Os fatores externos que influenciam a gravação de uma novela foram o mote do capítulo 5 de Nada Será Como Antes, quando vimos que a gravidez de Verônica iria influenciar no desenvolvimento de Anna Karenina. Saulo preferiu finalizar a novela do que dar um outro rumo a personagem de sua ex-esposa e vê-la gestante na TV. O poder está com o produtor, não é memso? Faltou, a meu ver, uma abordagem mais profunda sobre os eventos inusitados que redirecionam a produção de uma novela. Naquela época, não havia muitas novelas. Ou seja, quando se terminava uma obra, não havia o projeto das próximas novelas daquele horário para os próximos 2 anos, como hoje. Logo, terminar às pressas Anna Karenina implicou em fazer outra produção muito rápido ou não?

Como solução para essa situação complexa de maternidade, Aristides aconselha Verônica a deixar o seu filho em uma “instituição educacional”, pois uma mãe solteira não cairia bem aos olhos da população. Trabalhar na TV, então, é se expor a ponto de que a vida do artista é governada sobre as possíveis opiniões dos telespectadores sobre as suas ações pessoais. A família, que a recusou por conta da carreira de atriz, não aceitaria um neto sem pai. Era um caminho, na vida profissional e pessoal, quase sem saída.

Já a relação de Beatriz e Otaviano não é bem vista pelo seu pai, como já dito aqui anteriormente, uma vez que a moça é atriz e essa profissão não é compreendida ainda pela população. Porém, os jogos políticos utilizaram Beatriz como objeto a ser vendido, nesse caso, através de sua história. Nesse contexto, Júlia reaparece como uma personagem que precisa conquistar mais autonomia emocional de Beatriz e Otaviano. A atração por Beatriz parece ser tóxica numa proporção semelhante a proximidade que Júlia tem de seu irmão.

Por fim, o plot de Rodolfo pouco empolgou, pois trouxe uma situação bastante corriqueira atualmente e que poderia ter siso trabalhada por um caminho menos fácil e mais criativo: o ator frustrado, namorado do ator gay não assumido, vinga-se do parceiro dando um furo de reportagem sobre a sua homossexualidade. O jornalista como abutre e a TV como espaço de entrada em que o ingresso é o sexo são pontos já bastante trabalhados da maneira que a minissérie apresentou. Por isso, achei essa subtrama muito monótona.

Nesse episódio, tivemos um desenvolvimento maior da trama de Verônica e a sua relação com a maternidade e a sua família. A atitude de não colocar o filho num orfanato e criá-lo pondo a sua carreira em risco mostrou como ela realmente desejava ser mãe.

No capítulo 6, Verônica já está lidando com as consequências de assumir o papel de mãe solteira: falta de dinheiro. Saulo a encoraja a voltar para rádio e, novamente, de forma mais lenta, começa uma nova reaproximação do casal. Aqui, senti falta de mostrar como o rádio ficou depois da TV, principalmente nesse movimento contrário de Verônica, de retorno para um meio de comunicação antigo depois de ter experimentado um meio de comunicação novo. Ela voltou para o rádio por necessidade e não espontaneamente. A televisão se tornou adversa a ela, já que ela não poderia apresentar mais a sua imagem. Como seria para os profissionais da rádio essa recepção? Infelizmente, isso não foi abordado.

A subtrama da filha de Saulo não acrescentou nada à história, pois apenas tomou espaço de aprofundamentos de temas históricos que poderiam ocorrer e não foram realizados. Nesse mesmo sentido, a trama de Beatriz e Otaviano não evoluiu, continuando a apresentar a atriz como um recurso que faz vender a imagem política do futuro candidato. Por outro lado, a cena do quase incesto foi bacana e mostrou como Beatriz sabe jogar e manipular os dois irmãos que, por ter uma relação tão íntima, muito provavelmente, sairão machucados dessa relação multilateral. Júlia optou a forçar um casamento e seguir o caminho de uma união sem amor para se distanciar da cunhada. É assim que chegamos na metade da narrativa: os dramas pessoais estão tendo um maior espaço em detrimento do lado histórico da minissérie. Espero que isso seja revertido!

E vocês, o que estão achando da minissérie?

Take 1: Que linda a cena de Beatriz ensinando a mãe a tomar sorvete. Kassia Kiss arrasa sempre!

Take 2: Gostei de Verônica ter voltado como apresentadora de um programa e não como uma atriz. Nesse seu novo trabalho, temos o olhar da TV como meio que possui uma função e compromisso social que, nesse caso, dirige-se à saúde da mulher.

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Diogo Souza
Graduado em Letras-Português, Mestre em Literatura e Ensino, Doutorando em Estudos Literários, pesquisador das relações interartes entre a literatura e o cinema, cinéfilo, leitor de poesia, e às vezes cronista.