Recuar para seguir em frente.
O fim da terceira temporada só nos deixou certos de uma coisa: Neolution está de volta. Na verdade, ela sempre esteve por perto mesmo que sorrateiramente. Com o foco se desvencilhando para revelar mais sobre a origem das Clones – tratando-se de um experimento chamado Projeto LEDA – e a descoberta do Projeto CASTOR desde a segunda temporada, os integrantes do clube Neolution ficaram às sombras. Isso tudo apenas para reafirmar a infiltração destes em ambos os projetos.
“History Yet to Be Written” encerrou de uma maneira quase a afirmar que a volta da organização científica seria a causa do conflito nesta quarta temporada. Muito foi deixado em aberto em relação ao grupo e, assim, poderemos entender melhor o quê e quem os clones estão enfrentando. Depois da decepção que foi o Projeto CASTOR, ter o Neolutionism novamente na trama pode reacender a vida da série.
O que não era esperado da première de Orphan Black era um flashback. Ainda mais em torno da Beth Childs. E foi uma surpresa maravilhosa! Acredito que todos que assistem a série sempre tiveram uma vontade de conhecer melhor a versão policial das clones. Ainda mais por que tudo o que vimos foi apenas uma observação e interpretação da Sarah Manning. Agora vemos a Beth integralmente antes de cometer suicídio.
E porquê fazer do primeiro episódio desta temporada um flashback? É de se imaginar que como a série nunca havia voltado cronologicamente sua narrativa antes, só deveria ser muito importante contar essa história e logo no início de seu quarto ano. Identifica-se logo a relevância de alguns pontos para o presente. O primeiro deles é mais que óbvio: a introdução de Mika.
É um deleite ver que os roteiristas conseguem ser criativos na hora de criar mais uma clone. Depois de Tony, pensei que a barra estava sendo forçada e que a equipe já não tinha mais ideia do que fazer. Krystal foi um alívio instantâneo na terceira temporada, pois apesar de ser um arquétipo batido, havia um risco em se aproximar muito da personalidade da Alison. Mas era aí que estava o brilho da situação: as pequenas diferenças. Um prato cheio para Tatiana Maslany mostrar as sutilezas de personagens que poderiam ser parecidas, mas não são.
E é por isso que Mika se mostra mais uma boa oportunidade para a trama. Uma personalidade que pode se aproximar do tipo intelectual e reservado que tem representação firmada em Cosima. E logo nessa première, vemos a delicadeza da construção feita pra Mika. O que chama ainda mais atenção é que agora temos uma personagem mais contida e enigmática. Se não fosse o suficiente, ela ainda aparenta ter bem mais informações sobre Neolution e vai ser uma vantagem para as meninas do Projeto LEDA. Além disso, alguém que coloca uma máscara de Ovelha (numa clara referência ao primeiro mamífero a ser clonado) deve ter uma personalidade bem intrigante.
Com alguns integrantes da equipe do clube Neolution mortos, mais do que natural que nos apresentassem novos rostos também, além de criarem um pouco de nostalgia com Dr. Leekie, Olivier e Astrid mostrando as caras. Até porque o inimigo precisa ter algum rosto além do da Susan Duncan. Desse modo, Evie Cho e Detetive Duko entraram na trama. A ligação do detetive com a história é mais clara até o momento, visto que estava diretamente conectado à morte do Edward Capra, que a Beth estava investigando. Evie, por outro lado, também está ligada, mas aparentemente mais afastada – como se ocupasse um papel mais administrativo (como fazia o Leekie).
A introdução de Duko pode indicar também uma participação maior de Art na trama nos próximos episódios, por motivos óbvios. A questão é: o antigo interesse da Beth Childs vai descobrir o envolvimento do outro detetive sozinho?
“A única razão para eu estar viva é porque eles acham que eu estou morta” – Mika
Em dois momentos de “The Collapse of Nature” uma teoria ganhou força. E ainda intensificaria o motivo deste episódio voltar para o “início” de toda a história. Pode ser loucura, mas há uma leve possibilidade de que Beth ainda esteja viva. Sim, vimos a Beth se jogar na frente do trem. Mas quem garante que era de fato ela ali? Ter uma morte encenada era a chance de escapar de tudo aquilo, como bem exemplifica a vida de Mika.
Para completar, é meio difícil compreender o estado emocional da Beth que se atirou em direção a morte. Mesmo porque ela já estava convencida de que Paul era um espião bem antes, podendo talvez negar que “a mentira” no casamento tenha sido o motivo. Além disso, a Beth pareceu compreender como o falecimento beneficiou sua “irmã”. A cereja do bolo chega na cena final das duas, em que Mika sugere “pensar” pela Beth. Isso poderia ser uma indicação de que ela recomendou o falso suicídio. Em se tratando de Orphan Black, não dá pra duvidar.
É estranho vermos tão pouco de Sarah, Alison e Cosima (e, principalmente, nada de Helena) em um episódio. Mas conhecer a Beth de verdade foi esclarecedor e se a teoria acima se confirmar, veio a calhar. Só a chegada da Mika seria uma baita revelação sem mesmo o flashback, por se tratar de um clone com informação além do que as três protagonistas possuem. Entretanto, ver que Mika sabia da existência delas e provavelmente acompanhava suas trajetórias muda toda a dinâmica. E se a hacker (?) está interferindo dessa vez, é porque sabe o quanto Kendall Malone é uma peça chave no confronto com a Neolution.
Retornando ao presente, pouco progrediu. Apenas a informação de que o esconderijo de Sarah não é mais seguro, que já dará combustível para o segundo episódio. Continuamos sem saber como está Rachel e como ela está lidando com sua mãe e sem saber quem matou Delphine. Todas estas são perguntas deixadas na finale da terceira temporada. Agora, munidos de mais informações graças ao flashback, estaremos (talvez) preparados para iniciar de fato a quarta temporada e preparados para algumas dessas respostas.
“The Collapse of Nature” foi um episódio incrível mesmo sem andar diretamente com a trama. Retomando até o ritmo mais lento que outrora havia na série, mas também com a mesma dose certa de pistas e revelações. Uma lembrança e retomada ótima do que ainda considero a melhor temporada de Orphan Black, não concordam? Que isso seja um bom presságio para o restante desse quarto ano. O que acham?















