
Pai Xangó e Mãe Virginia.
Spoilers Abaixo:
Semana passada, falei brevemente sobre o estado atual de Raising Hope e minha opinião sobre essa ótima segunda temporada como um todo. Ironicamente, depois de uma sequência de episódios bastante sólidos, a série dá uma derrapada com “Tarot Cards”. Uma série que sempre se destacou bastante por seus diálogos sensatos que são capazes de adaptar-se a qualquer tipo de situação cômica acabou-se presa à premissa do episódio, o que fez com que todo o mesmo fosse desenvolvido de forma burocrática.
Um dos grandes pontos positivos dessa série é que ela está em uma posição em que, mesmo não impressionando seu público com suas habituais excelentes piadas, ela nunca chega a se tornar desinteressante, pois as relações entre os personagens são simples e a série nunca chega a ser pretensiosa nos momentos emocionais. Tudo isso é, infelizmente, pouco explorado aqui, fazendo com que as partes dedicadas ao humor tomem muito espaço. Isso poderia ser algo excelente, mas infelizmente, Amy Hubbs, que assina o roteiro desse “Tarot Cards”, estreando no quesito, passa longe de acertar em cheio.
Brincar com as ambições dos personagens para trazer momentos cômicos parecia ser uma estratégia interessante para o episódio, mas acaba falhando porque Raising Hope funciona de maneira mais eficiente quando a família Chance procura a redenção de algum momento passado. Aqui, eles estão ambiciosos, mas os motivos por trás disso não são chamativos para o público. O mais importante que pode ser retirado daqui é que mesmo que esse episódio não se aproxime do engraçado, ele apresenta uma mudança na estrutura habitual da série, que evita sua fórmula. É o tipo de teste que não funcionou por um episódio, mas renderá grandes coisas para o futuro da série, dando mais flexibilidade para futuras situações.
“Tarot Cards” começa dando esperanças altas para o público, com uma excelente cold open exibindo Virginia brigando no trânsito (e fazendo uma ótima piada relacionada a Oprah) e sua chegada até a casa, onde vemos Burt paranoico com os seus impostos, trazendo uma boa leva de piadas quando todos da casa se esforçam para não fazer barulho. Tudo acaba funcionando melhor com o trabalho de direção de Lee Shallat-Chemel, estreante na série, que trabalha de forma eficiente com toda a disposição dos documentos no chão da casa, fazendo com que o público atente para o desespero de Burt na situação.
Toda a questão da burocracia pode ser percebida com o plot de Virginia, pois o episódio demora muito para poder colocá-la como uma cartomante, e todo o caminho que a leva a isso possui poucas piadas (ok, ela destruindo todo o trabalho de Burt foi bem engraçado). Teria como compensar todo o tempo “perdido”? Não, mas vemos um ótimo trabalho da parte técnica com a montagem que mostra ela trabalhando por um dinheiro fácil, trazendo um pouco mais de futilidade para a situação no momento em que ela está enrolando as pessoas, mostrando resquícios dos diálogos inteligentes da série. Essa “futilidade” talvez tenha faltado um pouco nesse episódio, pois praticamente tudo aquilo não lembrou aquela série que normalmente caracterizamos de “leve” e que gostamos de sentar e relaxar.
E em meio a tanta bagunça, tínhamos um plot com Burt que nem se esforça para causar interesse. Não porque o personagem seja ruim, o considero um dos melhores da série, mas quando nem o roteiro dá um final apropriado para a história, percebo que não vale muito a pena comentar sobre o que ocorreu com ele.
Ainda tivemos o retorno do triângulo amoroso que anda mais lento que a tartaruga mais lenta da face da terra. É sempre bom ver a série trabalhar essa relação tão inocente e manter-se um pouco engraçada, mas é incômodo as aparições inconstantes do Wyat. Não porque ele é um personagem excelente, mas porque é um dos pontos vitais de Raising Hope e a própria série demonstra desinteressante quando o exclui da história por décadas. Mesmo assim, toda a história envolvendo a viagem para a África trouxe consigo algumas ótimas piadas sobre o continente. Os roteiristas tem algo contra os países africanos? Fizeram piadas sobre ele no episódio passado e nesse.
A relação montada entre a história de Virginia e a viagem foi bastante perspicaz e trouxe uma resolução de alta qualidade para o episódio. Tudo perde um pouco de efeito pelo fato do relacionamento entre Sabrina e Wyat ser destruído e reconstruído em alguns minutos, mas mesmo assim, todo o processo envolvendo a participação de Mãe Virginia é engraçado ao revelar alguns segredos que não conhecíamos de Sabrina. Além disso, a lição que Virginia aprende é bem formulada mesmo apresentando um excesso de diálogos expositivos que a série normalmente não apresenta no fim dos episódios.
Posso ser o único, mas achei esse o primeiro grande tropeço da temporada. O que vocês acharam? Aproveitem os comentários para discutir!














