Supergirl trabalha a origem de mais uma destruidora de mundos em Both Sides Now.
Supergirl está com um bom ritmo em sua terceira temporada. Diferente da segunda em que a trama se desviou várias vezes com o CADMUS, o terceiro ano já está bem resolvido com sua vilã Reign. Ao acrescentar mais uma antagonista com o mesmo perfil, a série impôs também o futuro desfecho para suas Destruidoras de Mundo, ‘Reino’, ‘Pestilência’ e ‘Pureza’. Both Sides Now oferece uma saída clichê para sua vilã, além do potencial para que, em determinado momento, Sam retorne – ou se sacrifique em um momento de lucidez. Contudo, este capítulo que marca o último antes de um grande hiato de organização da casa, Supergirl volta só em abril, é permeado por um excesso de diálogos e algumas caracterizações que já estão forçadas.
Julia Freeman, a destruidora de mundos que atende pelo nome de Pureza, existe unicamente para fazer o elo entre a pessoa e a vilã, um que nós já conhecemos, mas que o time de personagens de Supergirl ainda não tinha noção. Entretanto, para fazer com que a personagem operasse de modo a oferecer para Alex e Supergirl o combustível necessário para que existisse o embate de filosofias, Pureza funciona única e exclusivamente como uma máquina de clichês irritantes e sem muito dimensionamento. Ela fala bastante sobre trazer a destruição, enquanto Alex a condena e Kara tenta alcançar o lado humano. A luta de ideologias é interessante, contudo o texto não tem força suficiente para transformar Julia em uma pessoa de verdade, no lugar de uma caricatura exagerada. Pior ainda, ouvir Alex dizer: “eu sou mais forte e inteligente que você”, foi risível, especialmente enquanto a personagem fazia exatamente o que uma pessoa inteligente jamais faria neste lugar – provocar antes mesmo de conhecer a pessoa.
Não apenas Pureza, Alex e seu confronto com Supergirl, a série fez um trabalho interessante com Mon-El neste episódio. Existiu o reconhecimento de que no passado o personagem havia sido um tanto quanto misógino, transformando em comentário ‘meta’ a crítica feita por parte dos telespectadores da série durante a segunda temporada. Foram necessários sete anos longe de Supergirl para que Mon-El se transformasse no personagem que a produção julgou como o melhor par para sua heroína, uma mulher cheia de esperança, força e virtudes. Só que para justificar a não união imediata do casal e criar um tipo de tensão entre ambos, incluíram uma outra mulher na equação, a compreensível Imra. Agora, para mostrar que ainda existem chances para Mon-El e Kara, nos revelaram também um casamento forçado que arduamente se transformou em amor, possivelmente.
Só que este amor, aparentemente inabalável durante o começo da temporada, agora já está questionável – pelo menos para Mon-El. O agora herói e legionário, após passar algum tempo ao lado de sua antiga namorada e possivelmente primeiro amor de sua vida, já está questionando o que ele sente pela esposa, também. É complicado e se a série quiser realmente vender um romance entre ele e Supergirl, precisará criar um término amigável e a retirada de Imra de maneira definitiva, mas sem sua morte. Existem alguns limites morais que Supergirl, por vezes, não cruza e acredito que matar uma mulher para que o romance se torne viável não será um deles. Entretanto, a história que antes estava nova e até mesmo interessante, começa a se tornar previsível e clichê. Hoje já gosto muito mais de Mon-El do que antes e a série está fazendo um grande esforço para que seu futuro retorno como namorado da heroína seja respeitável, mas acredito que criar estes momentos com um homem que aparentemente já atingiu a “perfeição” terminará limitando o potencial para ver um casal de verdade. Mon-El errou muito (os roteiristas erraram) na temporada passada e por isso criaram um homem sete anos mais evoluído, aparentemente sem tanto espaço para crescimento. Mas acredito que se o intuito for realmente o de trazer o casal de volta, encontrarão outros defeitos que não envolvam misoginia e babaquice, é o que espero.

Enquanto Mon-El ganhou uma nova trama, Alex parece ainda presa ao fantasma de Maggie. É compreensível que demore mesmo para que a personagem se desprenda totalmente – talvez ela nunca consiga se libertar da frustração de seu primeiro relacionamento, mas Supergirl precisa começar a oferecer algo novo para Alex. É um pouco frustrante ver que, no décimo terceiro episódio, Alex ainda está sendo resumida como a mulher que está sofrendo pelo término e nada mais. Sim, é muito interessante ver a visão da agente sendo comparada a da heroína esperançosa, além das diferenças entre as duas irmãs, contudo acho que já atingimos o ponto em que a história precisa seguir para outras direções. Neste aspecto seria interessante ver uma aceleração do processo de cura, não na mesma velocidade que a perna quebrada, mas com a mesma disposição.
Apesar de ter aparentado considerável cansaço financeiro já em seu décimo terceiro episódio, o efeito da Supergirl chegando no começo do capítulo foi o pior uso de CGI para voo em três temporadas, Both Sides Now decidiu incluir várias cenas de ação, inclusive com o uso do J’onn, algo que eu estava sentindo falta. Existe um problema criar o personagem digitalmente e acredito que seja mais barato do que construir um rosto usando máscara prostética, mas a série sempre termina esbarrando no problema de ter alguém tão poderoso, sem utilizá-lo. Aqui deixam J’onn preso segurando uma estrutura enquanto Kara e Mon-El enfrentam Pureza, mas o momento verdadeiramente marcante é quando Reign aparece. Gosto do fato de termos, tão cedo, uma antagonista tão poderosa e que oferece medo real para personagens e também telespectador.
Both Sides Now trabalha muito do tema divisão e redenção, em vários núcleos. Lena e Sam se envolvem em uma conversa mais séria, com Sam questionando a amizade da Luthor após o envolvimento de sua filha, em um momento de puro desespero. Ainda não considero essa vilania mascarada como o melhor uso e é pouco condizente com o que os produtores haviam prometido para este arco, com a vilã mais bem construída de todo Arrowverse. Até o momento é possível temer Reign, assim como Pureza, mas a motivação central continua bem simples. Nenhuma delas realmente mantém um motivo definido, além do “porque sim”. Sentimos pelas versões humanas, tememos pela super-humana.
Easter eggs e outras informações em Both Sides Now:
– O abraço entre a Alex e o Winn foi muito fofo. Quem diria que o Ti da CatCo hoje estaria nesse nível de amizade com a agente do DEO.
– Onde está Brainiac 5? Arrumando a nave com seu nível de intelecto 12 é que ele não está.
– Lena está bem perto de descobrir a identidade de Sam como Reign, o que me leva a acreditar que ela já sabe da Kara como Supergirl, assim como Cat Grant. Não é possível.
– Imra precisa contar um segredo para Mon-El, a respeito da missão. Será que ela sabotou o plano para ajudar a salvar a Supergirl?
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– Não teria sido mais interessante ter Alex duvidando de Pureza por causa da quase morte da Supergirl pelas mãos da Reign? Tinha que ser a respeito da Maggie? DCpcionado!















