Gotcha!

Spoilers Abaixo:

Como eu já havia previsto na semana anterior, Parks and Recreation precisaria se desvincular de uma vez por todas das tramas que ecoavam a terceira temporada para que a quarta ganhasse uma identidade própria, e se esse é o primeiro passo para essa nova identidade, então estamos vendo o começo de algo muito grande. “Born and Raised” é mais um daqueles episódios frenéticos que usam quase todos os personagens para criarem subtramas girando em torno da principal estrela do show: Leslie Knope.

Após lançar seu livro, praticamente uma carta de amor a Pawnee e seus habitantes, Leslie tem de sobreviver à puxada de tapete da já conhecida Joan Callamezzo (sim, é a secretária que encanta o Buster em “Arrested Development”) que dessa vez traz uma bomba: Leslie Knope não é de Pawnee. E se apenas o segmento do programa de Joan já foi maravilhoso (com as dançarinas e o seu adesivo do clube de leitura), as conseqüências da sua especulação foram ainda melhores – e ainda foi uma deixa para separar os personagens delineadamente, do jeito que a série gosta. Estava armado mais um episódio épico para a série.

Primeiramente tivemos mais uma vez Tom e Ben juntos em uma subtrama, dessa vez em um jogo de sedução com Joan Callamezzo, em que o carisma dela sucumbiu toda a graça dos dois, embora Adam Scott estivesse especialmente bem. A decoração do seu quarto e seu momento de embriaguez arrancou boas risadas. Também tivemos a trincheira formada por Ann, Ron e April tentando descobrir por meio do livro de Leslie algum furo que pudesse comprometê-la, mas claro que o livro não tem furo nenhum já que estamos falando de Leslie Knope, sendo essa mais uma tarefa inútil dada aos dois. Por outro lado foi legal Ann tentando conquistar a graça dos dois (justo os dois Ann?) e ser ignorada seguidamente, até contar uma das famosas histórias nojentas de hospital.

E então no segmento principal, depois de uma coletiva desastrosa, Leslie, Andy e Chris vão para Eagleton esclarecerem se a funcionária é mesmo nativa da cidade. Já que até esse ponto 100% dos fãs já sabiam que ela é mesmo de Eagleton e os roteiristas não perderiam a oportunidade de jogar um plot futuro tão bom no lixo, o que ficou foram os pequenos momentos dos personagens, como Leslie se contorcendo para se dizer Eaglotoniana, Chris não tendo charme suficiente para agradar a secretária da cidade vizinha e, mais uma vez, Chris, agora como o detetive do FBI Bert Macklin (e não importa quão bobo e fácil seja, os tombos do Chris são e serão sempre engraçados).

A semelhança dessa trama com o incidente envolvendo a naturalidade do presidente americano Barack Obama foi evidente e a questão das mudanças de colégios eleitorais e o afeto pela cidade é um bom ponto para discussão, e exatamente por isso a série apostou no humor mais cheesy e com um fim bem modesto e singelo dando espaço para mais um discurso apaixonado de Leslie (já imaginaram um episódio com essa temática nas primeiras temporadas de 30 Rock?), o que não diminuiu em nada o poder de “Born and Raised”, especialmente se percebermos que de uma forma ou outra, Leslie recebeu o GOTCHA! No seu livro. Maldita imprensa marrom!

Outras observações:

– O cold open desse episódio foi simplesmente o melhor de toda a série e um dos melhores que eu vi na vida. Leslie no programa de rádio patrocinado pela Sweetums Cares (nossa, se lembram da Sweetums?), uma ONG que põe chapéus de guarda-chuva em sem-tetos quando chove, no programa “Thoughts for your thoughts”…

– Radialista: “I’m Derry Murbles filling in for David Parker, who took off for eight months to study the migration patterns of our nation’s squirrels. We have not seen him since.”

