
Lie to Me mostra mais uma vez que sabe produzir casos interessantes, mas começa a acender uma luz vermelha.
Spoilers Abaixo:
Primeiramente, gostaria de me desculpar pela demora nas reviews da série. Tive alguns problemas pessoais e todas as minhas séries acabaram atrasando, e acabou acontecendo que Lie to Me foi a mais sacrificada, por passar em um dia muito denso em termos de séries para assistir, segunda-feira. Faço então essa review dupla e a partir do próximo episódio voltarei à normalidade.
Séries como Lie to Me não tem pretensão de ter um desenvolvimento dramático fantástico. Pelo contrário, são criadas com o único intuito de divertir. O problema é que a maior parte delas acaba caindo numa mesmice sem tamanho e se afundando em um buraco sem volta. Não é porque não há a intenção de desenvolver uma história de qualidade que o roteiro deva abrir mão completamente de uma. Lie to Me sofre um pouco desse problema. Com episódios soltos a ponto de a ordem dos episódios poder ser trocada sem que haja qualquer diferença, a série incomoda um pouco por isso. Em compensação, consegue produzir bons e divertidos episódios, como esses The Royal We e Dirty Loyal.
3×02: The Royal We
Nesse episódio, vemos Lightman sendo convidado para analisar as concorrentes de um concurso de Miss Teen. A ideia é que o doutor examine as candidatas para verificar se as mesmas estão mentindo com relação a idade, cirurgias, e coisas do tipo. O problema é que Cal percebe que uma das garotas, Megan, esconde algo sério e a menina acusa Fletcher de estupro, acusação que se mostra mentirosa depois de um tempo. Lightman se interessa então pela relação entre Megan e sua mãe, além do comportamento no mínimo estranho da garota.
Lembro que uma vez comentei que os roteiristas da série, preocupados com as análises de Cal parecerem muito simples e iguais depois de um tempo, procuravam inserir personagens que dificultassem a leitura de Lightman, tornando o caso um desafio maior para ele. Megan é um desses personagens. Confesso nunca ter visto uma pessoa que goste de tomar as dores das outras pessoas, assim como causar dor. Não sei se é um caso real, mas é uma situação que tornou o caso mais interessante, até porque a investigação em si foi um pouco sem sal, já que não envolveu grandes novidades.
Já que falei em Megan, aproveito para comentar sobre o costume de Lie to Me em explorar alguns assuntos delicados e, nesse caso, polêmicos. Já vimos na série tópicos como prostituição de menores sendo abordados e o que vemos aqui é o excesso de competitividade e a beleza a qualquer preço. É fato que a mãe de Megan é uma personagem repugnante, mas eu imagino que devam existir muitas mães do mesmo tipo, e é importante que temas como esse, que fujam de simples assassinatos, sejam explorados por filmes e séries, já que abre os olhos do espectador. Não que The Royal We seja um episódio ousado e com roteiro polêmico, mas mostra sim alguma coragem por parte dos roteiristas.
Quanto aos personagens, achei interessante Lightman ser pressionado para escrever seu novo livro. O doutor está passando por uma transformação visível nos últimos episódios e que se reflete no bloqueio mental pelo qual ele está passando. Isso deverá ser história pra alguns episódios mais. Faz parte da tridimensionalização de Lightman, fato que deveria ter acontecido já na primeira temporada e que é nulo para os outros personagens, exceto talvez por Foster, e mesmo assim de maneira precária. Além disso, no review do premiere disse que a inserção dos novos personagens, Charles e Sarah (que coincidentemente ou não, têm os mesmo nomes do casal principal de Chuck) faria um bem à série. Por enquanto só serviu para declarar a guerra de Lightman e Loker, o que é interessante para o segundo, que vinha muito apagado e agora parece ter uma função maior. Mesmo assim, o personagem não deverá ter vida longa na série, já que está procurando outro emprego, além do próprio ator parecer desmotivado com o papel.
3×03: Dirty Loyal
Aqui acompanhamos a nova amiga de Lightman, Wallowski, sendo acusada de corrupção, após seu parceiro, Farr, espanca Prince John, membro de uma gangue do subúrbio. Cal sai então em defesa da amiga, e faz de tudo para livrar sua barra, inclusive comprando briga com a diretora da IA, Jenkins. Quando o gângster é morto, uma testemunha afirma ter visto a policial matá-lo. Descobre-se então que Wallowski vem tendo um caso com Lightman, o que piora ainda mais a situação dela, uma vez que tira um pouco da credibilidade do doutor.
Corrupção dentro da polícia não é exatamente o tema mais original do mundo, mas a forma como é abordada aqui torna o caso muito interessante. O roteiro faz questão de manter um certo mistério em torno da culpa ou inocência de Wallowski, o que torna toda a questão mais intrigante. A própria ambiguidade da personagem ajuda nesse quesito, uma vez que em vários momentos eu pude jurar que a policial era inocente, para em seguida ter certeza de sua culpa, o que no fim era a verdade.
Apesar de gostar do desenvolvimento do caso, seu desfecho me incomodou um pouco. Considero toda a história de Farr e seu filho como uma tentativa ineficiente de tornar a corrupção do policial um pouco mais amena e causar comoção. Além de clichê, a situação não convence e soa forçada para o espectador, lembrando vagamente reviravoltas vistas em novelas mexicanas (atente para o vagamente). Por outro lado, o final do episódio em si, após concluído o caso, é interessante e inteligente, já que mantém Wallowski na série e com uma pequena rixa com Foster, o que pode render ótimos momentos para a série.
Já que citei Wallowski, é bom ressaltar que ela é a melhor coisa que aconteceu para a série em muito tempo. Enquanto Reynolds se mostrava como um personagem sem sal e que pouco acrescentava, a policial causa uma discórdia enorme dentro do Ligthman Group, e seu romance com Cal causa problemas entre ele e Foster. Seja por ciúmes (o que acredito) ou por genuínas preocupações profissionais, a psicóloga não está feliz em ver seu sócio se engraçando com uma policial corrupta e que parece estar levando a empresa à bancarrota. Enquanto isso, Loker continua com sua guerra silenciosa contra Lightman e Torres continua sumida. Sarah e Charles ainda não mostraram a que vieram, mas acredito que os dois ainda terão um papel mais importante na série.
Mesmo que a série esteja conseguindo bons episódios, Lie to Me vem sofrendo com a audiência e aparentemente compete com Fringe por uma das vagas na fall season 2011. A diferença é que a série sci-fi tem um dos melhores roteiros da atualidade, e Lie to Me não tem essa proposta. Mesmo sendo fã de Lightman e seus amigos, até eu escolheria Fringe, nessa altura do campeonato.












![Personagem Maníacos: Cal Lightman [Lie To Me]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2014/09/Cal-218x150.jpg)