Afinal, nesse jogo de novidades, spin-offs e reboots, o retorno foi uma boa decisão para o legado de Prison Break?

Oito anos depois, voltamos a nos despedir dos velhos personagens queridos e carismáticos de Prison Break, mas dessa vez com um final feliz. Uma temporada mais enxuta do que as de anos atrás, mas sustentada pelos mesmos trunfos e defeitos de antes. Boas sequências de ação, planos mirabolantes com a assinatura Scofield, grande envolvimento do público com os personagens antigos, mas também resoluções rocambolescas do roteiro e algumas atuações abaixo da média.

A nostalgia gerada nos fãs foi um dos principais motores desse retorno. Era difícil não sorrir a cada reencontro e aparição de velhos personagens, especialmente quando os víamos agindo em conjunto. A justificativa da não morte de Michael de todo seu trabalho como especialista em fugas de prisões internacionais foi interessante e plausível dentro do universo criado por Prison Break. Acredito que essa era uma porta que os produtores da série deixaram entreaberta desde 2009 e, enfim, puderam abri-la. E nós, fanáticos por essa série que tanto representa a muitos série maníacos, adentramos sem questionar.

Por outro lado, os novos personagens secundários definitivamente não funcionaram… Seja Ja com sua obsessão por Queen (que eu apostei erroneamente que teria alguma relevância para a temporada); Sheba; os Agentes da 21-Void, e mesmo Whip. A dor que Michael e T-Bag sentiram por sua morte não conseguiu ser refletida nos sentimentos do público que certamente preferia ver mais de Sucre, por exemplo.

A série acertou no pequeno Mike que entregou honestamente o que seu personagem tinha a oferecer e na construção do seu antagonista, o Jacob ‘Poseidon’ que foi um bom personagem e um rival à altura de Michael. Mas fica o questionamento… Por que Jacob simplesmente não matou Michael para evitar que ele retornasse à vida de Sara? Será que ele realmente não conseguiria orquestrar a morte do Scofield em uma prisão confusa como Ogygia e preferiu o correr o risco de deixá-lo morrer pelas circunstâncias? Mesmo conhecendo Michael o suficiente para saber que ele é inteligente o suficiente para tentar reverter o jogo ao seu favor?

Reitero nessa crítica a percepção que expus na review do primeiro episódio desse retorno. Essa 5ª temporada foi bastante semelhante as outras, especialmente a 2ª, 3ª e 4ª. Os elementos clássicos da série estavam todos ali com cenas construídas em torno de inúmeros cliffhangers; revelações que mudam os rumos da trama, uma série de pistas, segredos e teorias conspiratórias. Mas se a série se manteve bastante fiel às suas origens, o contexto em que está inserida é completamente diferente da televisão dos anos 2005-2009 e, por isso, Prison Break não consegue ter mais a força que tinha antes. O público que acompanhou a série provavelmente acostumou-se com outros tipos de produções ao longo desses anos e a série não foi capaz de conquistar um novo público. Resultado: a audiência ficou bastante abaixo do esperado e as expectativas por uma continuação são próximas de zero. Mas sinceramente, eu torço para que esse Behind the Eyes tenha sido a despedida final da série e não um ‘até logo’.

Teoria dos Jogos 

Prison Break 5x09: Behind the Eyes [Season Finale]
Prison Break 5×09: Behind the Eyes [Season Finale]
A Teoria dos Jogos, tão comentada na série, trata justamente do estudo das decisões que jogadores tomam quando o resultado de suas ações depende das decisões dos outros jogadores e ambos agem buscando sempre melhorar seu próprio retorno. Estamos falando de uma escolha que não é independente e não te trará um resultado fixo porque é dependente das decisões de outras pessoas também.

Nesse contexto, Michael e Poseidon pesavam cuidadosamente cada um dos seus passos deduzindo qual a decisão mais vantajosa que seu adversário tomaria sabendo que ele também está fazendo o mesmo cálculo. Os dois protagonizaram diversos exemplos dessas decisões interdependentes por parte de jogadores extremamente perspicazes. Um jogo que começou há sete anos quando Michael foi chantageado por seu antagonista… Desde então o Scofield vem planejando suas ações, atentando-se aos detalhes daquilo que Jacob enxerga nele.

Todas suas ações foram pautadas na tentativa de antever o que seu adversário faria. Quando Jacob deixou o desenho de Mike ele sabia que Michael iria imaginar que o menino deixara um código para ele… Jacob sabia que Scofield iria tentar salvar seu filho e esposa em sua casa e assim saiu de cena planejando queimar o local.  Quando Michael, nesse finale, conduz Poseidon justamente a reproduzir o assassinato do agente da CIA no cenário montado por ele, Michael estava prevendo como seu oponente agiria… Assim como quando acompanhamos Michael despistando Jacob encaminhando-o ao zoológico enquanto ele invadia a sala secreta de Poseidon para espalhar o sangue guardado há tantos anos na fortaleza de seu assassino.

Tal como a mensagem criptografada de Michael, tudo se tratou de ‘Não interromper seu inimigo quando ele estiver cometendo um erro’.

Dito isso, esse embate entre os dois esteve entre as melhores coisas que vimos nos dois últimos episódios. Ver Michael formando o rosto de Jacob com as costas das mãos e depois reconstruindo a cena que Jacob editou para torná-lo Kaniel Outis, foram os grandes momentos desse episódio final. E quando o embate mental abre espaço para o embate físico, deu orgulho ver Michael sobressaindo-se sobre seu oponente.

