Ainda gorda e ainda louca. Mas antes de qualquer coisa, ainda sensacional!

Em janeiro de 2014, My Mad Fat Diary chegou à emissora inglesa E4 e assim chegava também de forma imponente em nossos corações. A série apareceu de maneira totalmente despretensiosa e assim, como quem não quer nada, se transformou em uma grande e agradável surpresa e, por que não, em uma das melhores e mais gostosas séries de 2013.

Portanto, em um peculiar momento televisivo, em que tudo que vemos é potencial bomba ou simplesmente exemplos certeiros de preguiça de roteiro, My Mad Fat Diary volta como um sopro de ar fresco e o que é ainda melhor é que ela voltou mantendo a qualidade  e o fôlego apresentados na primeira temporada. Ouso dizer que fazia algum tempo em que eu não ficava tão satisfeita e feliz com o retorno de uma série. Esse episódio genuinamente e naturalmente trouxe um sorriso para o meu rosto, sorriso este que permaneceu durante os quarenta e poucos minutos.

Facilmente, posso ficar aqui falando em como a série é bem produzida e dirigida, ou então, posso falar como a trilha sonora é poderosa e precisa em seus momentos, ou até mesmo, posso falar que mais que tudo, MMFD é uma história sobre o crescimento pessoal e social de uma jovem que não é particularmente vista como modelo do que é esperado e até mesmo aceito. Posso falar inclusive, que MMFD é uma história de como a nossa mente pode tanto ser nossa maior aliada, como também, facilmente pode se transformar no nosso instrumento de maior autodestruição. E finalmente posso falar que, o que vemos em MMFD é como o convívio com determinado grupo em determinadas situações podem nos mudar e nos moldar.

Mas não, não vou filosofar sobre MMFD. A série é tão singela e adorável que grandes momentos filosóficos chegam a ser banais. Mas, sobre o roteiro eu vou falar sim, afinal não é todo dia que vemos um roteiro capaz de nos mostrar situações tão simples e comuns, de maneira tão forte, inteligência e agradável. Claro que vale dizer que esse roteiro não seria nada nas mãos de atores ineficazes, portanto, vamos colocar todo o merecimento da beleza dessa série em cima desse elenco que aqui, nessa segunda temporada, se mostra ainda mais entrosado entre eles e com a história.

A questão é que Raemundo voltou e continua “cool as fuck”. Como não amar uma personagem que solta frases como:

I don’t want him as a friend. I want him to go down on me for so long that he has to evolve gills…”

Mas também, quem nunca? Rae voltou curtindo o verão, seus amigos e mais do que tudo, voltou curtindo a vida com o presente de Deus para as mulheres, Finn. Mas nada disso foi capaz de acabar com a eterna luta mental de Rae: felicidade x complexo de inferioridade. E assim vemos, cada vez mais, que esses complexos são o que a jogarão na beira do precipício.

A realidade é que Rae luta mais pelo direito de se aceitar do que pelo direito de ser aceita. Afinal, se pararmos e pensarmos, ela é sim aceita. É aceita por Archie, por Chloe (mesmo daquele jeito meio estranho dela), por Izzy, por Chop, pela mãe, por Karim, por Kester, por Danny “two hats” e principalmente por Finn. Sim, Rae é aceita por todos, menos por si própria. Então chega a ser óbvio que esses dilemas psicológicos e esses complexos intensificam-se quando as aulas estão prestes a recomeçar. Sabemos que a comunidade pode ser cruel com aqueles taxados de “diferentes” e é na escola que o bullying come solto.

Isso é My Mad Fat Diary, perguntas do dia a dia e da mente de Rae, que são apresentadas com inteligência, precisão e principalmente sem a necessidade de estereotipação. Ainda mais interessante é ver que dilemas, quanto a diferença e aceitação, não vêm somente através da Rae. Archie também não se aceita, Izzy também não se aceita e até mesmo Chloe, de certa maneira, tem problemas de autoaceitação. Portanto felizes são Chop e Finn que vivem a vida de maneira que acham apropriada.

Ver o desenvolvimento do relacionamento de Finn e Rae foi muito especial, afinal era tudo que esperávamos,  por muito tempo. Desde singelos momentos de masturbação, primeiros beijos no meio de meias sujas, suor e sangue, primeiros encontros, acampamentos, tentativas de perda de virgindade, até constantes demonstrações de carinho. Gente, como Finn é lindo, como a bunda de Finn é linda! E é por isso que a apresentação de Liam nos deixou apreensivos. Afinal, não foi à toa que vimos, durante todo o episódio, a insegurança de Rae quanto a Finn. Mas a questão é que, há sim a necessidade de algo para balançar as estruturas desse romance e é por isso que Liam está aqui.

Também para balançar as estruturas, foi a morte de Tix. Foi triste? Claro. Mas foi esperado e, de certa forma, necessária. Mais ainda para dar mais motivos ao relacionamento entre Rae e Kester, que na minha opinião, é o relacionamento mais singelo, puro e formativo de Rae.

My Mad Fat Diary estreou sua segunda temporada de maneira bem eficiente e agradável. Como é bom ter Raemundo e sua turma de volta. Como é bom ter uma série boa de volta!

– Quero o Danny com seus dois chapéus, já!

– Quão agradável foi ver Izzy com mais espaço na história? Já podemos shippar e amar Chizzy intensamente?

– “Shagus Pactus”, quem nunca?

– Mancada é: assistir o vídeo pornográfico da sua mãe e perceber que precisa dar um trato na companheira!

To be continued…..

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