A ciência voltou! E em um ótimo episódio!

Spoilers Abaixo:

Há algum tempo Lie to Me vinha me incomodando. Em minhas últimas reviews, vinha criticando o cada vez menor uso da ciência, aspecto chave para a série. Além disso, nem mesmo os casos vinham prendendo tanto a atenção. E alguns erros começavam a se repetir insistentemente, gerando uma grande preocupação não só com o fim da temporada como com o futuro da série. Eis que em Exposed deixamos de lado o espírito de CSI, para voltar a apresentar um episódio que foge da mesmice, além de dar grande destaque não só a ciência como também aos personagens.

Esta semana temos um caso um pouco diferente do vínhamos acompanhando nos episódios anteriores. O namorado da Foster, Dave, é sequestrado pelo bando de Little Moon, que procura culpados pela morte de seu pai, Big Moon. Lightman, que investigava a vida do agente disfarçado, acompanha a cena do sequestro e juntamente com o Agente Reynolds inicia a investigação. Cal, através de chantagem, obriga Little Moon a contratar o Lightman Group para extrair informações de Dave, embora o doutor não pretendesse de fato ajudar o bandido, e sim elaborar uma estratégia para salvar o amante da Foster.

Mais uma vez os roteiristas conseguiram ser extremamente eficazes na maneira  de conduzir a história. A diferença é que dessa vez o foco não era provar a inocência de alguém ou encontrar um culpado. Escancarando logo que Dave e sua fiel parceira, Michelle, têm sim culpa na morte de Big Moon, tudo o que nos interessa é então se Lightman vai mesmo conseguir salvar o doutor Burns de Little Moon (aliás, que nome imbecil, mas isso não vem ao caso). E novamente vemos que os roteiristas acharam seu meio de conduzir uma história sem que soe forçada. Está certo que a ausência de mistério pode incomodar alguns, mas acredito que a ideia aqui tenha sido justamente descaracterizar um pouco a série do gênero policial que vinha sendo adotado ultimamente. Objetivo alcançado com maestria, uma vez que Cal deu uma aula de manipulação utilizando seus já conhecidos métodos, fazendo o coitado do Little Moon de idiota o episódio inteiro, muito embora tenha quase matado uma pessoa que nada tinha a ver com a história.

E se o roteiro é extremamente feliz em alcançar sua proposta, também resolve arriscar no desenvolvimento de seus personagens, mais especificamente no romance entre Lightman e Foster, que no momento me parece inevitável. Imagino que esse assunto vá ser melhor abordado no season finale, até porque não consigo encontrar outro arco importante para ser trabalhado lá. Além disso, reparei uma coisa interessante nesses episódios. Episódios de numeração ímpar em geral são meio avulsos, enquanto os de numeração par parecem querer ser levados mais a sério. Posso estar delirando, e provavelmente deve existir uma ou outra exceção, mas foi esse padrão que eu reconheci, e como o season finale será par, minha ideia persiste, o que provavelmente significa um episódio alheio a tudo isso na próxima semana.

Já que falei nos personagens, é importante ressaltar que a proposta de humanizar Lightman tem sido executada com cada vez mais força. Além dos sentimentos por Foster e do relacionamento com Emily, Cal parece finalmente capaz de sentir medo das coisas. Episódio passado já o vimos perturbado pela possibilidade de ser responsável pela morte de um inocente e dessa vez vimos o quanto o doutor tem medo de morrer. Reparem que toda vez que alguém apontava uma arma pra ele, mesmo sem a menor intenção de dispará-la, Lightman se contorcia. É uma mudança na característica do personagem. Chegou um momento em que as pessoas apontavam pistolas na cara dele e ele agia como se estivessem ofereçando um pirulito pra ele, sem nem se mover. Parece que a tentativa de investir em Cal como uma espécie de Gregory House da ciência não foi muito feliz, resultando numa tentativa de mudar o rumo do personagem. Particularmente não gosto de mudanças na personalidade de personagens, principalmente de maneira tardia, mas é melhor que ficar insistindo numa imagem irritante de super-herói.

Menos irritante é a performance do Agente Reynolds, que tem evoluído como personagem nas últimas semanas. Aparentemente a ideia dos roteiristas é investir nele como um amigo para Lightman. É interessante a ideia de que Cal tenha amizades, mas não acho que Reynolds é esse cara. Primeiro porque não gosto do personagem, mesmo que nesse episódio em particular ele tenha sido menos irritante. Além disso, acho o Mekhi Phifer um ator muito fraco. Mas, já que não existe outra opção, vai com ele mesmo.

Conseguindo voltar a se apresentar consistente e gerando fôlego para o season finale, Lie to Me mostrou com Exposed que pode fazer grandes episódios criando histórias a sua maneira, e não imitando séries policiais.

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