Tudo se encaixa em um jogo perfeito…
O que distingue uma boa série de uma série impecável? Acredito que existam muitos fatores, mas certamente nenhum deles tem tanta força quanto o texto – o embrião de uma produção. “Left Behing” é o sétimo episódio de uma série que mantém o mesmo ritmo frenético e uma trama absolutamente sem furos ou incoerências, apesar de todas as reviravoltas propostas – é a magia de um roteiro de excelência. No episódio anterior tínhamos Francis e Mary separados, neste já estão juntos. No episódio anterior tínhamos Catherine e Mary em guerra declarada, neste já temos uma trégua. E apesar de cada peça deste joguinho se movimentar muito rápido, Laurie McCarthy e Stephanie SenGupta nos provam que para manter a coerência é preciso um enorme planejamento e continuam nos dando uma aula de como mesclar a licença poética e os fatos históricos – deliciosamente inteligente.
Impossível não iniciar falando de dois fatores importantíssimos deste episódio – os conflitos gerados pelo busca ao poder e a força destas mulheres incríveis que viveram no Século XVI. Continuo afirmando que apesar da “fofura” do nosso casalzinho do momento Mary e Francis, todo este “mel” continua apenas sendo um detalhe nesta complexa história regada com muitas conspirações e desavenças – Reign continua sendo um jogo de xadrez, onde a estratégia é a forma mais inteligente para chegar aos mais diversos objetivos. Portanto, tivemos um episódio para nos mostrar o quanto nossas “três” rainhas são poderosas e perigosas.
Começo falando um pouco mais profundamente de Catherine de Médici, este personagem fantástico que atormentou a vida de muitos durante todo o seu longo reinado. Na prática, sua autoridade e poder eram sempre limitados pelos efeitos das guerras civis e suas políticas e artimanhas eram vistas como medidas desesperadas para manter a monarquia Valois no trono a qualquer custo – qualquer custo mesmo. Sem Catherine, é pouco provável que seus filhos tivessem permanecido no poder. Os anos em que reinou foram chamados de “a era de Catherine de Médici” – sendo considerada por muitos como a mulher mais poderosa da Europa no século XVI. Em “Left Behing” podemos perceber como Catherine é realmente uma “Evil Queen” e nunca dá ponto sem nó.
Qual é o principal poder de Catherine? A manipulação. E mesmo formando uma duplinha com Mary para ajudar seu filhinho amado, em nenhum momento ela perdeu as rédeas da situação – seu comando foi absolutamente soberano. A tal história contada sobre ter sido feita como refém quando criança é um fato histórico muito relevante na vida de “Médici” e foi incluído na trama de forma muito peculiar e interessante. Todas as ações de nossa “Evil Queen” nos alertam para acreditar que Mary precisa entender mais claramente o vespeiro em que está metida! Ver Catherine de Médici tentando se livrar de nossa Rainha da Escócia ao doá-la para aquele italiano vingativo ou envenenando com requintes de crueldade todos aqueles guardas foi no mínimo assustador! Só nos faz pensar que não existem limites para sua maldade e egoísmo.
Sim, Mary precisa abrir os olhos, afinal ela tem força suficiente – com toda sua inteligência e egocentrismo – para se impor e impor o seu poder. Novamente podemos perceber as nuances da Rainha da Escócia quando ela decide tomar as providências e procurar por Clarisse – aliás, qual é a real ligação desta criatura com Mary? – Isto ainda vai nos render muitas surpresas. Mas nada tornou a verdadeira personalidade de Mary mais evidente do que matar alguém tão brutalmente como aconteceu. Mary Stuart não demonstra ter medo de arriscar e defende com unhas e dentes seus ideais. Portanto, Catherine também precisa manter os olhos bem abertos.
É interessante pensar que nossas Rainhas são inimigas, mas estão à mercê de um mesmo tipo de perigo – Diane de Poitiers silenciosamente arquiteta seu plano maligno e cruel. Matar Francis para Bash ser reconhecido filho legítimo do Rei? Devemos admitir, é um grande plano. E apesar de sabermos que não obterá sucesso – até porque o próprio Bash não aceita o comportamento da mãe – nossas Rainhas devem abrir os olhos mutualmente ou vão sofrer bastante ainda nas mãos desta sorrateira Diane. E nós, obviamente, estaremos adorando!
