Guerra Civil com o Texas? Sério!?”
– Elizabeth McCord
Após um Mid Season Finale envolvendo uma inverossímil, mas não impossível, viagem de um chefe de estado americano à Venezuela, com direito a miss Nadine disfarçada de espiã secreta, jogador de Baseball saindo do armário e um presidente venezuelano para lá de caricato, Madam Secretary está de volta de seu hiato com a presença novamente de Téa Leoni interpretando a competentíssima Secretária de Estado Elizabeth McCord, uma mulher cheia de charme diplomático e com um poder quase sobrenatural de convencimento.
Após esse primeiro parágrafo meio sarcástico, você, caro leitor, deve estar pensando que este pobre série maníaco que vos escreve não gosta tanto assim desta nova produção da CBS, mas ocorre justamente o contrário. A série possui sim os seus defeitos como qualquer outra produção televisiva, porém esta série possui um ritmo agradável, histórias interessantes e diferentes a cada semana, além de ter uma protagonista feminina bem estruturada, o que, convenhamos, é algo bem raro de se ver nas séries atuais. Portanto, os pequenos defeitos e inverossimilhanças do roteiro, muitas vezes acabam por se tornarem estratagemas úteis na elaboração das questões a que se propõe o episódio.
E a questão política principal deste 12º episódio de Madam Secretary é o desrespeito à soberania nacional de outro país, neste caso específico estamos falando do país de nossos hermanos mexicanos. Nós sabemos que historicamente as relações entre Estados Unidos e México nunca foram as melhores, no entanto, nós também sabemos que problemas sempre existirão e, independente disso, é preciso continuar vivendo. Neste sentido Elizabeth e o marido Henry resolvem (um pouco a contragosto da parte dela) fazer uma nostálgica viagem a Nova York para comemorar os seus 25 anos de casamento. Não quero aqui fazer um resumo detalhado do episódio, mesmo porque você certamente já o assistiu, o que coloco em questão neste instante é a percepção da personagem de que “nada mais será como antes”.
E, para o desassossego de Elizabeth, nada sai como o esperado: Jason, o garoto “prodígio anarquista”, quase quebra a perna; Blake, pobre Blake, fica com a consciência pesada; um professor louco chamado Klaus acaba com o jantar romântico do casal e o governador do Texas causa um grave conflito diplomático com o México. Diante deste caos instaurado, Elizabeth McCord é convocada a voltar imediatamente ao trabalho e fazer aquilo que ela sabe fazer de melhor: resolver imbróglios de forma rápida e eficiente.
Neste episódio não houve qualquer desenvolvimento daquela que é a maior trama da temporada, a trama do “quem matou Vicent Marsh”, o predecessor de Elizabeth. No episódio anterior a este, vimos que as suspeitas que caíam sobre Russell Jackson, chefe de gabinete do presidente, eram infundadas, e que presumivelmente o assassinato do ex-secretário de Estado tenha alguma relação com o Irã. É provável que nos próximos episódios tenhamos um desenvolvimento maior deste plot, que é justamente o plot que dá o start para a série. Outra subtrama que certamente será mais trabalhada é a familiar, a filha mais velha e problemática de Elizabeth chamada Stevie terá que confrontar a sua mãe “torturadora”, conseguirá, portanto, Elizabeth reconquistar o amor de sua filha? Veremos o desenrolar desta história nos próximos episódios. Não percam!!!
P.S.: O presidente Conrad Dalton e seu fiel escudeiro, digo chefe de gabinete, Russel Jackson não apareceram no episódio de hoje pois estavam na China fazendo negociações com a amigável Coréia do Norte, certamente estavam buscando desfazer a lambança causada pela entrevista de James Franco ao país.
1×13: Chain of Command

A Cadeia no Comando.
