Um episódio que acabou seguindo o mesmo caminho de Citizen Lodge em proporções um tanto diferentes. Acredito que essa seja a melhor forma de descrever o capítulo oitenta e nova de Riverdale, mesmo que ele não tenha saído tanto assim da trama principal. Na verdade, The Night Gallery trouxe alguns elementos que eu consigo ver facilmente sendo trabalhados na season finale que a cada semana vai se aproximando mais e mais.
Mas o modo como os roteiristas focaram nos traumas de três personagens em específico, Archie Andrews, Betty Cooper e Jughead Jones, com certeza trouxeram à tona um gostinho do que vimos com o jovem Hiram Lodge. Ainda mais com a produção optando por dividir as tramas em blocos separados ao invés de seguir o ritmo tão comuns em séries da CW. Isso ajudou e muito a tirar o máximo de cada um dos traumas, num episódio que trouxe uma direção mais do que impecável da parte de nossa querida Mädchen Amick.
Que a atriz tinha um talento nato na hora de trazer Alice Cooper a vida, isso nós já sabíamos, mas agora estou mais do que interessado em saber sobre seu trabalho por trás das câmeras. Não sei se foi a familiaridade com o elenco que ajudou Amick a querer arriscar algo novo, ou se simplesmente foi a ousadia do roteiro, mas precisávamos muito de algo assim. Depois ficarmos presos em tantas tramas repetitivas, Amick foi como um sopro de originalidade e eu espero que essa não tenha sido a sua última oportunidade de brilhar na direção.
Em relação a trama em sim, The Night Gallery é exatamente o que o título propõe: uma noite para admirarmos uma série de pinturas da Cheryl Blossom. No entanto, essas pinturas representavam a vida de seus amigos, começando com Archie. O episódio não deixou para trás o que o personagem passou em Reservoir Dogs e eu sou muito grato por isso. Riverdale tem esse histórico de deixar coisas de lado, só para serem retomadas uns cinco ou dez episódios depois. Um bom exemplo disso são os homens-mariposas, que retornaram depois de quase terem sumido da temporada. Eu confesso que achei interessante o modo como os roteiristas escolheram juntar essa trama com a do Archie, mas foi o modo como nossos heróis tenta lidar com o que passou no exército que continua sendo um dos pontos mais fortes nessa segunda parte da temporada.
O retorno de Jughead também foi muito bem-vindo. Embora os fãs com certeza tiveram algo diferente em mente quando Jugh subiu naquele caminhão, o personagem precisava de um desenvolvimento como esse. O passado dele precisava ser explorado de uma forma que víssemos todas as camadas que o ator pode trazer com facilidade. Jugh sempre foi uma perola da série e, embora não tenha gostado de todos os caminhos que os roteiristas encolheram para ele, o desenvolvimento não podia ter sido melhor.
Betty também teve uma jornada interessante, mesmo que as suas conversas com o serial killer tenham sido a parte mais fraca do capítulo. Infelizmente os roteiristas não conseguiram tocar em seus traumas de uma forma tão eficiente quanto fizeram com os outros dois. Talvez se Tabitha estivesse lá as coisas poderiam ter decorrido de uma outra maneira, mas teve algo de interessante no que a atriz mostrou. Eles só precisam de mais tempo e um pouquinho mais de cuidado com ela.















