O SM Awards 2015 anuncia seus vencedores!

Se já foi difícil selecionar os seis indicados em cada categoria, escolher os melhores na temporada 2014-2015 é algo bem mais complexo. Injustiças são inevitáveis e muitas vezes seria melhor até premiar todos os nomes de uma categoria, como em “Atriz Drama”, em que houve, literalmente, um choque de gigantes da dramaturgia. E, ainda, como diria Frank Underwood, democracy is so overrated.

Num ano em que muitas séries se destacaram por apresentarem uma qualidade não vista anteriormente, os colaboradores do Série Maníacos se reuniram para chegar a uma lista portadora dos nomes que mais abrilhantaram a televisão nos últimos 12 meses. Depois de outro processo interno de votação, na qual tapes foram feitas com o objetivo de destacar as performances dos atores e atrizes mais consagrados, os vencedores das 21 categorias foram definidos.

Com The Good Wife, Veep e Parks and Recreation se destacando, foram anunciados, em Brasília, os ganhadores das estatuetas do Série Maníacos Awards 2015, premiação que já se encontra em sua terceira edição.

E vamos à lista!

Melhor Série Drama – The Good Wife

Gabriel Lanzaro

Uma pergunta despretensiosa e uma prisão inesperada. Foram estes dois elementos que delinearam a incrível sexta temporada de The Good Wife, com a campanha de Alicia Florrick rumo ao escritório mais cobiçado da advocacia de Chicago. Com inúmeros plot twists, destacando o memorável Winning Ugly, Julianna Margulies, Archie Panjabi, Alan Cumming e Christine Baranski, além do fantástico elenco recorrente, construíram a melhor temporada de TGW. No possível último ano da série, só basta esperar que Alicia Florrick continue alcançando os patamares mais elevados, com uma qualidade ainda mais impressionante.

Melhor Elenco Drama – Orange is the New Black

Sr. Hericles

Todos sabíamos que Uzo Aduba era brilhante, mas agora tivemos a confirmação de que ela não é a única que nasceu para ser grande nesse elenco magnífico. Com algumas caras novas e algumas velhas ainda extremamente intrigantes, o elenco de Orange is the New Black é forte o bastante para a ter transformado numa série onde todos têm o peso de um protagonista.

Melhor Ator Drama – Kevin Spacey, House of Cards

Gabriel Lanzaro

De uma nomeação ignorada ao homem mais poderoso do mundo. Das conversas nada amigáveis com Petrov ao memorável go fuck yourself para Dunbar. Frank Underwood atropela qualquer um que estiver no seu caminho. O já consagrado Kevin Spacey interpretou com maestria um político extremamente ambicioso e cruel, demonstrando suas peculiaridades de forma ainda mais significativa nesta terceira temporada. Nada mais justificável que o melhor ator de 2015 seja justamente ele.

Melhor Atriz Drama – Viola Davis, How to Get Away with Murder

Sandi Vasiliausha

Para interpretar uma personagem complexa, a qual pode ser considerada uma personificação dos princípios maquiavélicos, não haveria escolha melhor que Viola Davis. A atriz, consagrada no cinema por Histórias Cruzadas, concede a Annalise Keating o equilíbrio perfeito entre firmeza e audácia em público e uma inesperada vulnerabilidade desconcertante nos momentos mais íntimos.

Melhor Ator Coadjuvante Drama – Peter Dinklage, Game of Thrones

Henrique Haddefinir

A dramaturgia sempre encontra um jeito de nos contar que a riqueza ou a aristocracia tem suas mazelas fundamentadas na pressão do legado. Peter Dinklage pegou a energia de Tyrion Lannister logo de cara e se transformou num dos maiores coringas de Game Of Thrones. Cenas dele, momentos dele, evoluções dele eram sempre uma garantia certa de envolvimento do público: uma espécie de terceiro olhar panorâmico. Peter parece compreender muito bem que o olhar de Tyrion é um olhar de quem assiste os acontecimentos de dentro deles, muito claro na sequência em que ele contempla o vôo de Khaleesi com o dragão. Aquele era o olhar maravilhado de um homem que prova o sonho e só por isso o lugar dele nessa lista é garantido e apoiado.

Melhor Atriz Coadjuvante Drama – Lena Headey, Game of Thrones

Filipe Degani

A astúcia de Cersei Lannister nos jogos de poder em King’s Landing (juntamente com sua indefectível sobrancelha levantada) sempre foi um dos pontos altos de GoT. Entretanto, quando a “Mãe da Loucura” se vê sozinha e longe de seus protetores é quando Lena Headey de fato transcende a divisão entre as atuações boas e espetaculares. Cersei parte, despojada de todo seu orgulho, rumo a uma expiação de seus pecados, encontrando aqui nesta humilde premiação sua recompensa e redenção. Lena Headey, o SMA 2015 é seu!

