Entre despedidas e armações, Supergirl mostra sua maturidade. Supergirl amadureceu muito em três anos e Damage é a prova final de que o terceiro ano da série está, cada vez mais, introspectivo e sisudo, sem deixar de lado seu heroísmo. Um mérito que a equipe criativa da série tem, é que em nenhum momento a personagem deixou de ter seu humor e leveza. Em um episódio em que crianças são envenenadas por chumbo e o casal mais promissor da série termina, ainda existiu espaço para uma mensagem de esperança, para o trabalho da heroína e também para uma boa representação de Kara como personagem, além do seu ótimo time de mulheres no elenco.

A história ao redor da Lena é uma ótima maneira de incluir a personagem ao elenco regular da série, com uma história própria e muita antecipação para o futuro. Lena sempre lutou contra a imagem que o sobrenome Luthor refletia sobre ela. Agora, como chefe de uma nova empresa e tentando manter sua honestidade, mas ao mesmo tempo impondo seu lado empreendedor – com um diálogo bom entre ela e James – Supergirl soube dosar bem o primeiro capítulo centralizado em Lena, ao colocar Kara e Sam para trabalharem juntas para ajudá-la, enquanto ela chegava ao seu limite com Morgan Edge, brilhantemente interpretado por Adrian Pasdar.

Um dos grandes problemas do segundo ano da série foi a sua tentativa falha de fazer da vida de Kara como uma repórter algo real. A primeira temporada foi inteira centralizada em mostrar Kara como uma heroína e uma profissional. Já no segundo, a proposta foi a de trazer a vida pessoal para o holofote e a protagonista tentando balancear seu heroísmo com o amor, o que faltava para que ela se tornasse uma pessoa “completa”. Exatamente por isso tratar Kara como repórter era apenas um sonho bem distante, um que a série não conseguiu alcançar. Nem mesmo a introdução de Snapper Carr, hoje desaparecido, ajudou a delimitar o núcleo. Isso porque a proposta nunca foi a de mostra-la realmente agindo com uma profissão. Existiram bons momentos, mas apenas passageiros. Aqui, no terceiro ano, a função da série está bem melhor. Para que Kara e sua futura vilã, Sam/Reign, mantenham sua integração justificada, é preciso que o texto preze pela repórter e deixe a heroína para peças chave da ação.

E por falar na ação, estou gostando da maneira que Supergirl está conduzindo sua personagem principal e também Alex em suas cenas mais enérgicas. A montagem final com Lena no avião foi muito boa e mostrou um domínio maior em cenas com a personagem título voando, ao invés de apenas “aparecendo” rapidamente, coisas que o orçamento mais apertado demandam. Também tivemos uma cena clássica de heroísmo em que Alex brilhou, enquanto Kara apenas observava como uma irmã orgulhosa.

Contudo o que tiramos de mais proveitoso neste núcleo da história é a interação perfeita entre Lena, Kara e Sam. Existe uma amizade muito grande ali, de uma maneira que não vejo na televisão há um bom tempo. É uma pena que logo mais Sam terminará como uma vilã, mas a trajetória está sim interessante, algo que torna a vilania de uma delas em algo ainda mais doloroso.

Supergirl 3x05: Damage
Supergirl 3×05: Damage

E então entramos na separação de Alex e Maggie. Como toda separação, o momento não é fácil, mas necessário. Infelizmente a atriz Floriana Lima decidiu não renovar com a série para mais uma temporada, fazendo deste terceiro ano sua última participação – por enquanto. Ter um membro do elenco desistindo da série é sempre algo complicado, especialmente pela logística envolvida na criação de roteiros, mas Lima e o time de Supergirl conseguiram garantir a presença da atriz por estes cinco episódios, dando assim a oportunidade para um rompimento sensível e com espaço para uma eventual volta.

O que Supergirl fez neste episódio e também nos passados, foi pontuar que em um relacionamento sério existem determinados pontos que realmente inviabilizam a vida a dois. Alex sempre quis ser mãe, ao passo que Maggie nunca desejou ter filhos. Para manter um relacionamento não é preciso que ambas as partes concordem sempre, mas existem comprometimentos que precisam ser acordados entre as duas. Neste ponto, a série fez um trabalho honesto de separação. Desenvolvido ao redor de vários episódios e de maneira gradual, o trabalho realizado conseguiu aumentar a participação de Alex e seu desenvolvimento enquanto personagem, sem fechar completamente as portas para Maggie. É possível que em determinado momento ela volta e seu desejo em ser mãe tenha mudado – lembrando a participação inicial da Maggie, é possível que Alex a encontre por acaso, na rua, já com uma filha no braço e outra parceira. Tudo é possível e o texto de Eric Carrasco e Cindy Lichtman faz questão de mostrar as possibilidades.

Enquanto o episódio corria e Kara, Sam e Lena procuravam uma saída para o envenenamento das crianças, o roteiro isolou Maggie e Alex, colocando-as cada vez mais próximas e ao mesmo tempo mais distantes. Existiu uma compreensão por parte das duas, em um nível de maturidade que apenas reflete como Supergirl cresceu emocionalmente em três anos. Tudo termina porque precisa terminar, infelizmente, mas termina em bom tom, sem acusações e com uma despedida bem emocional.

Em seu quinto episódio, Supergirl mostrou que está disposta a contar histórias mais maduras e aprofundar cada vez mais o relacionamento destas (agora) 4 mulheres. Com um texto bem dividido e uma direção bem conduzida de Kevin Smith, sem a necessidade de cenas grandiosas de ação e mostrando que o forte do diretor é a introspecção, a série da Garota de Aço coroou uma excelente crescente de 5 capítulos fortes e de identidade bem definida. Estou verdadeiramente ansioso e cada vez mais esperançoso de que a terceira temporada de Supergirl continuará forte e cheia de coração.

Easter eggs e outras informações em Damage:

– O episódio não teve muitos easter eggs não, com exceção do momento em que a Sam leva o tiro e nem percebe, que é bem parecido com o de Corpo Fechado.

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– A origem da Reign nunca chegou a ser explicada a fundo nas histórias em quadrinhos. A personagem que na série atende pelo nome de Sam, surgiu na nova versão da Supergirl, do universo dos Novos 52, como uma Worldkiller, raça geneticamente criada em Krypton, como armas. Existem outros Worldkillers, super resistentes, eles podem ser feridos apenas por eles mesmos.

REVISÃO GERAL
Nota:
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