Supergirl entrega um poderoso episódio em Luthors

Tudo o que faltava para série em seu segundo ano, apareceu neste décimo segundo episódio. Um bom equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, um pouco de vida amorosa, porque ninguém é de ferro, nem mesmo a garota de aço, muito menos a garota de aço, e claro, uma vilã interessante e que prometeu muito, mas pouco entregou desde Medusa. Claro que o grande risco não chegou a conferir uma ameaça real, mas todo o resto ajudou e muito a elevar novamente a tensão dentro da série – e também para constatar o que Supergirl tanto precisa: uma vilã competente.

Nós sabemos que a Supergirl irá, em determinado momento, salvar o dia, é a história da heroína e não faria sentido ter o oposto, até mesmo as produções mais sombrias e desesperadoras, como Game of Thrones, tem desfechos felizes. Logo é a trajetória que importa, é o desenvolvimento dos personagens, a diversão em se acompanhar um episódio e principalmente, o impacto da produção e sua relevância para a temática proposta. Supergirl pode não ser um primor técnico, a série tem sim seus defeitos, mas a quantidade de acertos supera e muito qualquer deslize.

Um dos grandes problemas da série e que ainda existe, apesar do ótimo episódio, é a presença de furos dentro do roteiro que poderiam ser facilmente contornados. Por exemplo, no momento em que Metallo, com seu coração de kriptonita, aparece, porque raios a série envia Supergirl para a ação e J’onn como suporte surpresa? Não teria sido mais fácil mandar o marciano desde o começo? Estes pequenos detalhes não fazem sentido, mas também não são enervantes a ponto de estragar o episódio, ou silenciar o roteiro bem construído e com ótimos momentos para seus personagens.

Luthors é o maior exemplo, já que balanceia com perfeição o lado profissional, sentimental e heroico de Kara, de uma maneira que a temporada não estava conseguindo entregar em sua totalidade, até então. A fé da personagem em Lena faz muito sentido dentro do que foi construído para a Supergirl desde seu primeiro flashback, com a pequena Kara (Malina Weissman) resgatando uma mulher durante um acidente de carro. Vê-la hoje acreditando na jovem Luthor e fazendo o possível, inclusive no lado jornalístico, para poupar a amiga é ótimo e também ajudou a compreender um pouco mais a amizade entre Lena e Kara – além daquele bom e velho momento de flerte entre as duas, que existe, só não vê quem não quer.

Supergirl 2x12: Luthors
Supergirl 2×12: Luthors

A série ainda foi além e conseguiu em poucos minutos demonstrar de maneira eficiente um pouco da história da família Luthor, de uma maneira que poucas produções recentes conseguiram fazer e emulando muito bem o sentimento exposto durante outra produção da família Super, Smallville. A diferença aqui, neste lado do Multiverso, é que Lex foi criado pela mãe, uma mulher calculista ao extremo – a montagem dela jogando xadrez com o filho é uma maneira nada sutil do roteiro fazer a conexão, mas funciona muito bem devido ao pouco tempo disponível para a ambientação destes personagens.

Lillian Luthor, a vilã da vez, é o mais próximo que já tivemos em Supergirl de uma antagonista com um motivo verdadeiramente vilanesco. Misturando um pouco do discurso de xenofobia que a série começou a desenvolver no começo da temporada, Luthors utiliza Metallo para reforçar o ódio que está tão presente na política norte americana pós eleição do Trump, assim como em várias outras partes do mundo, incluindo no Brasil. E é esse tipo de comportamento que me orgulha, porque demonstra uma preocupação do roteiro em ir além do óbvio discurso da heroína apenas salvando o dia ou a si mesma, algo que está arrastando a atual temporada de Flash para um ponto desprezível e nada digno de um super-herói. Supergirl salvando uma multidão e recebendo uma onda de aplausos – este é o sentimento que eu espero ter quando acompanho uma produção centralizada em alguém que está, diariamente, salvando vidas dentro de um uniforme, especialmente quando o clima demanda este tipo de comportamento.

Exatamente por isso Luthors se sobressai. Com um texto mais enxugado e seus personagens coadjuvantes dando espaço para um drama necessário, Supergirl foi capaz de fazer o que não estava conseguindo anteriormente, graças aos constantes desvios provocados por James e seu lado guardião, além do clima abarrotado da série. Também foi aqui que tivemos uma aproximação maior entre Kara e James, que aparentemente encerraram o pequeno desentendimento que mantinham por causa do lado vigilante do Olsen. Ainda acho que o Guardião terá um desfecho bem menos agradável durante o final da atual segunda temporada, e os sinais estão cada vez mais fortes, mas prefiro ambos se comportando como amigos novamente e deixando de lado um desvio agridoce. Por último, mas não menos importante, Mon-El e o romance parecem estar bem próximos de sair do quase e embarcar em algo mais desenvolvido. Não sei muito bem como reagir, mas pelo menos o casal tem química e no fundo, é isso que importa. Não é?

> Legion Vale a Pena?

Easter eggs e outras informações

– Supergirl adotou o mesmo tipo de relacionamento entre Clark e Lex que Smallville. A abordagem escolhida foi a de tratar ambos como amigos, antes de herói e vilão.

Supergirl 2x12: Luthors
Supergirl 2×12: Luthors

– É possível ver a armadura de guerra do Lex no armazém do agora aprisionado Luthor, a mesma utilizada pelo vilão em jogos como Injustice e animações como Liga da Justiça. Também temos uma visão do machado, parecido com o utilizado no primeiro episódio da série. A planta ‘black mercy’ e uma caixa com uma misteriosa luz azulada. Será que teremos a presença da kryptonita azul na série?

– Em Smallville a kriptonita azul retira os poderes de kriptonianos. Na mitologia tradicional a pedra azulada tem o poder de destruir bizarros.

– O final do episódio é o tipo perfeito de interrupção para um amor novelesco. Queria um Mxyzptlk para fazer o mesmo em Flash e Arrow – aí ele teria que assumir como protagonista, né?

– Alguém crie uma série da família Luthor com esse elenco, por favor?

– Alex saindo do armário para os amigos de trabalho e quase ninguém se importando. Quando esse dia vai chegar aqui no mundo real? Esperando ansiosamente.

Artigo anteriorAliados deixa a impressão de um “Sr e Sra Smith” da Segunda Guerra
Próximo artigoBig Brother Brasil 17×03: Terceira Semana