Melhor Ator Convidado Drama – Dylan Baker, The Good Wife

Gabriel Lanzaro

O cliente favorito (ou não) de Alicia Florrick. O assassino de esposas. Aquele que faz as piores piadas possíveis nos quesitos ironia e constrangimento. O único cliente que seguiria a advogada em sua nova firma. Dylan Baker foi capaz de trazer um Colin Sweeney ainda mais incrível nesta temporada ao interpretar não apenas o réu mais carismático da televisão, mas três versões dele, cada uma delas com suas facetas sempre memoráveis.

Melhor Atriz Convidada Drama – Carrie Preston, The Good Wife

Gabriel Lanzaro

Uma advogada divertida, ligeiramente perdida e afobada, inteligente, portadora das observações mais apropriadas, mas, acima de tudo, brilhante. Seria impossível que a advogada de confiança de praticamente todo o elenco de The Good Wife, a caricata Elsbeth Tascione, fosse dessa forma sem a interpretação perfeita de Carrie Preston. Ganhadora do SMA pelo segundo ano consecutivo, consagrando seu talento, só falta Elsbeth ganhar uma série própria, o já cogitado spin-off de TGW.

Melhor Série Estreante – Empire

Bruno Nunes Arruda

Empire é aquele tipo de série que se tornou um exato reflexo de seu enredo, equiparando-se à grandeza de toda a fictícia indústria fonográfica comandada por Lucious Lyon. E se a série fez seu próprio império, merecendo o posto de melhor série estreante da temporada, isso se deu, principalmente, pela verossimilhança de seus acontecimentos e, ao mesmo tempo, pela dinamicidade em que eles se deram. Não havia recomeços, mas uma constante continuidade de ocorrências que se interligavam e tonavam tudo, obrigatoriamente, verossímil. A trilha sonora impecável e sempre conectada aos acontecimentos da série mereceria um prêmio à parte. Pena que não tem (ainda) essa categoria no SMA.

Melhor Série Adaptada – Orange is the New Black

Sr. Hericles

No nosso terceiro tour pela Penitenciária Litchfield, descobrimos as possibilidades e maravilhas que existem por trás de Orange is the New Black quando a sua protagonista é deixada de lado. Conhecemos um pouco mais de personagens que nunca tínhamos imaginado que iríamos aprender a amar, como Doggett e Gonzales. Uma temporada reflexiva e emocionante.

Melhor Comédia – Parks and Recreation

Cléverton Bezerra

2015 veio para destruir a estabilidade emocional, encher o peito de saudade e esbanjar belas lembranças e lindos sentimentos com uma temporada final arrebatadora de Parks and Recreation. Com um elenco histérico, personagens esquizofrênicos, a mítica Pawnee, a coragem e o talento de sua equipe, a série se tornou um verdadeiro marco da TV.

Melhor Elenco Comédia – Parks and Recreation

Paulo Olmedo

Parks and Recriation foi uma série que sempre se apoiou no talento de seus atores e no carisma de seus personagens. Em sua última (e curta) incursão, a série não decepcionou e entregou uma grande homenagem aos fãs em forma de temporada. Graças ao talento de Amy Poehler, Nick Offerman, Adam Scott, Chris Pratt, Aubrey Plaza, Aziz Ansari, Retta e Jim O’Heir pudemos nos despedir da série com um sorriso no rosto. Adicione a eles um elenco de apoio fantástico e participações especialíssimas de grandes atores como Jon Hamm, Paul Rudd e Bill Murray e temos não só uma temporada de despedida perfeita, como o melhor elenco de comédia do último ano.

Melhor Ator Comédia – Jeffrey Tambor, Transparent

Aaron Engel G. Peixoto

À época não se sabia, mas a interpretação de Tambor em Transparent foi o início de uma revolução na indústria de entretenimento americana: Caitlyn Jenner se abrindo para o mundo, Laverne Cox na capa de revistas e agora o provável competidor ao Oscar, The Danish Girl. O que tenho certeza é de que com respeito, dedicação e talento o ator criou uma das personagens mais doces e memoráveis da televisão no ano passado. Talvez a prova mais cabal desse sucesso é a resposta da comunidade LGBT para a personagem de Maura: em nenhum momento houve as comuns (e justificadas) reclamações de que uma atriz transgênero deveria interpretar uma personagem transgênero em Transparent. Tambor conquistou a todos.

Melhor Atriz Comédia – Julia Louis-Dreyfuls, Veep

Henrique Haddefinir

Numa série sobre a Vice-Presidente, que outra forma melhor de lidar com o jocoso que não fosse trabalhando a pejoratividade velada do cargo? O mundo de Selina Meyer não era dos mais glamourosos. Metade do tempo ela passava planejando atos políticos vagos e a outra metade tentando ser levada a sério pelo Presidente que nunca a recebia: o constrangimento de estar ao lado de um homem tão poderoso e ao mesmo tempo não ter poder nenhum deixou sequelas graves na personalidade dessa bizarra mulher. Sendo assim, nenhuma outra atriz poderia interpretá-la melhor que Julia Louis-Dreifus. Julia ganhou a chance de exercer uma nova faceta de Selina: a de candidata presidenciável; e ganhou toda uma nova gama de possibilidades para aperfeiçoar as caras e discursos constrangedores de Selina. A parceria com Hugh Laurie também foi um acerto e Veep completou mais uma temporada infalível. Julia pode parecer sempre uma escolha óbvia, mas ainda assim é a escolha mais justa.

