e ser paranoica.

Pior ainda, enquanto estava brincando de surtos de paranoia em Argo, Supergirl apresentou uma trama de desarmamento para a galera que ficou no planeta Terra. E a trama fez menos sentido ainda. Arrow já havia tentando falar de desarmamento no temeroso décimo terceiro episódio da quinta temporada, e confesso que a série errou menos do que Supergirl, porque pelo menos dedicou um episódio inteiro e não só algumas cenas. Contudo, Arrow ainda teve um motivo bem mais justificável para falar de desarmamento do que Supergirl. Primeiro: o DEO não é um grupo de vigilantes, apesar de endossar o trabalho do Guardião. Estamos falando de uma agência de segurança que precisa lidar com criaturas de outros mundos, algumas com uma única motivação, a destruição do planeta. Desarmar pessoas comuns é uma coisa, mas para propor o desarmamento do exército, bom, aí já é necessário um texto bem mais denso e complicado e o de Supergirl não foi.

Outro ponto que também vale levantar, é que a única personagem que poderia elevar a discussão, Lena Luthor, foi completamente deixada de lado após ter confessado ter uma arma e acreditar na segurança que o objeto a proporciona. Em nenhum momento a série fez questão de discutir, abrir o panorama e mergulhar na complexidade do tema. Ao contrário, de maneira bem superficial e sem sentido, o roteiro nos jogou na parede e apresentou apenas uma saída compreensível. Estamos, no final do dia, falando de forças treinadas, com pessoas preparadas, contra a visão de uma empresária. Existe potencial para uma discussão mais ampla, mas a série se recusou a apresentar. O que tivemos então foi um verdadeiro show de horrores, um tão ruim quanto o apresentado pelo time do Arqueiro.

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E errando muito com uma trama que poderia ter sido bem mais rica e complexa, especialmente quando a personagem chave da série, aquela que não pode ser baleada porque é de “aço”, poderia muito bem ter embarcado em uma discussão filosófica com sua irmã, a agente cabeça quente, sobre armamento, mas que optou por tratar de um tema com essa relevância através de J’onn e um bandido de quinta. Pior ainda lá em Argo, em que nada funcionou, a emoção não surgiu e a resolução fácil e boba terminou permeando um roteiro que já não estava bom desde o episódio anterior. Supergirl precisa muito de um acerto nos próximos episódios e mais ainda do retorno da Imra, porque pelo amor de Rao, eu não acredito que esses roteiristas surtados estão vendendo o romance entre Kara e Mon-El enquanto a esposa continua esperando uma RESPOSTA. Supergirl, você já soube tratar suas mulheres melhor.

REVISÃO GERAL
Nota:
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