– Leslie: “So we had people contribute, we added pictures, and we removed a lot of my poems and emotional ramblings and pictures of unicorns, and here it is!”

– Leslie: “One could say that. But should one?”

– Radialista: “Please enjoy a song from the lesbian Afro-Norwegian Funk duo, Nefertiti’s Fjord.” Leslie: “Oh, wow. They are terrible.” Radialista: “Oh, yes. They’re quite awful. But they are lesbians, so…”

– Sim, essa parte é extremamente quotável.

– Ron: “When people get too chummy with me, I like to call them by the wrong name to let them know I don’t really care about them.” April: “That’s a genius move”. Ron: “Thank you.” April: “You’re welcome… Lester.” GOTCHA!

– Leslie: “I wonder who else was born in Eagleton. Voldemort, probably.”

Tom: “Ben, Leslie hired my company to get her that sticker. You’re the one that told me businesses need “clients” to get “money.” Ben: “I was the first one to tell you that?”

– Jerry provavelmente está até agora levantando informações sobre Leslie. Boa sorte, Jerry!

4×04: Pawnee Rangers

É muito bom notar que Parks and Recreation já encontrou novos rumos para a quarta temporada e voltou a ter um ritmo linear na qualidade dos episódios. “Pawnee Rangers” pode não ser uma maravilha como foi o episódio da semana passada, mas foi mais engraçado que o máximo de várias comédias por aí.

A trama principal do episódio foi mais uma vez a disputa eterna entre Leslie e Ron. Leslie Knope e Ron Swanson são personagens poderosos e que rendem muito quando estão juntos, mas me pergunto até quando será interessante investir nessa competição. Dessa vez eles estiveram de lados opostos na organização de um acampamento, de um lado Ron pregando o instinto à sobrevivência e do outro Leslie dando ênfase à diversão (e ao fato isolado de ter criado um acampamento só para meninas, já que “ela não tem um Tony, mas tem um EGO”). As situações criadas foram bem aproveitadas (como a troca de acampamentos e o isolamento de Ron no final), e como toda trama entre Leslie e Ron (na verdade, todas as tramas de Leslie), o fim foi tocante. No interior foi uma trama comum e que a série já usou diversas vezes, mas garantiu mais risadas novamente.

E pelo jeito a quarta temporada de Parks and Recreation vai ser mesmo marcada pelo número grande de tramas e personagens envolvidos. Se a trama principal não mostrou cansaço o resultado também se deve ao pequeno espaço de tempo que teve para que o episódio também pudesse focar em mais duas situações. Na primeira, Tom e Donna saem para o aguardado TREAT YOURSELF, o que nada mais é do que outro dia para não se fazer nada além de cuidar de si mesmos, e dessa vez decidem levar Ben junto para dar uma animada no rapaz. Pelos momentos em que esteve na tela essa foi a melhor fase do episódio, apenas Donna e Tom felizes já seria o bastante, mas a adição de Ben deu um toque mais humano sem perder a graça (ele na cena final vestido de Batman foi ótima).

Também tivemos tempo para Chris em mais uma trama avulsa, dessa vez envolvendo a filha de Jerry. Sinceramente não consigo entender o que aconteceu, mas o personagem já não cativa mais e nenhuma história com ele dá certo. Uma pena porque logo no início da terceira temporada Chris começou muito bem e despontava até como uma oposição nas premiações à posição de protagonista da série. Enfim, com a filha do Jerry pode surgir uma trama recorrente interessante por aí, mas não vejo muito futuro.

Outras observações:

– “I want the candies”.

Ron: “We have one activity planned: not getting killed.”

– A única coisa que me incomodou no episódio foi os gastos da Leslie nessa brincadeira toda, mas isso já é assunto para outra review, abraços.

Artigo anteriorUp All Night – 1×04/05: New Car/Mr. Bob’s Toddler Kaleidoscope
Próximo artigoHow To Make It In America – 2×03: Money, Power, Private School