Este sofrível trocadilho no título desta review faz referência a uma inversão de valores que infelizmente impera em nossa sociedade. Em dezembro do ano passado, não faz muito tempo, um juiz brasileiro deu voz de prisão a três funcionários de uma companhia aérea simplesmente porque chegou atrasado e foi barrado no embarque. Esse é apenas um exemplo dos muitos que ocorrem no Brasil. Estamos cansados de ver pessoas despreparadas e/ou ineptas para o cargo que ocupam. E, quando os mais valorosos e estimáveis dentro de uma sociedade não estão nos altos cargos, quem acaba ocupando este vácuo de poder (porque o trono de ferro do poder nunca fica vazio) são os inescrupulosos, os sociopatas, os maquiavélicos e os Frank Underwoods da vida. (Para aqueles que não acompanham House of Cards, Frank Underwood é a exemplificação de tudo o que um político não deveria fazer. Espero que nossos políticos nunca assistam esta série.)
O poder é, portanto, o tema central deste episódio. Poder para mudar a obviedade do cotidiano. Poder para quebrar barreiras e preconceitos. Poder para acabar com a injustiça e fazer deste um mundo melhor. Mas, convenhamos, a vida não é assim tão simples, há barreiras e obstáculos por todos os lados. Bess que o diga, apesar de tentar fazer com que justiça prevaleça no caso da pobre empregada que era mantida em prisão domiciliar há mais de três anos, acaba esbarrando em interesses maiores para o país: uma base naval no Golfo Pérsico é, segundo a lógica diplomática americana, muito mais importante do que um abuso aos direitos humanos infligido contra uma imigrante pobre e desconhecida.
Tentando resolver a questão da empregada, a Madame Secretária, ou melhor, Lizzie para os íntimos, tenta, como último recurso, convencer um antigo amigo que, não pasmem, é justamente o príncipe herdeiro do Bahrein Yousif Obaid. O príncipe reticente diz que é melhor “não meter a mão em tal vespeiro”, mas Bess insiste e joga na cara do príncipe todo o idealismo perdido da juventude, mas o príncipe não deixa por menos e (melhor parte do episódio) responde com uma Guantánamo. Resumo da história: O príncipe deixa se levar pelo charme diplomático de Elizabeth, toma a defesa dos pobres e oprimidos, e, como quase sempre acontece na história da humanidade, acaba assassinado. Isso prova mais uma vez que toda mudança radical está fadada ao fracasso, um exemplo claro disso é a famigerada “Primavera Árabe” que acabou se transformando em um “Outono” repleto de radicalismo, luta pelo poder, guerra civil ou retorno a algum outro tipo de ditadura. Uma pequena digressão: Uma série atual que trabalha esta questão das ditaduras do Oriente Médio é Tyrant que é produzida pela FX, nesta série, a exemplo do príncipe Yousif Obaid, um dos filhos do ditador falecido tenta fazer a diferença naquele universo, mas, como sabemos, para mudar a ordem pré-estabelecida é preciso mais do que ideais e boa vontade.
E, para terminar esta review, eu não poderia deixar de falar do que aconteceu no núcleo familiar da série neste episódio, pois eu acredito que o desentendimento de Elizabeth com a filha mais velha foi o que impulsionou, talvez de uma forma inconsciente, a protagonista a tentar a todo custo fazer aquilo que era moralmente certo, mesmo que isso pudesse causar problemas diplomáticos. É claro que Elizabeth possui um senso moral elevado, mas, diante dos questionamentos da filha, com certeza ela teve que provar para si mesma de que espécie de fibra ela era feita. O pai de Henry com suas muitas provocações e mentiras foi um catalisador para que Stevie pudesse aceitar sua mãe com todas as suas virtudes e defeitos, porém eu acho que dormir de favor no sofá dos outros tenha contribuído também para este feliz desenlace.
P.S.1: O Promo de Chain of Command nos vendeu um conflito “Madame versus Militares”, e o conflito de fato aconteceu, mas acho que a figura da Almirante Hill não foi de um antagonismo tão forte como indicava o vídeo.
P.S.2: Nadine desta vez perdeu sua caneta espacial e, depois de muita procura e inquisições, ela percebe que quem tinha “roubado” a sua caneta era a própria Madame Secretária.
P.S.3: Patrick McCord pergunta para Bess se há grandes negociações de livre comércio em andamento, e Bess responde que os Estados Unidos estão negociando acordos com o Brasil. Pelo menos no mundo das séries a política externa brasileira funciona da maneira correta.















