A pergunta que não quer calar é: seria Emily Thorne uma X-Men?
Ainda na ótima primeira temporada de Revenge, conversamos bastante aqui neste espaço a respeito dos poderes paranormais de Emily Thorne e de como ela jamais conseguiria chegar tão longe em relação à sua vingança se não fosse essa paranormalidade. De lá pra cá, os poderes de Ems afloraram em diversos momentos, mas não têm sido mais tão comuns quanto já foram nos tempos de outrora. Infelizmente, Damage chegou para mudar esse fato e investir pesado na capacidade da protagonista de ler mentes e captar os planos alheios.
A situação chegou ao ponto de a moça, diante de um pai que ela tanto amou e tentou honrar por 20 anos, ser a única capaz de desconfiar das mentiras dele apenas olhando para o rosto de David durante seu depoimento. Para completar, Ems ainda se desentendeu com Nolan a respeito da reconexão do nerd com seu “pai emprestado” – uma reconexão que era apenas uma armadilha para destruir o ex-proprietário da NolCorp.
Se, depois de tudo isso, ela não for uma X-Men, a única explicação plausível que encontrei foi: Emily Thorne roubou o poder de Emma Swan (Jennifer Morrison), protagonista de Once Upon a Time, a deliciosa outra metade da dobradinha matadora da grade de domingo da ABC. Para quem não sabe, Emma vem afirmando desde a primeira temporada que é capaz de olhar para uma pessoa e saber identificar uma mentira. Mas, mesmo dizendo isso inúmeras vezes, Emma cai nas ladainhas mais fajutas e sem noção de todos os vilões (e até alguns heróis) da série. Nossa querida Emily, por sua vez, não deixa escapar sequer uma mentira ou plano alheio sem detectá-lo instantaneamente. Ou seja, Ems surrupiou o poder flopado da coleguinha, sim ou com certeza?
Com essa “pista”, Ems conseguiu investigar a vida do pai e chegar ao ponto que vem fazendo todos nós coçarmos a cabeça: David está, como imaginávamos, mentindo em relação a absolutamente tudo o que havia dito à polícia. Não fazia sentido essa história de ter sido aprisionado por Conrad (que não ganharia nada com isso, ou seja, não é algo que faz o estilo do nosso finado vilão), e mal posso esperar para descobrirmos o que está por trás dessa enganação toda. Será que David é mais mal intencionado do que imaginamos (oremos!), ou seria esse mais um mistério de explicação desanimadora que manterá David como um bom homem para que a série caminhe para um clichezento final feliz? Não sei, mas logo os poderes de Emily Thorne nos informarão com toda a facilidade do mundo de qualquer maneira, então não precisamos nos preocupar com essa pergunta por muito tempo.
Sendo bastante justo, eu apontaria a paranormalidade de Emily Thorne como o ÚNICO defeito desse espetacular episódio, que nos deu muitas traições, planos mirabolantes, sambadas (e socos) na cara e uma deliciosa, ainda que previsível, reviravolta. Lendo os comentários da review passada, não posso evitar me desculpar a quem se surpreendeu com o plano de David contra Nolan. Juro que não foi spoiler, apenas uma conclusão mesmo, e espero não ter atrapalhado a experiência de nenhum Revenger por aí.
Mas não sinto que atrapalhei, visto que ver Nolan de volta aos holofotes de Revenge é sempre deliciosamente revigorante (assim como ver a cara de megera triunfante da nossa rainha Vicky). “Suas mentiras finalmente me atingiram” foi a grande frase do episódio, e mereceu todas as palmas possíveis. A recuperação da história de Nolan com o pai que nunca o aceitou ou se orgulhou dele também foi linda, e, quando o nerd compara David a seu terrível genitor, temos outra indicação (ainda que bastante vaga) de que o cara pode mesmo não ser flor que se cheire. Foi de partir o coração ver a fragilidade física e psicológica do nerd, quase como uma criança jogada no chão depois de sofrer uma violência do pai. Sinceramente, se Ems não compreender o seu próprio nível de egoísmo e de falta de escrúpulos depois de ver Nolan sofrendo dessa maneira, então nossa heroína não tem mesmo salvação.
