Uma iZombie high tech.
No novo procedural da ABC Family, acompanhamos Kristen (Emma Ishta) – gênia da computação, hacker e desprovida de emoções – introduzida numa agência secreta governamental que invade memórias de (recém) cadáveres para solucionar crimes. De primeira, é jogado a nós, singelos espectadores, que a personagem possui “displasia temporal” (what means: a coitada não consegue perceber passagem de tempo, e isso atinge todos aspectos possíveis de sua vida. Se espera uma protagonista nerd, fofa e bonita tentando se encaixar no meio acadêmico/profissional/fraternal, esta série não é pra você. Vá ver The Big Bang Theory e seja feliz. Pela “incapacidade” de sentir, Kristen parece mais um robô, metralhando palavras, e de carisma nulo, o que leva muitos a acreditarem na má atuação da atriz. Longe disto, as atuações não são ruins e os atores entregam o exigido, faltando apenas suas chances de brilhar, visto que miram num episódio dinâmico e instigante, e acertam em um piloto corrido e avulso.
A narrativa remete a iZombie, no quesito “vamos solucionar crimes a partir de lembranças de mortos”, diferenciadas apenas pela forma que as protagonistas têm acesso a esses registros mentais: Kristen se conecta deitada em uma câmara por meio de todo um aparato tecnológico, enquanto na série teen da CW, Olivia (Rose McIver) é uma zumbi-consultora psíquica que come os cérebros do necrotério onde trabalha para (além de satisfazer sua fome) ajudar a polícia a solucionar crimes.
Só porque Kristen parece gélida de primeira não significa que ficará assim por toda a temporada. Quando ela começa a experiência, descobre suas próprias emoções através dos últimos momentos de vida dos outros. Abandonada pelo pai quando criança, não é de se esperar menos. Não é qualquer um que cresce e vira uma pessoa feliz e sorridente após este trauma. Ao longo da temporada ela terá um despertar emocional. Pelo menos é o que se espera, ou o desenvolvimento da personagem se perde e a atenção na série também. Kyle Harris interpreta Cameron, o neurocientista que é responsável pelo projeto. Nos conformes, há um cheiro de romance no ar chegando entre eles.
Neste primeiro episódio, Kristen permeia entre recordações de um homem em busca da localização de duas bombas que podem explodir a qualquer momento. Devido ao ritmo acelerado, diálogos também corridos, episódio a 200 km/h, (peraí, deixa eu respirar) ficou muita informação para ser entregue em míseros 42 minutos. Não há surpresas no caso, e ela acaba salvando o dia. A fórmula de Stitchers acaba sendo do estranho que é levado para um novo meio e descobre que sempre esteve envolvido com aquilo. Vai ter drama familiar sim, e se reclamar tem novelão ‘à la Revenge’.
O que já era de se esperar se tratando de ABC são os efeitos especiais que causam vergonha alheia na população mundial, chegando a ser cômicos em alguns momentos, como quando ela presencia a explosão da primeira bomba ainda nas memórias do defunto. Mesmo sendo um canal de TV por assinatura, o orçamento é baixo e investimento passou longe dando tchauzinho.
P.S.: O sobrenome da mulher era PICA. Desculpa, mas eu ri em vários momentos por isso e esperei ansiosamente por uma piada dos legenders. Jane Pica.
P.S.2: Se você é do tipo de pessoa que sofre com a autoestima, Kristen é alguém que você nunca vai querer por perto.
P.S.3: Menção ao fandom de Doctor Who anotada!
P.S.4: O trailer da série entregou algo que o piloto não conseguiu dar conta.
P.S.5: Para fãs do gênero, fiquem de olho em Minority Report com estreia na próxima Fall pela FOX e muito em comum com Stitchers.
Muito bem, chega de “P.S.” e que venha o segundo episódio.














