Red: Com ela ou contra ela.

Spoilers Abaixo:

O segundo episódio de OITNB entregou muito mais do que seu piloto prometeu. A partir disso, começamos a conhecer um pouquinho mais de seus personagens coadjuvantes, que darão todo o suporte a Piper na construção de sua jornada dentro do presídio.

Partindo dessa premissa, temos a chance de conhecer um pouco mais sobre Red, a ruiva que manda e desmanda na cozinha da cadeia. Dessa forma, a série nos apresenta a uma linguagem bastante interessante e menos explorada do que deveria ser. A adição da linha temporal que conta a história da russa antes de ela ser presa proporciona toda uma nova dinâmica à série e nos permite entender um pouco mais de todo o processo, descentralizando a atenção que parecia ser totalmente dedicada à Piper.

Outro ponto que será de bastante importância no decorrer da série é a relação da protagonista com suas companheiras de cela. Pelo tom que foi definido nesse episódio, a maior fonte de aprendizado de Chapman (aquele aprendizado que Piper Kerman explicou ter sido de suma importância ao escrever o memoir que deu origem à série) será os diferentes tipos de relações com as detentas, que são diferentes e têm formas diferentes de lidar com a prisão e com a vida. Por isso, entender essas diferentes nuances psicológicas será um desafio que estou ansioso para continuar assistindo.

A começar pela Red, que marcou seu território de forma muito inteligente e política e deixou claro seu papel de liderança entre o grupo de mulheres com quem Piper desenvolverá uma relação no decorrer do cumprimento de sua pena.  A ruiva, que ficou deveras ofendida com o comentário de Chapman sobre a comida da cadeia no episódio passado, decidiu que será mais útil utilizar a punição (que pareceu ser padronizada para quem ofendesse a “Cozinha Maravilhosa de Red”) para ensinar a Chapman uma lição. Parte desse comportamento é explicada em seu flashback, que mostra uma mulher submissa ao marido e rejeitada pelas amigas. Uma pessoa que passou grande parte de sua vida sendo diminuída e se encontra em uma posição de destaque e liderança pode se tornar alguém extremamente arrogante e desagradável. Mas também pode se transformar em uma grande mente, que procura evitar que aconteça com os outros o mesmo que aconteceu consigo. Red, na minha opinião, é esse segundo tipo de pessoa. Por isso, entendeu que Piper tinha potencial para conquistar respeito dentro da confusa hierarquia da prisão. A partir desse raciocínio, o episódio faz mais sentido.

Ainda falando em aprendizado e desenvolvimento de relações, vemos Piper correndo atrás do direito de comer dentro da cadeia, pois todo o acesso à comida foi bloqueado por Red. Nesse momento da série, minha previsão foi de que Piper iria se impor de forma a criar uma inimizade com a ruiva. A boa notícia é que eu estava errado. Ao invés de procurar alguma espécie clichê de se vingar e praticamente obrigar Red a alimentá-la, a protagonista decidiu se mostrar útil e agregar valor à sua presença no presídio. Nesse trajeto, ela teve a chance de conhecer Crazy Eyes, que lhe forneceu matéria prima para que ela pudesse desenvolver seu plano de voltar a ser alimentada. Aliás, achei sensacional a cena em que Piper está chorando de tanto mastigar pimenta para fazer a tal pomadinha. Enfim, Crazy Eyes é uma personagem coringa que poderá dar pano pra manga nessa série. Ainda é cedo para prever, mas ela pode se tornar uma grande aliada (como foi nesse episódio) ou uma grande inimiga (que provavelmente acontecerá quando for rejeitada por Piper). Por mais batida que seja essa proposta, pode vir a funcionar de modo que vai contribuir para o crescimento da protagonista, o que é mais que essencial no desenrolar das temporadas que estão por vir.

Por falar em rejeição, alguém precisa dar um semancol para Alex. Ela reservou cadeirinha na “reunião de boas vindas” sem sucesso. Guardou um bolinho pra Piper sem sucesso (e ainda vai ficar sem comida por conta dessa atitude porque, né, você não mexe com a Red). Será que é tão difícil para ela perceber que sua ex não quer papo? Eu fiquei com muita preguiça dessa personagem. Ela não tem acrescentado em nada na história até agora e só aparece pra ficar querendo agradar a noiva do Jason Biggs. Espero que esse problema seja resolvido logo.

Eu ia finalizar o texto agora, mas lembrei que preciso comentar um pequeno arco que está sendo desenvolvido em paralelo à história de Piper. Dayanara, que permanecia inútil pra mim até agora, começou a desenvolver um romance super bonitinho com John Bennet, um dos policiais do presídio. É engraçado como essa série, que se passa em um presídio, é capaz de nos contar suas histórias com tanta elegância. Todo o plot do chiclete e dos privilégios foi uma forma muito criativa de iniciar esse romance. Foi inteligente, sutil e fofo. Por isso, tenderá a levar um tempo até termos qualquer outro tipo de aproximação física entre os dois. E é por isso que eu acredito que esse romance promete.

Agora sim, vamos encerrar. Em um apanhado geral, gostei muito do rumo que a série tomou nesse segundo episódio. Conseguimos entender um pouco mais de como a história será contada para nós, e tivemos a chance de ficarmos mais próximos de uma das personagens coadjuvantes da série, que, em minha opinião, vai dar muito pano pra manga. Estou gostando muito de OITNB e espero por episódios ainda melhores.

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