Gabriel Mann, por sinal, foi simplesmente maravilhoso em sua cena na entrevista ao vivo. Eu sempre gostei do trabalho do ator, mas nunca havia ficado tão admirado com sua capacidade de emocionar e causar empatia. Madeleine Stowe também não fica atrás e nos entregou uma linda atuação na cena da despedida de Charlotte. Ver o rosto de Vicky ao ver sua filha deixá-la por culpa dela própria e de Ems foi avassalador. Por um momento, não importava quem era protagonista, quem era vilã, quem tem escrúpulos e quem não tem. Só importava a vulnerabilidade de uma mãe que se via diante da perda da filha, da perda de alguém que ela sempre amou e por quem ela sempre fez absolutamente tudo. Se Emily VanCamp sempre foi notoriamente o grande trunfo dramático de Revenge quando a série precisou, Mann e Stowe mostraram que não ficam atrás e são igualmente capazes de um show e tanto.
Por fim, precisamos, pela última vez em um bom tempo, falar novamente sobre a Charlotte. Chega a ser engraçado ver que a Clarke caçula fez todo um fuzuê desnecessário. Oras, um cara claramente obcecado por David Clarke a havia sequestrado e estava tentando agredi-la, havia provas mais que suficientes para qualquer juiz compreender que houve legítima defesa, e o que a inútil faz? Liga pra irmã pra se livrar de um corpo que nem precisava de despiste. Eita desculpa esfarrapada do roteiro para reconectá-las!
Ainda assim, não podemos reclamar muito. As cenas entre as duas funcionaram muito bem, e Ems, mostrando mais uma vez que é o espelho perfeito de Vicky, divou da mesma maneira como nossa rainha já havia divado: dando uma baita e merecidíssima lição de moral na menina. Os diálogos entre elas foram bastante interessantes a partir do momento em que uma foi perfeitamente capaz de expor os defeitos da outra e colocá-los na mesa implacavelmente. A informação de que Vicky matou Aiden ficou meio jogada, mas foi bom ver que o roteiro não caiu na cilada de fazer com que Charlotte enxergasse o fato de maneira simplória e maniqueísta. Como ela deixou bem claro para a mãe, o problema não é uma ou outra, e sim ficar no meio da guerra das duas, que, como a mocinha bem percebeu, já teve inúmeros efeitos colaterais que poderiam ter sido evitados.
Fiquei muito intrigado com o final da personagem nesse episódio, e, como nunca me importei com Christa B. Allen nesta vida, precisei pesquisar sobre a atriz depois de assisti-lo. Qual não foi a surpresa quando dei de cara com a notícia de que Allen conseguiu um papel recorrente na série Baby Daddy, da ABC Family, e por isso está saindo temporariamente de Revenge? Morro de pena dos fãs dessa tal Baby Daddy, mas é impossível não celebrar a saída da atriz mais canastrona que já passou pelo elenco fixo de Revenge. É claro que Charlotte volta, e meu palpite pessoal é que a carta de Ems contém toda a verdade em relação a como ela passou os últimos 20 anos. Quem sabe Charlotte não volta toda poderosa, recém-formada na renomadíssima (e agora independente de seu fundador) Academia Takeda Para Quem Quer Revenge? Sou capaz de apostar nisso por enquanto. Eu sei, eu sei, estou apostando mais do que deveria em Charlotte, mas considerem-me um homem de fé.
Aliás, já dissemos aqui inúmeras vezes que as maiores vítimas de Emily Thorne foram Daniel e Charlotte, dois inocentes que tiveram suas vidas arruinadas pela moça. Por isso, chega a ser justiça poética a cena em que os irmãos conversam sobre sua relação e sobre tudo o que passaram juntos. Mesmo com dois atores incapazes de compreender e expressar a complexidade dos diálogos escritos para eles, a cena foi muito bem escrita e funcionou perfeitamente bem para dar o gancho: Daniel Grayson agora sabe exatamente quem é Emily Thorne. E, depois de um episódio bombástico e crocante ao extremo, mal posso esperar para ver como ele reagirá a isso.
P.S.: A divertidíssima psicopatia de Louise (com direito até a uma ceninha delirante com uma Vicky humilde e altruísta que sabemos que jamais poderia ser real) me dá tanto pânico que estou morrendo de preocupação até com uma personagem semi-irrelevante como Margô! Margô, corra para as montanhas!!!!
P.P.S.: Demorou, mas Revenge finalmente mostrou que a decisão de colocar Jack na polícia vai realmente servir para facilitar a vida de Ems e descobrir mais rapidamente os podres de David Clarke. Ó céus, ó vida!














