O capítulo oitenta e três de Riverdale continua a batalha para salvar a cidade. Quanto mais eu continuo a acompanhar essa nova temporada, mas eu penso que o verdadeiro protagonista da série nunca foi Archie, Veronica, Jughead ou Betty, mas sim o lugar em que eventos do passado voltam para atormentar nossos personagens, afinal, a palavra cíclica sempre foi a melhor para definir essa cidade.
Só que essa era a antiga Riverdale. Nosso protagonista mudou totalmente nesses sete anos e com isso o ritmo dos episódios seguiu o mesmo caminho. No passado as investigações de Jughead e Betty pareciam carregar perfeitamente o espírito da série. É claro que eles não eram o único foco da história, mas era o que melhor representava Riverdale e esses quatro anos que acompanhamos no conforto de nossas casas – alguns até com jaquetas dos Serpentes ou mesmo a clássica jaqueta com o R do Archie.
A verdade é que essa antiga Riverdale ainda existe. Eu posso vê-la quando o showrunner Roberto Aguirre-Sacasa se concentra na dor de Betty, que está numa corrida para encontrar sua irmã perdida, ou mesmo quando Jughead vai atrás das pistas que o deixa cada vez mais perto dos Moth Men. Eu posso dizer tranquilamente que essas partes conseguem trazer um calorzinho para meu peito. Mesmo que elas ainda deixem a desejar em muitos aspectos – séries com quase vinte episódios nunca vão deixar de enrolar bastante –, é um sentimento nostálgico que nunca vou desprezar no roteiro.
O problema é que estamos numa nova fase e ela está trazendo toda uma nova atmosfera que parece se encaixar perfeitamente apenas com o que Archie, Tony e Veronica estão fazendo. Eu sei que dizia exatamente o oposto sobre Veronica, mas agora que seu marido está bem longe a personagem está mostrando o que faz de melhor. Roberto está encaixando os três perfeitamente para a nova fase de Riverdade, tanto que alguns fãs que estavam com o pé atrás com os rumores de que Archie iria se juntar aos bombeiros depois do salto temporal vão ter que admitir que essa construção está fazendo bastante sentido com o personagem. Como eu havia dito em outras críticas, Archie tem uma alma bondosa e heroica, mas violenta. Por isso que o exército pareceu tão natural para ele. O retorno do seu antigo colega de profissão e o modo como ele o impediu de cometer um erro fatal por causa de Hiram, só dão mais crédito ainda a decisão dos roteiristas.
O que faz com que tudo que Jughead e Betty estão fazendo agora em Riverdale depois do salto temporal como uma história aparte. É um tanto doloroso resumir os dois personagens que mais marcaram os primeiros anos da série dessa forma, ainda mais porque não tenho vergonha nenhuma em dizer que se não fosse por eles a série não teria chegando tão longe assim, mas a verdade é essa. Eu demorei para aceitar isso, mas eles são o que menos combinam com a nova Riverdale.
Não que muita coisa ainda não possa acontecer. É mais do que óbvio que no final Roberto vai fazer com que todos os arcos se juntem em um, como já vimos em anos anteriores. Não devo ser o único que pensa que esse novo assassino está mais do que ligado aos Moth Men, já que não aposto nem um pouco em elementos sobrenaturais depois da terceira temporada.















