Não, Mad Men. Simplesmente não.

Spoilers abaixo!

I can’t fix everything, but I can fix this– Greg Harris

Em relação à estrutura, há muito que ser falado sobre esse episódio. Uma parte dele se passa na Califórnia e dá ao Jon Hamm uma nova oportunidade de mostrar o quão bom é em trocar rapidamente de personagem, e na outra parte, temos várias sequências mostrando a recém descoberta camaradagem entre Don e Lane. Não é incomum para a série apresentar um episódio sem trama substancial, mas aqui isso se torna digno de nota pois não só é sem sentido, como foi trabalhado de um modo tão preguiçoso pelo Jonathan Abrahams (novato na equipe de roteiristas, por sinal) que obrigou Jennifer Getzinger a se revirar e tirar esse episódio da lanterninha na lista dos piores de Mad Men graças a um trabalho tão espetacular quanto o feito em seus outros episódios, “My Old Kentucky Home” e “The Gypsy and the Hobo”.

E as falhas continuam quando, além da estrutura, nós damos uma olhada nas histórias Eu nunca tive problemas com as viagens de Mad Men, porém, a desse episódio foi recheada de clichês e repetições de dinâmicas e facetas já conhecidas e amplamente discutidas, isso sem falar no Don ter tentado algo com uma garota (bem) mais nova do que ele, só para assim descobrir que a original Sra. Draper tinha câncer. A leveza com a qual tais assuntos e conexões poderiam ser tratados, e geralmente são, se perdeu completamente e deu lugar ao ritual de cenas caricatas que não se salvam nem pela química entre os dois intérpretes. Já em Manhattan, a mesma coisa: repetições e repetições, humor fora de linha, ações sem sentido… O que me fez amar Mad Men foi a maneira como ela abordava tantos assuntos, e numa hora que eu espero ser exceção da temporada que estava sendo ótima, isso se perdeu.

O que se salva, como não poderia deixar de ser, é a pequena história de Joan e o Dr. Estuprador. Christina Hendricks foi merecidamente indicada ao Emmy pela sua festa de despedida e o acidente com o cortador de grama em “A Guy Walks Into an Advertising Agency”, e agora tem uma Emmy tape em potencial no seu duelo com Pryce e na dinâmica do relacionamento conturbado que ela tem com um homem evidentemente abusivo. A ambiguidade de quase todos os personagens da série foi outro dos pontos fortes e uma das poucas coisas que permaneceu em “The Good News”, mais particularmente nessa história e atingindo o seu ápice com os cuidados médicos na mesa de jantar. É preocupante? Sim. A série está voltando ao ritmo normal e perdendo a adrenalina do começo, finalmente chegando ao ponto onde a temporada tem que tomar um rumo e se eles não acharem um logo, podemos ter problemas no futuro. Mas pelo menos nós não tivemos que aturar um mini-episódio de Desperate Housewives estrelando Betty Draper e seu novo marido.

Outras observações:

– Uau! Já se passaram quase cinco anos, na cronologia da série, desde o primeiro episódio, “Smoke Gets In Your Eyes”. Fascinantes as sutis mudanças comportamentais contidas nesses pulos temporais, tanto em cada um dos personagens, quanto no mundo ao redor deles.

– Jared Harris fez um trabalho fenomenal, apesar dos pesares. Lane Pryce é um dos únicos personagens ao qual eu desejo mais tempo de tela, mesmo tendo certeza de que isso provavelmente nunca vai acontecer.

– Esses detalhes quase nunca são percebidos, mas adorei como a produção arrumou o apartamento do Don de uma maneira tão eficiente que só de olhar você fica sem esperanças.

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