Supergirl homenageia Smallville em Midvale, um episódio pouco interessante, mas com potencial.

A mitologia da família Super na televisão é gigantesca. A existência de várias interpretações do Superman permite que Supergirl faça diversas viagens através do seu próprio e particular multiverso de interpretações. Dentro de tudo o que o time criativo da série poderia fazer, com o roteiro de Caitlin Parrish e Jessica Kardos, o escolhido foi o mais recente, o de Smallville. E com uma onda gigantesca de referências e homenagens, Supergirl entregou um episódio ok, em um ano que estava com uma crescente ótima de capítulos consistentes.

O escolhido como a trama, porém, é muito mais forte do que Smallville. Com a morte de Kenny, relacionamentos entre professor e aluna – algo que outra série da casa, Riverdale, decidiu nunca tratar com a seriedade que merecia – com um policial corrupto e a velha trama do ensino médio, Midvale é uma versão melhor definida do que Pequenópolis em seu ano de estreia e, basicamente, pelos próximos sete. Só que muito mais do que um backdoor pilot de Jovem Supergirl, este é um capítulo que trata, exclusivamente, de uma história de confiança e desenvolvimento do relacionamento entre a Kara e a Alex que conhecemos hoje.

Talvez, motivados pela agenda de Melissa Benoist e Chyler Leigh, escaladas para participar do evento crossover deste ano, o time de roteiristas tenha encontrado na visita ao passado uma excelente maneira de controlar a ausência de suas atrizes. A verdade é que apesar de interessante, o episódio não conseguiu manter a força que deveria para justificar o desvio realizado. Ele é sim interessante e carregado de nostalgia para quem acompanhou as primeiras temporadas de Clark, em Smallville, contudo para o público geral de Supergirl a batida lenta, sem grande apelo emocional, pode ter terminado um pouco decepcionante.

Claro que o episódio teve sim ótimos pontos, como por exemplo, o elenco escolhido para viver a jovem Kara e a jovem Alex. Izabela Vidovic e Olivia Nikkanen não apenas são parecidas com Melissa e Chyler, mas conseguiram emular bem o relacionamento entre duas irmãs, com conflitos característicos da idade, mas também com a aproximação que as transformaria na Kara e Alex de hoje, tão parceiras e decididas. Foram vários momentos contendo dicas do que ambas viriam a se transformar no futuro, porém com sutileza e cuidado.

Supergirl 3x06: Midvale
Supergirl 3×06: Midvale

O episódio também dedicou um momento, no presente, para tratar da situação sentimental de suas duas personagens centrais. Kara e Alex estão vivendo o mesmo tipo de “passagem” sentimental. Ambas lidaram de maneira similar com o rompimento de seus relacionamentos. Existe uma diferença, afinal apenas uma delas estava disposta a não continuar o romance, por diferenças não superáveis, mas a primeira reação é a de se fechar para o mundo. Só que para Kara tudo é um pouco mais “pesado”. Eliza, desta ver melhor interpretada por Helen Slater, consegue enxergar através da filha e de seu período mais dark.

Mas é por causa de Midvale que outro aspecto válido e que continua recebendo muito destaque nesta temporada, prepondera. É a amizade e a relação de companheirismo destas duas irmãs que movimenta a trama de Supergirl desde sua estreia. Exatamente por isso entendo o motivo por trás do time criativo ao entregar um episódio inteiro para lidar com ambas. O problema é que o foco na adolescência, em uma produção atualmente imersa em um lado mais sombrio, não permitiu os desvios que fariam daquela visita, algo saudosista e nostálgico.

Midvale é um episódio que funciona como um piloto dentro de uma série, propondo um desvio interessante e com boa proposta, mas como todo piloto peca por não conseguir definir uma identidade mais forte. Apesar de estarmos no passado de Kara e Alex, a série poderia muito bem estar iniciando sua jornada como o período de adolescência de duas garotas em 2017. Para se encaixar na proposta do orçamento de Supergirl, o sexto episódio deste terceiro ano não abusou das referências e do tom que remete a um flashback, ao melhor estilo ‘Bagulhos Estranhos’. Este é um capítulo bom, não se engane, mas com um desvio não muito necessário.

Easter eggs e outras informações em Midvale:

– Bom, como mencionado acima, este é um episódio pesado nas referências a Smallville. Começando pela escola, que é exatamente a mesma usada na série do Clark Kent.

– A prova de escalada na corda também é idêntica a do piloto de Smallville, com Clark.

– Durante a cena na cafeteria o nome do Lex Luthor é mencionado. Assim como a fase em que o Superman usava sua cueca por cima da calça.

– O telescópio também é uma cena que faz homenagem a Smallville, mas lá ele ficava no celeiro dos Kent.

– Existe um Kenny relacionado a mitologia do Superman. Kenneth Braveman, para ser mais exato. Sua contraparte nos quadrinhos atende pelo nome de Conduit e ele é um vilão do Super. Kenny também já esteve na série animada do Superman e em Homem de Aço, interpretado por Rowen Kahn.

– A cena com a Kara saltando na floresta é saída direto de Superman Retorno.

– J’onn usa a aparência da tia da Kara, com o nome Noel Neill. Noel é o nome da atriz que interpretou a Lois Lane em 1948 e 1950. Já a atriz, Erica Durance, interpretou a repórter em Smallville.

– A cena em que a Kara salva sua irmã de um carro desgovernado, em uma ponte, é saída diretamente do piloto de Smallville, em que Clark salva Lex.

– Porém, a melhor homenagem (e a pior, após as denúncias contra a atriz), foi a de Chloe Sullivan, a amiga hacker do Clark – assim como seu Mural do Esquisito. Chloe figurou como a personagem mais importante de Smallville, depois de Clark, por anos. Infelizmente Allison Mack, a atriz que interpretou Chloe, foi acusada de fazer parte de um culto que recrutava mulheres para serem escravas sexuais, inclusive as marcando com ferro. Mack seria uma típica vilã do Superman, caso ele fosse real. Uma pena.

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– Uma pena também que com estas acusações, a possibilidade de ter Chloe aparecendo no futuro, interpretada por Allison, caiu de duvidosa para negativa.

REVISÃO GERAL
Nota:
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