Richard é um Deus Ex Machina às avessas.
Comumente utilizado e, na maioria das vezes, odiado pelos consumidores de histórias, o Deus Ex Machina, apesar do nome complicado, nada mais é do que um “golpe de sorte que salva tudo no final das contas”. Um elemento inesperado que surge no momento que parece não haver solução ou salvação e muda completamente o rumo da trama. Pois bem, de posse desse conceito, podemos afirmar que Richard é, sem dúvida alguma, uma espécie de Deus Ex Machina às avessas, pois quando parece que nada mais pode dar errado, eis que, inusitadamente, ele apronta alguma que coloca tudo a perder.
Após esgotar todas as tentativas de dissuadir Action Jack sobre a produção do Pied Piper Box e retomar o desenvolvimento da Plataforma Pied Piper pública sem sucesso, Richard se vê encurralado, até que Erlich apresenta um discurso inspirado (e hilário, com a melhor piada do episódio, dizendo que Alex Hamilton era meio-negro como o Dinesh), comparando a startup e a equipe de desenvolvimento com os Estados Unidos e o Reino Unido, na época da independência.
Uma noite de muito trabalho para preparar o motim (criação de uma sub-empresa dentro da Pied Piper), representada divertidamente através de um Fast-Motion (reparem no Jian Yang roubando o pizza do Erlich) e de tomarem todas as precauções para não serem descobertos, Richard leva para a empresa os esquemas detalhados numa pasta com o título “Projeto Secreto” que, evidentemente vai parar nas mãos do CEO. Esse tipo de atitude rocambolesca só pode ser aceita por ser tão recorrente, ou seja, Richard é assim mesmo e temos que aceitar o seu comportamento errático.
Entre as medidas preventivas houve até a implementação da Mochila de Meinertzhagen, que diz que nenhum comportamento deve ser alterado para não chamar a atenção. Evidentemente que isso só veio à tona para que a zoeira com a corrente de Dinesh continuasse (talvez por eu também utilizar uma corrente de ouro, não tenha entendido boa parte destas piadas que permearam o episódio).
E, dando sequência ao sub-documentário “Desvendando o Vale do Silício”, depois de nos apresentar o mercado imobiliário, o tema da semana foi a mão-de-obra escassa no Vale. Exageros à parte, é conhecida a dificuldade de se encontrar bons desenvolvedores no mercado e, quando uma das estrelas da Pied Piper se coloca à disposição no mercado, chovem propostas. Gilfoyle percebe que, quanto mais ele nega as oportunidades, mais valorizado ele se torna e mais abundantes são os presentes que recebe. Só não consegue resistir quando recebe um Pappy van Winkle’s (bourbon de primeiríssima qualidade) em troca da entrevista. Os seus pretensos contratantes são ninguém menos que a End-Frame, que se uniram aos dissidentes da projeto Nucleous da Hooli e precisam somente do Engenheiro de Infraestrutura para rivalizar de igual para igual com a Flautista.
Claro que Gilfoyle recusa a proposta e volta para a Pied Piper, mas a descoberta que a End-Frame possui o algoritmo completo causa um senso de urgência gigante o que impulsiona os Flautistas originais a desenvolver o motim já mencionado.
E, para reafirmar o problema da escassez de mão-de-obra, eles chamam a Carla, a quem já haviam sacaneado na temporada passada para tentar recontratá-la. Além de não dar certo, ainda são extorquidos pela menina.
Encerro reafirmando que aqueles que estão não estão assistindo Silicon Valley, estão perdendo uma das melhores comédias da atualidade.
Até semana que vem.















