Readaptar reality show estrangeiro aqui no Brasil nunca foi uma novidade, mas quando um canal aberto resolveu fazer a versão tupiniquim do MasterChef toda a desconfiança do mundo pairou na Band e nessa nova empreitada. Pra quê ter uma apresentadora comandando esse tipo de programa? Quem eram aqueles Chefs que de três só um era brasileiro? Que pratos mal feitos! Essas críticas iniciais foram perdendo a força conforme o reality foi progredindo, achando seu espaço na noite das terças-feiras e terminando com um gostinho de quero mais para quem acompanhou esses quase três meses de programa.

Pegar um reality do nível do MasterChef e adaptar para o Brasil foi uma tarefa complicada, porque antes de qualquer coisa sabe-se que os diretores brasileiros preferem aqueles programas que tenham votação, dando “poder” ao espectador, além de ser possível montar uma história de superação por trás de algum competidor, BBB, A Fazenda, Ídolos e The Voice costumam se utilizar dessa fórmula para tentar o sucesso e aumentar o bolso da emissora, mas muitas vezes falham no meio do caminho quando a execução é péssima. Outro ponto importante é buscar a diferença entre a adaptação e o original, por mais que no início o projeto brasileiro parecia mais uma cópia barata, ao longo dos episódios ele foi criando personalidade própria, conseguindo se desvencilhar da sombra do original. E nada disso não seria possível sem Chefs carismáticos, edição dinâmica, que apesar de mais de 2 horas de programa por semana poucas vezes se tornava cansativo ao extremo, e a parte mais importante de um reality: candidatos interessantes e variados, conseguindo representar bem a variedade gastronômica brasileira.

Nenhum reality é bem sucedido se não conseguir mesclar esses três pontos principais, mas se não tiver participantes que façam o espectador amá-los ou odiá-los, pode ter a melhor direção do mundo e os técnicos mais desejados do momento que infelizmente o programa não vai pra frente. Impossível não dar risada com Mohamad e seu jeito desajeitado botando fogo na cozinha, odiar o Jaime com todas as forças pelo seu coitadismo desnecessário ao longo do programa, se emocionar quando Lúcio decidiu sair do programa por causa de problemas de saúde, se preocupar com Helena e o seu acidente, ficar com raiva quando algum queridinho foi eliminado e tantos outros momentos que o MasterChef Brasil nos proporcionou na sua primeira temporada.

E o que falar dos Chefs que no primeiro dia praticamente ninguém sabia quem eram e com o andamento do programa foi conquistando um lugar no coração de cada um, Paola com sua doçura, Jacquin (sigam o twitter dele, sério) e sua delicadeza tal qual um pedaço de madeira rústico, e Fogaça com suas habilidades de falar a coisa certa na hora certa para os competidores. Cada semana esses jurados conquistavam mais e mais quem estava do outro lado da telinha, ajudando cada competidor na hora difícil, dando dicas para o prato não virar um desastre, puxando a orelha quando necessário, mostrando um carinho por aqueles aprendizes que não é todo dia que se vê, além de uma humildade sabendo assumir os erros quando preciso.

É correto afirmar sem dúvida nenhuma que MasterChef Brasil foi o melhor reality brasileiro no ano de 2014, conseguindo reunir um pouco de cada característica que se faz um programa de sucesso. Batendo a marca de 9,5 pontos de audiência na sua final, o reality não foi só bem feito e produzido, foi um sucesso também no Brasil inteiro. Com mais de 250 mil menções no twitter, a final do programa foi um sucesso e envolveu todos os internautas que adoram interagir com o programa em tempo real. O acerto da Band em unir twitter + programa foi uma das mais acertadas, discute-se muito atualmente quando o modo de se ver TV tradicionalmente irá acabar, com os canais perdendo mais telespectadores por que não utilizar justamente a rede social como forma de interação entre duas plataformas de entretenimento que podem se aliar ao invés de uma tentar derrubar a outra?

O MasterChef Brasil começou desacreditado por toda uma internet que não se deixa seduzir por qualquer adaptação de reality de sucesso mundial e conseguiu ao fim da sua primeira temporada ter um saldo muito mais positivo que negativo, deixando todos os twitteiros viúvos nas noites de terça-feira. Com a segunda temporada confirmada, resta saber se o canal conseguirá manter o nível dessa excelente primeira temporada, ou cairá no erro de tantos outros realities brasileiros que se perdem conforme mais temporadas vão estreando.

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