Depois de um início lento no qual tivemos mais recapitulação do que ação e um roteiro em busca de apresentar individualmente cada um desses personagens distintos, é o momento de acelerar o ritmo do enredo com Mean Right Hook. Estávamos ansiosos em ver os quatro protagonistas urbanos e a interação entre eles afinal, a Netflix tem nas mãos personagens intensos que podem se complementar, mas o ritmo da história precisa de velocidade já que estamos falando de quatro heróis urbanos vendidos ao público como os Avengers do mundo série maníaco.
O primeiro defensor Matt Murdock parece confuso, mas disposto a não esconder o rosto, sendo uma maneira sensata de integrá-lo ao grupo que tenta desmistificar a visão fantasiosa de super-herói. A cor que representa cada defensor está presente após o novo incidente em conjunto com o questionamento interno do homem sem medo, assim ele quer reencontrar o seu propósito e a visão da vítima representa bem a transição que o personagem atravessa.
É claro que o novo incidente não se tratou de um terremoto comum e o desafio que a temporada possui de sair do óbvio ao tratar o sobrenatural com a seriedade imposta ao universo é cada vez mais difícil. Com naturalidade a série coloca detetive Knight a frente da investigação do sumiço do arquiteto terrorista, fazendo o seu caminho cruzar com o de Jessica Jones. As personagens fogem da fragilidade e hipersexualidade feminina e espero que as atrizes continuem a entregar com maestria a intensidade de suas personagens.
O plot mais frágil continua sendo do personagem que não funcionou em sua série solo, Punho de Ferro. Imagino Danny Rand meditando ao som de Major Lazer antes de descobrir que o epicentro do terremoto foi em Hell’s Kitchen, sem contar que a química entre Danny e Coleen se aproxima muito da friendzone. O roteiro se esforça em vender a culpa que Rand carrega e o peso que coloca sobre os ombros, mas agora será a hora de Rand tirar essa cara de choro e compartilhar com mais alguém.
Madame Gao continua descaracterizada sendo a leva e traz da Ripley, enquanto a vilã ouve a sua sessão privada de música clássica com uma calma que transmite incômodo. Ainda sabemos pouco a respeito de Alexandra, porém a determinação da personagem a coloca como uma líder influente não apenas do Tentáculo, mas com raízes profundas no passado.
O melhor ponto dé Mean Right Hook foi o encontro dos pares, a começar pelo excelente embate dos heróis de aluguel das HQs. A cena de luta entre Luke e Punho de Ferro me fez até esquecer dos sonolentos diálogos que o personagem Danny Rand teve no episódio, é quando vejo uma montagem dinâmica e bem-feita como essa que minhas expectativas crescem em relação ao universo criado pela Netflix.

Da mesma maneira, o suicídio do arquiteto fica em segundo plano quando Black Sky Elektra entra no apartamento de Jessiquinha. Encaminhamento perfeito para que a heroína receba na delegacia, a visita de um advogado interessado em fazer uma boa ação. Sim, a ex de Luke, encontrou a ex de Murdock, momentos antes dele se tornar seu advogado de defesa.
Através do detalhamento de cada plot e sem buracos na história, o telespectador consegue ver tudo se entrelaçando para o quarteto se unir no meio da temporada. A série está conseguindo trabalhar vários coadjuvantes e dar sentido a condução do herói a quem estão conectados, mas chegou o momento de engatar a 4 marcha e dar mais fluidez a série.
Easter eggs e outras informações:
– Trouble In Pair A’ Dice o bar da rua 188 indicado por Claire é uma das manchetes presentes do New York Bulletin que aparecem no episódio Kinbaku da segunda temporada de Demolidor.
– Durante um segmento de seu programa de rádio, Trish diz que aquele evento não era um ataque terrorista ou um “incidente”. Incidente é a maneira que o universo Marvel na Netflix encontrou para fazer menção aos eventos de Vingadores, quando o exército alienígena Chitauri invadiu o planeta.
– Mean Right Hook marcou o primeiro encontro entre Luke Cage e Danny Rand, ou Power Man e Iron Fist. Nos quadrinhos eles chegaram a se tornar parceiros, fundando a agência de Heróis de Aluguel.
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– Também foi a primeira vez que Matt e Jessica se encontraram, uma cena que é praticamente idêntica a de Alias #3, revista solo de Jessica Jones nos quadrinhos. Vale mencionar que na nona arte Jessica já trabalhou como guarda-costas de Matt Murdock.
– Uma das empresas que Jessica encontra nos arquivos públicos é chamada Yoshioka e controlada por Nobu Yoshioka, o mesmo ninja que Matt enfrentou durante a primeira e segunda temporada de Demolidor.
PS – Se você perdeu a crítica do primeiro episódio, é só clicar aqui.