Prison Break 5x09: Behind the Eyes [Season Finale]

Tal como a camuflagem da coruja, Michael chamou atenção para os olhos das suas palmas quando os que importavam estavam nas costas das suas mãos.

Um episódio que começou surpreendendo na resolução do cliffhanger do último episódio. Sabíamos que não seria Michael, Sara ou Mike morrendo e as maiores apostas eram que alguém (Sheba, C-Note, Van Gogh…) teria surgido e assassinado A&W. Mas foi Van Gogh quem foi atingido. Era esperado que em algum momento ele questionaria as ‘verdades’ de seu líder, atitude esperada desde o diálogo final dele e Kellerman. Ali ficou claro que o agente estava sujeito a mudar de lado e ele acabou sendo crucial para o desfecho feliz de Michael, Sara e Mike,

Lincoln não morrer também era o esperado. Mas que recuperação rápida e que disposição para alguém que acabou de levar um tiro e perdeu uma boa quantidade de sangue, não é mesmo? A resolução de seu conflito com o Abruzzi Jr foi extremamente rápida e, acredito, desnecessária. Na tentativa de responder todas as pontas soltas, o episódio perdeu alguns minutos justamente em um dos desfechos que não faria diferença mostrar ou não.

Em relação ao mega plano projetado por Michael, T-Bag realmente seria sua mão para matar Jacob. Scofield nunca teve o ‘gene de matar’, mas eu não reclamaria que ele tivesse desenvolvido após tudo o que viveu. A trama de T-Bag ao longo dessa temporada é a mais questionável. Afinal, como Michael conseguiu a quantia milionária para lhe pagar a mão robótica? Também questiono o fato de Michael ter apostado tantas fichas na generosidade de um pedófilo, estuprador, racista e assassino com uma história de família bastante violenta (ele é filho do incesto de um pai que assediou a própria filha) que poderia simplesmente manter-se indiferente à revelação de um filho. Mesmo a humanização de T-Bag frente à Whip soa um tanto quanto forçada.

Prison Break 5x09: Behind the Eyes [Season Finale]

Um clássico exemplo da Teoria dos Jogos é o dilema dos prisioneiros que Michael e Poseidon ilustraram muito bem nesse series finale. Michael possui os servidores de Poseidon enquanto este tem Mike aprisionado, a cooperação entre eles seria o melhor um bom resultado para ambos. Poseidon recuperaria seus dados e Michael, Mike. No entanto, sem saber se o adversário vai, de fato, cooperar, os dois planejam traições para garantirem sozinhos o maior trunfo. Jacob denuncia Kaniel Outis a CIA e Michael arma para incriminar Poseidon pelo crime que ele realmente cometeu.

A liberdade de Michael dependia de sua inteligência para forjar evidências que comprovassem a verdade: Jacob era o assassino de Harlan Gaines. Um plano apoteótico, mas sujeito a inúmeras imprevisibilidades e que se funcionasse tal como ele desejava, soaria bastante (ou mais) inverossímil. Diante disso, fiquei satisfeita ao ver que no final ambos foram desmascarados de suas mentiras, e cartas inesperadas foram jogadas e úteis, tal como o depoimento de Andrew.

O desfecho final do embate Michael x Jacob, com a prisão deste e a liberdade de, Scofield culminou em uma excelente cena final para a série. Um encerramento com os heróis sentados no gramado – livres – seria agradável, mas ver a série retornar a Fox River com a trilha sonora típica do presídio, colocando T-Bag na mesma cela de Jacob foi realmente sensacional! Excelente pedida de Michael a CIA, selando sua vitória nesse jogo com chave de ouro.

Prison Break 5x09: Behind the Eyes [Season Finale]
Prison Break 5×09: Behind the Eyes [Season Finale]
Mesmo a construção do roteiro de uma série pode se encaixar na Teoria dos Jogos (forçando um pouco a barra, é verdade)… O sucesso das decisões na condução da série depende do público comprar aquela história, surpreender-se (ou não) e ser (ou não) atraído por outras alternativas multimídias mais interessantes… A decisão de retornar com Prison Break sustentou-se na expectativa do público ainda comprar a forma como a série é construída. Grande parte dos antigos fãs embarcou nessa jornada, mas isso não foi o suficiente para a FOX ter o melhor resultado que esperava. Alguns tantos abandonaram o barco ao longo do caminho e uma nova audiência não foi conquistada de forma sólida.

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Essa 5ª temporada não ‘manchou’ a história de Prison Break, mas tampouco acrescentou positivamente. Eu diria que foi indiferente. Rever os personagens e um pouco da ‘magia’ da série foi nostálgico e satisfatório para os fãs, tivemos bons momentos, mas isso não é o suficiente para sustentá-la por muito temp. Antevendo o comportamento de seu público, a FOX acerta quando faz de Behind the Eyes o series finale definitivo de Prison Break.

Prison Break 5x09: Behind the Eyes [Season Finale]
Prison Break 5×09: Behind the Eyes [Season Finale]
O final que esperávamos há oito anos?

– Como não sentir falta de Sucre nesse episódio final?

– Sara e Michael tiveram pouquíssimos momentos juntos e ainda assim pareceram bastante insossos como um casal.

– Quer entender mais sobre a Teoria dos Jogos e ler alguns exemplos bastante ilustrativos? Eu aprendi muito nesse link aqui.

– Obrigada a todos que acompanharam as reviews aqui no site! 🙂

REVISÃO GERAL
Nota:
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