Melhor Ator Coadjuvante Comédia – Tony Hale, Veep

Filipe Degani

Pouquíssimas duplas de comediantes apresenta na atualidade uma sinergia tão apurada quanto Julia e Tony. Selina e Gary são simbióticos e extraem alto grau de comicidade tanto da ingenuidade infantil do carrega-pasta da presidenta quanto do tamanho da dependência dela em relação a ele. Se ano passado a famigerada “cena-do-banheiro” entrou para os anais do humor político de Washington, na atual temporada, o ponto alto de Tony é quando – diante de uma CPI no Congresso – Gary necessita afirmar a plenos pulmões sua insignificância e incapacidade. Tony Hale, a estatueta é sua!

Melhor Atriz Coadjuvante Comédia – Anna Clumsky, Veep

Filipe Degani

Em seu quarto ano, finalmente a personagem de Anna Chlumsky deslanchou, alcançando seu potencial máximo na trama. Se, por um lado, Amy sempre foi aquela que melhor conseguia equilibrar todos os caprichos e loucuras da então VP, foi exatamente quando ela explodiu e chutou o balde que sua personalidade neurótica saiu de um habitat que a limitava para alcançar níveis ainda mais altos de insanidade. Anna Chlumsky, venha buscar seu SMA 2015!

Melhor Ator Convidado Comédia – Hugh Laurie, Veep

Filipe Degani

A adição de Tom James à trama de Veep representou a nemesis mais desafiadora que Selina Meyer encontrou em sua trajetória de fracassos políticos. O dedo podre de Selina a levou a escolher – justo quando chegara sua hora de mostrar a luz própria – um companheiro de chapa carismático e competente (duas características que lhe faltam). Não apenas a personagem, mas Hugh Laurie de fato conseguiu brilhar em um elenco já tão prodigioso. Por isso, faz jus ao SMA 2015!

Melhor Atriz Convidada Comédia – Christine Baranski, The Big Bang Theory

Gustavo Nagipe

Quando Dra. Hofstadter resolve dar as caras é sempre um deleite e, em The Maternal Combustion, não poderia ter sido diferente, afinal o embate de Baranski com Metcalf foi um dos momentos mais épicos do show, fechando com chave de ouro o melhor plot da temporada, sobre o prêmio que Sheldon e Leonard receberam.

Melhor Reality Show – Masterchef Brasil

Guto Cristino

Saem as roupas de banho, entram os dólmãs. Saem as bundas, entram as mãos hábeis e o raciocínio rápido para a culinária. Sai a apelação e fingimento para conquistar votos do público, entra a avaliação objetiva por competência, talento e resultados apresentados. Esse é o novo fenômeno da TV no Brasil, o reality que mobiliza todos os tuiteiros brasileiros até a uma da manhã e certamente torna a quarta-feira um pouco menos produtiva, mas isso apenas comprova sua excelência. Com um trio de jurados extremamente carismático e uma seleção de elenco impecável que nos deu Fernando, Cristiano, Iranete, Raul e, claro, a chinesa mais amada do Brasil, não há dúvidas de que a Band conseguiu uma façanha: transformar o BBB em coisa do passado, sem pra isso abrir mão de uma bela mão da edição para contar boas histórias e estabelecer trajetórias interessantes. Reality brasileiro agora é #MasterChefBR.

Melhor Personalidade de Reality Show – Paola Carosella, Masterchef Brasil

Sandi Vasiliausha

Representar a única figura feminina no trio de jurados mais popular do Brasil por si só já seria uma posição de destaque. No entanto, Paola Carosella não tem o papel sentimental que se podia esperar. A argentina traz sua experiência, suas técnicas precisas e seu amor pela cozinha em seus julgamentos, os quais tendem a serem os mais imparciais do Masterchef Brasil.

 

Melhor Animação – BoJack Horseman

Sr. Hericles

O segundo ano de BoJack Horseman chegou para recompensar os que se apaixonaram pela animação em 2014 com aventuras mirabolantes inéditas e um humor ainda mais canalha. Mas o nosso cavalo preferido não voltou apenas engraçado: a série está mais sensível do que nunca. Na verdade, é uma injustiça que essa maravilha não tenha concorrido a Melhor Drama.

P.S.: Um agradecimento especial ao Zuil, que fez as imagens desta premiação, bem como a todos aos amigos do Série Maníacos que colaboram com este processo, seja votando, seja escrevendo estes curtos textos, seja sugerindo novos caminhos para a premiação.

Artigo anteriorNarcos 1×08: La Gran Mentira
Próximo artigoReg | Tim Roth vai estrelara nova série da BBC