E Francis nesta história toda? Pois é, as suas atitudes estão cada vez mais fofinhas e temos que admitir, aquele final tórrido e apaixonado com Mary foi intenso e até mesmo aqueles que não curtem o casal devem ter percebido que Toby e Adelaide evoluem em uma química cada vez mais apurada – e fica a pergunta, eles consumaram o ato antes do casamento? Mas em relação a força política, apesar de sabermos que a palavra do Rei, teoricamente, sempre será a palavra final – tanto faz Francis ou Henri – as mulheres desta corte demonstram saber jogar de forma muito mais estratégica e inteligente. Mas uma vez, o roteiro segue a linha verossímil da história – pois o Século XVI foi dominado completamente pelas mulheres – citando Catherine, Mary e Elisabeth, a incrível Rainha da Inglaterra. Mais um ponto para Laurie McCarthy e Stephanie SenGupta.
Também neste episódio percebemos com mais clareza toda a magnitude dos acontecimentos daquela corte francesa – seus amores, suas paixões, suas frustações, suas guerras, seu sangue derramado e seus mistérios. Sim, muito acontece por lá e cada vez mais o roteiro nos entrega a certeza que nenhuma paixão pode ser mais forte que o conflito de interesses e a busca pelo poder. Tudo se encaixa em um jogo perfeito, onde somente os fortes irão sobreviver. Como afirmou Catherine “A história é escrita por sobreviventes” – e todos estes personagens transformaram a história da Europa do Século XVI e deixaram seus nomes marcados pela eternidade.
O próximo episódio é o mid-season finale, para nossa total tristeza. Reign melhorou um pouco seus números e nossas esperanças também aumentaram. É impossível não se render aos encantos de uma série tão bem escrita e produzida. Aquele mundo do Século XVI conta inúmeras histórias incríveis, um prato cheio para uma série de TV, mas é preciso saber CONTAR. E para nossa total alegria, Reign nos surpreende a todo o momento e nos faz acreditar que não é preciso nenhuma mágica para fazer algo bem feito, apenas trabalhar e acreditar! Vida longa a nossa Rainha da Escócia!
PS. Adelaide Kane e Megan Follows arrasaram no diálogo inicial do episódio!
PS. Por onde anda Nostradamus?
PS. Henrique II foi responsável por diversas guerras pela Europa, inclusive com a Itália – sempre em busca de mais poder para a França. A existência de Conde Vicente de Nápoles é uma licença poética, mas com certeza a história da sua vida foi inspirada em fatos históricos – infelizmente.
PS. A ida do Reizinho Henri para acalmar uma aldeia em polvorosa já é o indício das famosas Guerras Religiosas que causaram uma matança generalizada na França.
PS. Charles, o próximo Rei da França, depois da morte de Francis apareceu de novo travando uma lutinha de garfos com o irmão – coisa bem fofinha.
PS. E falando em garfos, uma curiosidade. Antes da Catherine de Médici se tornar Rainha da França, todos comiam com as mãos – por isto a brincadeira de Francis quando fala com Mary empunhando o garfo. Catherine era uma amante das boas coisas da vida, das boas maneiras, da boa culinária e da boa arte. Uma mulher que além de muito inteligente, era muito culta.
PS. Eu não sei o que vocês pensam, mas o figurino deste episódio estava simplesmente esplêndido, principalmente Adelaide que estava também arrasando em sua interpretação.
PS. Catherine é “bitch” de primeira, mas todos agradecemos o fato dela ter mandado Olívia para os braços de Clarisse… hahahahahahaha…
PS. Greer segue seu romance com o cozinheiro – e agora são perigosos também! Quanta garganta cortada…
PS. Kenna desde que se transformou na segunda amante do nosso Reizinho, virou saco de pancadas. Mas não tenho pena, virou as costas para Mary e quis bancar a espertinha. Ainda vai apanhar muito…
PS. E Lola com seu discurso agressivo? “Quando a Corte não é lotada de homens malvados? E mulheres também?” Pois é, Lolinha está coberta de razão…
PS. E uma última pergunta – será que o tal triângulo vai mesmo se concretizar?















