É chegada a hora de se despedir de Orphan Black e do #CloneClub.

Uma obra do acaso possibilitou Sarah encontrar uma pessoa idêntica a ela, Beth Childs, e isso a envolveu em uma trama perigosa, mas maravilhosa de se assistir e acompanhar, que culminou nesse ponto. Ao acabar de assistir o episódio, a primeira coisa que senti foi um imenso vazio. Eu estava “órfão” de um dos meus seriados favoritos e embora já sentisse falta, estava feliz. Eu estava muito receoso com essa finale. Quem assiste séries, sabe que nem sempre o final é algo bom, alguns até pensam que o investimento não valeu a pena e cada um de vocês sabem citar pelo menos uma série, de cabeça, quando pensam em uma série que era muito boa, mas o final foi muito ruim. Eu consigo pensar em algumas. Mas com Orphan Black esse não foi o caso. Tivemos um final grandioso e não me refiro a um grande plot twist ou grande acontecimento, mas sim um episódio focado em celebrar o que tornou Orphan Black tão amado: as sestras. Não era mais o momento para grandes duelos contra vilões ou perseguições desenfreadas, tanto que Coady e Westmoreland foram derrotados logo no primeiro ato, na marca dos quinze minutos de episódio, com direito a boas cenas de luta, suspense, apreensão e mortes satisfatórias, principalmente a morte de Coady pelas mãos de Helena (onde pudemos ouvir pela última vez a música da assassina – ai, como vou sentir falta -) e assim focamos no que importava: como iria ser a vida das clones depois de tudo isso.

Orphan Black passou a adotar o recurso do flashback como um paralelo para o presente e nesse episódio não foi diferente. Acompanhamos Sarah, juntamente com Mrs. S (e foi muito bom ver Siobhan mais uma vez, mesmo sendo por esse recurso) indo a uma clínica, onde Sarah pensava em abortar e todos nós sabemos que no final das contas ela decide não fazê-lo. Siobhan sempre esteve presente na vida de Sarah e percebemos como ela ensinou Sarah bem. As duas tiveram desavenças e nem sempre estavam em bons termos, mas elas se amavam. No presente, Helena está prestes a dar luz. A cena do nascimento foi muito emocionante. Com o paralelo de Sarah com Mrs S., mostrando mais algo que sua mãe lhe ensinou e usando isso para ajudar Helena. Foi de partir o coração, a cena foi belamente construída e me passou uma sensação quase eufórica, que quase me levou às lágrimas, Siobhan presente ali, em memória e em espírito.

Com todo o drama envolvendo a Dyad, Neolution sendo deixado para trás, temos um pequeno aperitivo de como as irmãs seguiram suas vidas, todas exceto Sarah, a deusa da guerra, que agora sem inimigos, se via perdida tendo que encarar a realidade. Ela percebendo que não era uma boa mãe foi comovente. Até então, ela tinha Siobhan como uma guia, uma mentora, que a ajudava a cuidar de Kira, mas agora ela se via sozinha. Não é necessariamente verdade, pois ela tem uma família, que ela mesma construiu e lutou para salvar, mas finalmente ela sentia o peso de não ter Siobhan ao seu lado. Ela decidiu voltar a estudar e completar o ensino médio, mas desiste no último segundo, com o peso da morte de S. ainda pesando em seus ombros. Espero que no futuro ela conclua essa etapa de sua vida.

Orphan Black 5x10: To Right the Wrongs of Many [Series Finale]
Orphan Black 5×10: To Right the Wrongs of Many [Series Finale]
Helena passou a viver na garagem dos Hendrix, com seus filhos Laranja e Roxo, também conhecidos como Arthur e Donnie e foi lindo ver a cena que ela imaginou lá na terceira temporada, com toda sua família reunida em um almoço ao ar livre, se realizar. Adorei os produtores terem lembrado disso. Alison e Donnie se mantiveram juntos e seus filhos estão de volta, vejam só. Ela seguindo sua nova persona mais relaxada (nem tanto) e ele pôs em uso todo aquele trabalho com pisos de concreto e conseguiu um emprego como gerente, ajudando clientes a ter o piso dos sonhos. Pode continuar parecendo careta e piegas, mas é a vida que Alison sempre quis. Com o passar dos episódios, passei a parar de desejar o pior para a “clone má”. Rachel já havia sofrido o bastante e comparada a suas irmãs, ela foi a quem mais perdeu nessa guerra. Ela perdeu sua segurança, família, poder, mas conquistou algo que ela mais almejava: sua liberdade. Entendo que não seria apropriado a ela se juntar às irmãs, pois ela fez muito mal a elas e mesmo se redimindo e ajudando no final, até mesmo com a lista de todas as clones Ledas (que são 274), ainda a um certo desconforto e rancor. Cosima também teve seu merecidíssmo final feliz. Gostei como ela e Delphine se tornaram o casal mais forte da série (claro que temos Alison e Donnie, mas eles estavam seguros, mas as duas se tornaram aquele casal para quem torcíamos, tínhamos medo de algo dar errado) e ver que no final, as duas permaneceram juntas viajando o mundo para vacinar todas as irmãs foi muito satisfatório.

A cena com nossas quatros sestras reunidas do lado de fora da casa é algo digno de comentários. Foi emocionante e não deixo de me surpreender, nem no último segundo com o trabalho de atuação de Tatiana Maslany. Interpretar quatro personagens interagindo em um mesmo ambiente é algo a se levantar da cadeira e bater palmas. Essa cena me lembrou aquela outra, onde as quatro começam a dançar na sala. Foi igualmente surreal e fantástico. E para coroar, quando Helena começou a ler suas memórias e disse que chamaria de “Orphan Black”, eu quase surtei. Foi inesperado e perfeito ao mesmo tempo. Me peguei sorrindo de orelha a orelha com a explicação do nome e pensando em como é legal termos Helena como “autora” desse seriado que amamos tanto. Agora só podemos desejar que Alison continue feliz junto com Donnie, que Helena continue distribuindo amor para seus bebês, Cosima consiga completar sua missão de salvar todas as Ledas e Sarah consiga encontrar a felicidade, mesmo em pequenas coisas como um dia na praia com sua família.

PS: Onde eu assino para produzirem um spin-off das aventuras de Cosima e Delphine viajando pelo mundo vacinado as irmãs e procurando qualquer vestígio da “ciência maluca”? Primeira temporada já é garantida no Brasil! Por sinal, foi bom ver o Brasil lembrado pela série, mesmo que por uma menção.

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PS2: Aceito também uma versão ao estilo “A Grande Família”, como os Hendrix, Helena e os miracle babies vivendo sobre o mesmo teto enquanto Alison toca seu teclado e Donnie faz str… não, é melhor não.

REVISÃO GERAL
Nota:
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orphan-black-5x10-ight-twrongs-manyOrphan Black foi de fato uma incrível jornada. Começou com um mistério. Quem era aquela pessoa idêntica a Sarah? Sua irmã gêmea? Uma doppelganger? Isso nos intrigou e fomos imersos em um universo fantástico, repleto de ciência maluca, clones, paranoias e conspirações corporativas. Mas a série evoluiu e se tornou bem mais que isso. Passou a ser uma série sobre essas incríveis mulheres, sobre autonomia e escolhas para seu corpo, sobre direitos, limites da ciência, liberdade e como mulheres têm sim o poder de mudar o mundo e serem personagens fortes. Agora despeço-me aqui de vocês. Espero que tenham gostado de ler, tanto quanto eu gostei de escrever.