Pergunta: A Sabrina tem cara de cachorro?

Spoilers Abaixo:

A pergunta é de autoria do colega Guilherme Inojosa, que fez um ótimo trabalho me ajudando semana passada com as reviews. Obrigado!

Uma das coisas mais apaixonantes que vemos em Raising Hope é a maneira como a série é capaz de transformar certa história que aparenta inicialmente ser bastante fútil graças à quantidade de vezes que outras séries já realizaram em algo com uma meiguice impecável que cria no seu público uma aproximação alta com os seus personagens e nos obriga a conviver mais uma semana com essas pessoas, trazendo de brinde certo caráter educativo que a série cumpre com competência. Esse processo é assustadoramente simples e pode ser observado sem dificuldade em “Sabrina’s New Jimmy”, episódio que consegue explorar os lados deficientes de alguns dos seus personagens principais, encapsulando-os em uma história que ganha contornos simpáticos com o passar do tempo e redirecionando-os para que Jimmy e Sabrina carreguem um humor sadio sem dependerem totalmente dos outros membros da família Chance e dos closes no rosto da Hope.

O roteiro de “Sabrina’s New Jimmy” é feliz ao não permitir que os personagens se percam em uma história batida de ciúme, fazendo com que todos ajam de maneira natural (lógico, o natural que a série e a situação permitem), enquanto examina certos lados de Jimmy e Sabrina criando situações divertidas, algo que a série normalmente não produz com total eficácia quando se fala dos dois personagens. O primeiro sempre foi vítima do caráter pueril que a série constantemente empurra pelo que parece ser uma falta de consciência, mas aqui suas atitudes chegam até a ser entendidas e engraçadas, como na perseguição da abelha e o momento em que ele engole as lentes de Sabrina, e que são distantes do detestável que ele apresenta em certos momentos, sendo isso graças ao próprio universo da série, que já nos apresentou personagens agindo de maneira muito mais bizarra e porque todo grande parte do seu comportamento é bastante influenciado por sua família, principalmente Virginia, que faz seu papel de espertalhona de maneira saudável para o episódio, trazendo várias situações como a engraçada cena da troca de mensagens de texto, uma ótima estratégia para que a situação do ciúme não se desloque para locais óbvios. Ainda vemos um ótimo trabalho dos cidadãos que escreveram o episódio ao ver a bela transição que leva ao segundo ataque de ciúme, possibilidade que não era tão esperada e permitiu o tom emotivo do último ato.

Agora que os dois finalmente estão juntos, é interessante ver como a série vem tratando Sabrina, que deixa de ser exclusivamente objeto de cobiça do protagonista e passa a ser mais volátil, permitindo que ela seja vista de um ângulo diferente em episódios como esse, que passa de uma crise de ciúmes para uma conclusão que decide focar na dependência masculina dela, mais uma evidência de que a série trabalha de forma excelente quando decide direcionar contornos emocionais para a trama de qualquer (repito: qualquer) um de seus personagens. Kate Micucci voltando como Shelley é responsável por uma boa quantidade de momentos engraçados que aqui funcionam muito bem, dispostos nos momentos certos como no início de um ou outro ato.

Burt e seu par de peitos que balançam é uma vertente da história de Jimmy e Sabrina que funcionaria de maneira mais eficiente se a obsessão do personagem fosse responsável apenas para colocá-lo um passo mais próximo de um completo idiota, algo que é perfeitamente aceitável para o universo que Raising Hope construiu e que carrega a boa parte dessa história. Entretanto, tudo acaba se tornando algo que não vinga como um retorno à premissa da série onde os personagens se preocupam com o estado da criança diante de certo evento, pois a possível influência que a situação teria na Hope dura apenas um close na face da criança e uma imagem de uma stripper. Uma oportunidade desperdiçada com pessoas gritando aleatoriamente sem motivo.

Como é habitual sempre temos alguns diálogos ágeis e interessantes que a série utiliza para criar momentos engraçados como a piada meta do Burt sobre o tempo gasto nesse “relacionamento estúpido” e a reflexão de como a vida social dos Chance é quase inexistente, o que permite que eles possam ficar conosco por mais um ano de maluquice já que a série foi renovada para a terceira temporada.

Apenas gostaria de deixar claro que ainda gosto da Sabrina mesmo com os óculos bizarros e que comprarei um relógio de pizza amanhã. Até a próxima!

@andre_fellipee

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