Lucifer traz o protagonismo ao coadjuvante em Off The Record, um episódio que quebra qualquer expectativa.

Não vou negar que eu passei os 41 minutos e últimos 30 segundos do episódio “Off the Record” tentando entender porque havia uma avaliação tão destacada no imdb (9,5). Mas então… Bommm! Eis aqueles momentos dignos de você explicar porque está aqui fazendo as reviews de Lúcifer.

Não é genial, mas simplesmente rompe com qualquer expectativa que se tinha em mente.

Obviamente, essa é a típica experiência que só pode ser completa quando se assiste ao episódio sem nenhum spoiler anterior e, muito menos, sem ler essa review primeiro. Então se esse for o seu caso, peço a gentileza que interrompa sua leitura por aqui, assista ao episódio e depois retorne para expor sua opinião.

Há alguns anos eu li uma matéria que explicava porque alguns livros, filmes, novelas, séries etc, faziam tanto sucesso. A principal razão estava na quebra de expectativa, o momento exato onde o roteiro consegue impor uma reviravolta ou um contexto no qual você não esperava. Quando essa quebra de expectativa se encaixa com tamanha perfeição ela seduz completamente o expectador.

Essa descrição se encaixa dignamente a ‘Off the Record’, onde um personagem intrigante surge inesperadamente, ‘roubando’ a posição do protagonista, convertendo toda a história do episódio e toda a narrativa dos outros personagens à sua perspectiva. E ainda que isso ocorra no primeiro instante do episódio, o direcionamento do plot é tão “fechado” que não entrega o resultado antes da hora, permitindo que o expectador se surpreenda nas revelações que sucedem, fase à fase, antes do desfecho, que é inadequado, mas que é aceito porque as regras já foram quebradas gradativamente e você aceitou.

Lucifer 3x07: Off The Record
Lucifer 3×07: Off The Record

É muito legal quando você começa a pensar sobre toda a linha do tempo desenvolvida no episódio e percebe que aquilo é um ciclo e, nem sequer, é possível afirmar se aquela história realmente aconteceu de verdade (uma única vez) ou se sempre foi o inferno de Reese.

Além disso, quando revela-se tratar de uma história infernal é possível perceber que a superficialidade do caso e de todas as histórias são causados pela imparcialidade da perspectiva única do atormentado: um jornalista obcecado pela própria verdade e reconquistar o amor de Linda, chegando ao extremo de encontrar o serial killer procurado pela polícia e ao invés de fazer justiça, ele negocia com o criminoso para que este extermine Lucifer.

A vitimização da culpa, todo o fracasso, a decadência e o rompimento com a moral e ética social não é culpa da humanidade e sim de Lúcifer que desencadeia o pior em cada um de nós… Será mesmo?

Mais interessante é perceber a “fraqueza” na objetividade humana, quando quase que imediatamente se cai no mesmo poço dos piores erros porque os planos traçados não foram aquilo que se esperava: A esposa dormindo com outro homem quando Reese acorda de uma “quase morte”. O propósito de se fazer tudo diferente em uma segunda chance deixa de existir diante da primeira curva no caminho. 

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Em linhas finais, Off the Record foi um episódio que foge do medíocre e consegue transportar o telespectador para “fora da caixa” assim como Lucifer propunha em seus plots semanais. Talvez eu me contente com pouco, mas só um pouquinho disso disseminado no futuro da série já me deixaria muito feliz.

REVISÃO GERAL
Nota:
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