Depois de seis episódios, a temporada final de Lost chegou ao nível que fez a série ser famosa e deixou o cenário armado para ainda mais surpresas.

Spoilers abaixo!

Antes de tudo, vamos nos levantar e bater palmas para a brilhante atuação do Michael Emerson. Desde a segunda temporada o cara vem roubando a cena em todos os episódios, teve a sua participação na série estendida devido ao seu enorme – e diga-se de passagem, único – talento e acima de tudo, consegue passar um sentimento cem por cento crível em ambas as partes do desenvolvimento de seu personagem. Seja como professor, líder, sarcástico, manipulador, louco, ele fez por merecer o seu Emmy e se os poderes da Ilha quiserem, será recompensado novamente em Setembro.

Ben Linus sempre foi visto por nós como uma pessoa essencialmente má e o mais engraçado disso é de que ele, em uma das reviravoltas mais discretas da série, não é. O Episódio Dead is Dead da temporada passada praticamente comprovou isso e aqui, em Dr. Linus, temos o fim de quaisquer dúvidas que poderiam restar quanto a possibilidade dele sentir culpa. Tudo que Ben fez no decorrer das temporadas foi resultado de um pai abusivo, uma tentativa de assassinato, uma misteriosa cura no templo, e mesmo com esses fatores importantes não sendo desculpas para toda a dor que ele causou, é interessante relembrar pois trazem de volta e reafirmam um dos debates mais bacanas de Lost, o de se o homem é mal ou bom por natureza. E a resposta, como sempre é em tudo relacionado a série, pode acabar surpreendendo. Já nos flash sideways, temos o paralelo mais óbvio até agora. Enquanto em uma realidade ele deixa a filha morrer e só se arrepende e paga por isso dias depois, na outra ele lhe dá uma vida ao renunciar os seus próprios interesses egoístas rapidamente e assim, chega a uma espécie de redenção consigo, mesmo que de forma não intencional. Ao contrário de muitos fãs, estou adorando esse novo recurso narrativo e creio que ele ficará ainda mais interessante quando soubermos a sua real natureza. A Única pergunta é quando. Se Darlton demorar demais para a esperada revelação, os fãs e a crítica podem acabar perdendo a paciência, e se eles o fizerem muito cedo, podem acabar matando metade da tensão da temporada antes da hora.

Falando em tensão, Jack reforça cada vez mais o que eu falei na review de Lighthouse: ele parou de se importar. Claro, é bonitinho ele chegando na praia e abraçando a Sun, que nem os velhos tempos, mas no momento que ele pôs a dinamite em cima do barril e deu outro “leap of faith”, a situação ficou completamente clara. Desde o começo da série eu penso nele como alguém que no final, teria que fazer um grande sacrifício por todos, mas a verdade pode ser bem mais humana, bem mais sombria. E Se Jack, no grande series finale, agir de maneira tão egoísta quanto está sendo nos últimos episódios? E Se ele decidir virar a casaca, sair da ilha com o MIB e deixar todos os amigos morrendo enquanto lutam por suas vidas? Nesse episódio, os papeís se inverteram. Mocinho virou vilão, vilão virou mocinho e nesse processo, acabaram se misturando a um ponto tão absurdo que chega a ser possível distinguir um do outro. A Tensão aumentou, a ação também, a emoção e motivações dos personagens ficaram cada vez mais claras e tudo abre caminho para desenvolvimentos maravilhosos.

Lost voltou.

“It’s Dr. Linus, actually.

Outras observações:

– Widmore ser aquele que estava procurando a ilha era algo tão óbvio que nem passou pela minha cabeça. Lost, destruindo conceitos básicos desde 2004.

– Estou sentindo que algo surpreendente em relação ao Alpert está chegando.  Espero muito da sua história e mesmo se ela não vier, acho que teremos uma boa parcela de momentos WTF pra ele.

– Bem, acho que os roteiristas conseguiram matar a nossa saudade do Arzt. Adoro o personagem, mas se ele começar a aparecer várias vezes vai se tornar repetitivo e talvez tirar um pouco a graça dessa figura.

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