Um bom piloto tem que ter o ritmo que Blindspot nos apresentou: ação, uma certa dose de mistério e uma perspectiva para os episódios que virão. A NBC não perdeu tempo e conseguiu em pouco mais de 40 minutos reunir isso tudo.

Nos anos 80, ainda sob a atmosfera da guerra fria, as séries americanas retratavam a animosidade entre EUA e a antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Espionagens e discursos ameaçadores entre os líderes de cada país davam a tônica de muitos seriados que viam na quebra de braço das duas potências uma forma de explorar bons roteiros.

Já nos anos 90 embora os estadunidenses tenham se mantido em um dos lados da trincheira, o combate se acirrou contra terroristas iraquianos, libaneses e iranianos. Desfeito o poderio (aparente) da antiga URSS, Sadam Hussein passou a ser visto como a besta do Oriente Médio e responsável por muitos dos embates entre os lados do hemisfério, especialmente quando o assunto era petróleo. Por isso, imigrantes que trouxessem no passaporte qualquer tipo de referência ao mundo árabe, sofriam as desconfianças de FBI e CIA no combate às mazelas deixadas pelo 11 de setembro. A TV não ignorou (e nem poderia) a relevância do assunto.

Hoje a China é a nação a ser temida, juntamente com Coréia do Norte e alguns outros países que detem o poderio atômico em dia, além de desconfianças tangentes contra a política governamental dos EUA. Por isso não é de se estranhar que cada vez mais sejam os chineses protagonistas de vinganças/planos contra o território americano. Inconsolados com as decisões arbitrárias da terra do Obama, aparecem oferecendo uma briga “de igual para igual”, assustando o planeta com sua evolução, mesmo com algum subjugo justamente para a nação mais poderosa do mundo no que diz respeito à mão de obra e o trabalho escravo.

Por conta disso Chao (um engenheiro chinês que vive nos Estados Unidos) está indignado com a ausência de diplomacia do governo americano que acabou prejudicando sua família. O asiático resolveu então explodir um dos maiores símbolos de poder e demagogia da América: a Estátua da Liberdade. Tudo irá acontecer em pouquíssimo tempo se o policial do FBI, Kurt Weller (Sullivan Stapleton), não impedir seus planos de vingança. Desbaratar esta tentativa só foi possível graças a uma desconhecida aliada com rosto mas sem passado.

E quem é esta moça?

Encontrada por um policial dentro de um saco no meio do Time Square no centro de Nova Iorque, a sem nome está cheia de tatuagens que escondem vários significados e até artimanhas como a que Chao planejou. Intrigando o FBI, liderado pela experiente Bethany Mayfair (Marianne Jean-Baptiste) e auxiliada pelo agente especial Kurt Weller, a moçoila de olhos azuis passa a ser um mistério. Sem identificação para seu DNA (como assim?) e aparentemente sem nenhum registro criminal, Jane Doe (feminino de John Doe, como são chamados os indigentes nos Estados Unidos) tenta, acompanhando o caso, descobrir pistas que digam o porquê da sua amnésia e obviamente quem ela é.

Algumas observações que considero pertinente na atração.

As tatuagens são personagens importantes da história. Elementos primordiais que ajudam na construção narrativa do episódio piloto de Blindspot. Foram elas que deduraram a possível formação da moça (forças armadas), ligaram sua vida ao policial, já que o nome dele está devidamente prensado abaixo da nuca de Jane, destrinchou a pista que levaria até Chao e servirá, certamente, como um acervo para sua memória, uma vez que já sabemos que ela está nesta condição por opção – conforme deixam claras as últimas cenas – e as tattoos, como prontamente apontou Weller, são uma espécie de “mapa do tesouro”.

Não estou bem certo se Jane realmente não conhece o policial ou vice-versa. E o que me faz pensar isso foi o diálogo final entre ambos. A personagem interpretada pela linda atriz Jaimie Alexander pergunta ao agente porque ele confiou nos talentos – ainda não revelados – dela. A resposta foi a certeza de que ela saberia o que fazer. Um dos dois para mim está mentindo e eu apostaria que Weller sabe algo mais sobre Jane.

Quanto à figura estranha que ajudou Jane na prática do tiro parece ser uma espécie de mentor e treinador da sua força e talento. A cena em que ele aparece no quarto do hospital com Chao foi típica de atrações que já estão na grade televisva do planeta, forçando a gente acreditar que ele ficará a espreita de Jane na dupla missão de guardá-la e protegê-la. Não curto este perfil e normalmente ele passa a ter muito mais importância nas viradas de temporada, garantia que ainda não temos.

Ainda falando sobre o elenco secundário, os policiais Zapata (Audrey Esparza), Edgar Reed (Rob Brown), a perita Patterson (Ashley Johnson) e o dr. Borden (Ukweli Roach) além da fazerem bem seu papel de “escada”, não compremetem nas atuações e garantem um núcleo interessante para os episódios que virão. Que o diga a cover de Annalise Keating (How To Get Away With a Murder), Bethany Mayfair, que tem um processo na justiça que inclui assassinato, processo este que aparece numa das tatuagens no corpo de Jane.

A atração da NBC deve seguir aquela receitinha de bolo: um procedural com um caso por episódio, como bem já conhecemos e como fundo da história, a busca da indentificação do personagem de (Jaimie) Alexander. A torcida é que mesmo se utilizando de um modus operandi bastante conhecido as histórias mantenham esta ritmo alucinado do piloto, para não deixar a audiência com a sensação de “que já viu isto antes”.

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