Legends of Tomorow é uma série divertida, mas durante sua primeira temporada esteve muito focada em se levar a sério para demonstrar seu verdadeiro potencial. Sem a presença dos Gaviões ou de Vandal Savage, o primeiro episódio da segunda temporada das Lendas do Amanhã foi muito mais agradável e despretensioso, com uma trama bem mais parecida com a de uma história em quadrinhos e de quebra com todo o charme que a ficção cientifica apresenta para a proposta da produção.
Tudo funciona como uma verdadeira representação do mundo de viagem no tempo, super-heróis e ao próprio universo de séries da DC na CW. Retirar a obrigatoriedade de um único vilão logo no primeiro episódio foi algo muito interessante. Colocar Damien e o Flash Reverso como aliados é uma proposta que encaixa bem nos eventos de Flashpoint, em que o Corredor Escarlate redesenhou a realidade do mundo em que ele e as Lendas vivem. Também apresenta uma dinâmica interessante e de quebra nos presenteia com dois personagens com muito potencial e carisma, bem acima daquele interpretado por Casper Crump.
Out of Time na verdade começa como um novo piloto para a série, e utiliza a mesma fórmula do piloto da primeira temporada. Introduzindo Oliver Queen, o Arqueiro Verde, como conexão entre as Lendas e o restante do Arrowverse, o roteiro de Marc Guggenheim e Phil Klemmer conseguiu reapresentar cada um dos personagens em uma divertida montagem flashback, fazendo de Mick a ponte entre o que conhecemos e também o que os personagens estiveram fazendo desde a queda dos mestres do tempo. É uma maneira inteligente de demonstrar a personalidade de cada indivíduo, chamando o público novo para conhecer a série e também entregando aquilo que a audiência já familiar com o programa gosta.

Sem tantas amarras, é pontual ver uma nova oportunidade de brincar com fatos históricos, conhecer personagens icônicos e vê-los interagindo com os membros do time, algo que sempre foi o ponto mais interessante desde que a série foi apresentada, mas que através da obrigatoriedade de lidar com um ditador imortal, muito deste lado foi deixado de lado. Aqui no segundo ano e segunda tentativa da série, este potencial foi colocado em teste. E o resultado foi infinitamente melhor ao que vimos com a primeira temporada. É fácil ver que a série está mais solta, agora que o apocalipse de Savage foi impedido e que o futuro do planeta não está mais conectado ao assassinato de crianças e ditadores.
Conhecer Einstein, ver Sara Lance seduzindo a rainha, ou então “corrompendo” as inocentes mulheres de Salem, é um presente para os fãs da Canário Branco. Cada um dos personagens, para ser mais exato, reteve a parte interessante da personalidade desenvolvida no passado, mas de maneira amplificada, exagerada. Neste primeiro episódio funciona, porque precisamos ver mais, mas será necessário aprofundamento de dimensão para estes homens e mulheres, principalmente porque já observei um pouco de repetição de assuntos que deveriam estar já superados, como por exemplo o lado escoteiro milionário do Átomo, ou o Jax sendo jogado para escanteio por falta de história.
A trama do episódio é bem simples, mas cheia de surpresas. Agindo como policiais, Rip e sua equipe tem procurado maneiras de evitar que piratas e outras anomalias danifiquem o espaço tempo. Com exceção do Barry Allen/Flash, qualquer outra atividade que danifique o processo normal da história é monitorada e consertada pelo time. Este é exatamente o motivo que impulsionará os personagens até o final da temporada, especialmente agora que teremos também uma Liga do Mal para fazer concorrência aos defensores do tempo. Um potencial enorme para muita diversão, não é?
E foi muito agradável ver essa mudança de tom, especialmente pela saída do Rip. Não me leve a mal, eu fui o primeiro a festejar quando fiquei sabendo que Arthur Darvill interpretaria um viajante do tempo, mas seu personagem pouco fez pela série no passado. Com pouco carisma e muita explanação desnecessária de regras que não fazem sentido, Rip Hunter não cumpriu o seu papel. Sua principal missão era a de reaver sua família, independente do preço. Ele terminou se “sacrificando”, mas também perdeu muito da sua raison d’être no processo. Não tê-lo tão presente não será um problema e a substituição foi bem pensada.
