Um dente quebrado, um pai de família, um bebê de 30 anos e um peido soltado: Pawnee, sua linda!
Alguns episódios atrás, Parks lançou para o público algo que não se imaginaria possível até então: a possibilidade de amizade entre Ben e Jerry/Larry. Com a saída de Ann Perkins, todos ficaram imaginando qual seria a nova pedra angular de Leslie, sem a sua melhor amiga por perto. Depois de passar boa parte da temporada distante de sua principal trama da temporada, o filho de Ron Swanson nasceu e o baluarte da seriedade está tendo de lidar com a vida de pai de família. E, após passar semanas deslocado nos plots da série, Andy encontrou seu lugar ao sol no universo de Pawnee novamente: sendo um indivíduo aleatório, cheio de infantilidades, com um coração enorme e pareável com quaisquer personagens do elenco principal. Galentine’s Day foi um episódio especial nessa sexta temporada de Parks por ter conseguido conjugar todos esses aspectos ao mesmo tempo, sem deixar de exibir seu humor característico, sendo capaz de trazer momentos emocionais nessa salada homérica de aleatoriedades nonsense e trazer de volta uma figura eterna da série.
Colocando em stand by certas tramas continuadas em New Slogan, esse 6×17 teve como objetivo central trabalhar a dinâmica entre os personagens e alcançou um resultado de alto nível. Ben e Jerry/Larry foram a dupla que salvou Anniversaries do fracasso total, então, quando ficou claro que eles iriam dividir a tela novamente, eu criei altas expectativas e, para minha completa felicidade, todas elas foram correspondidas. Ben não é um personagem maleável socialmente e consegue ser um poço de vergonha alheia em diversos momentos, então seu casamento com Larry é efetivo exatamente por este representar uma versão piorada, em todos os sentidos, do marido de Knope. Diante disso, a dor que Ben sente em ver Jerry engolindo as injustiças, o descaso e a humilhação parte de sua própria experiência de vida e no fato de não ter tido pessoas que o defendessem quando sofria bullying. Assim, a cena final em que Ben fica em pé em uma cadeira defendendo Larry é engraçada e tocante por ser um desabafo de seu próprio passado e o “Larry é meu amigo” desesperado do Sr. Knope coroa a situação constrangedora, cela a amizade e fortalece a piada seguinte de Jerry/Larry tropeçando e peidando na frente de todos.
Chris Pratt também teve sua oportunidade de brilhar e seu pareamento com Ron Swanson foi perfeito por ter casado a personalidade infantilizada e dependente de Andy com o novo momento pai de família do outro. Dessa forma, a forma que Dwyer destrói o momento forever alone in silence de Ron é emblemática por forçar o recém-papai a enfrentar o fato de que de agora em diante a vida de pai terá seus desafios, mas ele não tem como escapar daquilo, porque ele tem indivíduos que dependem dele para seguirem em frente. Mas Andy não estava lá para ter crescimento pessoal, então eu ri como uma criança com ele tendo dúvidas existenciais como “Há um cara atrás do caixa eletrônico que te dá o dinheiro que você saca?”, usando a regra dos cinco segundos em sua tentativa de colocar o dente quebrado de volta no lugar (COMASSIM, MEU JAH?!) e, claro, ele identificando 3 diferenças em dois jogos (completamente) diferentes dos 7 erros (COMASSIM, MEU JAH?! [2]).
E, por último, tivemos Deeva Knope sendo mito criando uma competição para quem seria a substitua de Ann Perkins como sua melhor amiga, mas, claro, sem avisar às competidoras que ela estava fazendo uma bagaça louca dessa. O melhor do brunch com a mulherada foi Donna sendo Deeva-mor-do-universo e categorizando suas séries favoritas (para live-tweeting, para maratonar e para moda) e April-Deeva-mor-do-universo-2.0 dizendo que sua série favorita é assistir acidentes de trânsito da Rússia no Youtube enquanto ouve músicas infantis no tom errado. O objetivo de Leslie é descoberto e Donna e April se sentem chateadas e nossa protagonista somente percebeu a loucura que tinha feito quando Ann, muito sensata, disse pra Knope que cada pessoa tem suas próprias e únicas forças e qualidades para uma relação, então não há como comparar duas pessoas diferentes, porque nossas Deevas-mito não são acalentadoras e amáveis como Ann, no entanto, de suas próprias formas, elas dão valor a amizade com Leslie. Exemplo disso é o coelhinho de pelúcia que elas dão para Knope, que traz a voz de Ann, no entanto, logo em seguida, traz April psicopata esculhambando Perkins e se fingindo de assassina <33.
E é isso pessoal: entramos em um novo ótimo momento de Parks. A saída de Chris e Ann não diminuiu a série, na verdade, trouxe novas possibilidades empolgantes para o elenco e o universo de Pawnee.
P.S.: Mas que participação deliciosa a de Rashida Jones nesse episódio, hein? Muito amor.
P.S.: O mural de Leslie com tópicos a serem discutidos com Ann na próxima ligação que foi interrompido pelo fogo-de-nhanhar de Knope e Ben <3