Receber um novo personagem para agir como o historiador é excelente, especialmente porque ele é um especialista limitado. Nate Heywood (Nick Zano) conhece tudo sobre a história antiga e seus grandes eventos, mas quase nada a respeito da viagem no tempo e suas ramificações. Com ele teremos muitas informações importantes, mas pouco da arrogância perpetuada por Rip durante suas diversas explanações sem motivos e que perdiam o efeito quando o lema era “preciso salvar minha esposa e filho”. Através da inclusão deste novo personagem a série demonstrou estar disposta a modificar o status quo de seu time e apresentar algo mais relacionável. É muito mais interessante ver pessoas que não sabem de tudo o tempo todo, como nós, do que acompanhar um grupo de sabichões com todas as respostas e muita atitude. Ficar ouvindo “faça assim porque eu sei que é assim” cansou e o senhor Hunter não fará falta.
Também teremos com essa mudança de liderança a chance de poder ver mais erros sendo cometidos. Durante a primeira temporada tudo o que era feito tinha pouco ou nenhum impacto. Ou o erro cometido durante a viagem era corrigido no próximo episódio, ou nem sequer reconheciam alguma mudança. Quantas vezes ouvimos a analogia do cimento para representar a mudança da linha temporal na temporada passada? Pois é. Exatamente por isso as possibilidades de mudanças reais será bem maior. Ou seja, as chances de rever Laurel Lance só aumentam.
No geral Out of Time é um bom episódio para Legends of Tomorrow, muito acima do padrão instaurado durante o ano de estreia e a prova de que a série merecia sim uma segunda chance. A proposta de incluir uma legião de vilões para enfrentar a equipe é ótima, assim como a escolha de dar uma nova oportunidade para dois personagens que não tiveram chance de brilhar em suas respectivas séries de origem, Damien e Eobard. Talvez o único grande problema para a série foi não ter esperado um pouco nos limites do espaço-tempo para estrear, afinal, umas semanas depois e ela não estaria competindo com o futebol na televisão aberta norte americana, um antagonista muito mais forte do que qualquer déspota, velocista ou criatura de outro mundo.
Easter eggs e outras informações
– Para quem abandonou Arrow, este episódio trouxe Oliver Queen em um evento que provavelmente aconteceu após o final da quarta temporada, mas antes do início da quinta – a não ser que o encontro de Oliver e Nate seja mencionado no próximo episódio da série do Arqueiro Verde.
– Por falar em Nate Heywood, o personagem teve sua primeira aparição em Justice Society of America Vol 3 #2, de 2007. Ele é conhecido como Cidadão Gládio e após um encontro com um grupo de vilões neonazistas, enviados a mando de Vandal Savage, o personagem terminou sendo atingido por um jato de aço líquido expelido pelo vilão Reichsmark. O encontro faz com que Nate se tornasse aço vivo.
– O homem que atinge Nate no final do episódio é o seu avô, Henry Heywood.
– No final do último episódio da temporada passada o time de Lendas foi confrontado pelo Homem Hora, que infelizmente desapareceu após entregar sua mensagem.
– Os personagens que apareceram no final de Out of Time fazem parte da Sociedade da Justiça da América, um time de heróis que antecede a Liga da Justiça, na chamada Era de Ouro das histórias em quadrinhos. Eles já foram parte da Terra-2, mas após a Crise nas Infinitas Terras terminaram absorvidos e representados como heróis do passado.
– Um dos membros da Sociedade da Justiça é Jay Garrick, que apareceu no episódio desta semana de The Flash.
– Tivemos duas menções a personagens dos quadrinhos e que foram utilizadas para rebaixar o Ray Palmer. A primeira é a palavra escoteiro, que conecta Ray ao Superman, personagem que o ator Brandon Routh interpretou no cinema. A segunda é a frase dita por Sara “o que você é sem o traje?”, algo que o Capitão América diz para o Tony Stark aka Homem de Ferro durante o filme Vingadores.
– Dois vilões já conhecidos do Arrowverse apareceram neste episódio. Damien Dahrk é saído de Arrow e teve presença marcante durante a quarta temporada da série do Arqueiro Verde. Já o Flash Reverso, Eobard Thawne, surgiu durante o primeiro ano de The Flash e foi o grande antagonista da temporada.
– A presença do Flash Reverso em Legends of Tomorrow pode ser vista como consequência direta da mudança na linha do tempo causada por Barry em Flashpoint.

– Esta união de vilões é conhecida nos quadrinhos como Liga do Mal, e é composta por personagens como: Superman Bizarro, Capitão Frio, Grodd, Sinestro, Brainiac, Cheetah e vários outros.















