Legacies apresentou seu melhor episódio até o momento, nos surpreendendo com uma narrativa consistente, madura, sombria e emocionante do início ao fim. Uma trilha sonora impecável, uma trama poderosa e impactante, um roteiro bem costurado e atraente, com um desenvolvimento monstruoso de seus personagens e uma sensibilidade sem igual – exatamente tudo o que precisávamos em Legacies. Após uma enxurrada de erros e poucos acertos, o spin-off finalmente encontra seu tom ideal, sem seguir o rumo de sempre (apresentando novas criaturas toda semana de forma cansativa e rasa), conseguindo se colocar, pela primeira vez, no mesmo patamar de qualidade que The Vampire Diaries e The Originals, suas séries maternas.

Sem seu elenco completo (com a ausência das gêmeas Saltzman, Penélope e Dorian), The Boy Who Still Has a Lot of Good to Do optou por colocar seus holofotes principais em MG, Landon e Rafael, ao mesmo tempo em que exalta, secundariamente, Hope e Kaleb. Logo após a ida de Alaric e os outros a Maple Hollows em There’s a Mummy on Main Street, o trio composto por MG, Landon e Rafael decide viajar para Sterling Springs (Maryland), com o objetivo de reunir Milton com seus pais, que afastaram-no quando ele se tornou vampiro. O que seria uma viagem normal e sem problemas (com exceção, é claro, de que eles decidiram ir num dia de lua cheia), gerou consequências gravíssimas aos três, resultando na morte prematura de Landon.

Tudo começou quando Landon, atormentado por seus próprios fantasmas (tendo em vista que Hope ainda esconde a verdade sobre Seylah do seu namorado), insistiu que MG visitasse a família, mesmo sabendo que era algo que eles haviam deixado claro que não queriam. Antes de adentrarmos no tópico principal (no que concerne a relação de Milton com seus pais e os eventos que se desenrolaram em Maryland), começo pelo que impulsionou Landon a agir dessa forma, o que levou-o a transferir seus próprios desejos e problemas ao MG e forçou o vampiro a acatar seus argumentos: seu passado misterioso. É compreensível que Landon tenha agido dessa maneira, afinal, ele nem sabe quem é de verdade. No entanto, isso não foi nem um pouco legal, mas sim, bastante inconveniente (porém, ainda gosto dele).
A única coisa que Landon sabe sobre seu passado é que Seylah, sua mãe, o abandonou quando ele era um bebê. Landon não sabe de onde veio, o que motivou-a a abdicá-lo, quem é seu pai e porque ele tem tanta conexão com o Malivore e as novas criaturas sobrenaturais. Tudo é nebuloso em sua vida, ele tem apenas suas lembranças com Rafael, seu irmão adotivo. É óbvio que chegaria um ponto em que ele não conseguiria conter seus próprios dilemas e deixaria que isso afetasse as pessoas ao seu redor – calhou, infelizmente, de ser o MG. Landon enxergou uma chance de fazer com que suas próprias experiências não se repetissem na história de MG. De verdade? Entendo seu lado, seu personagem é extremamente empático e altruísta. Foi errado? Foi, mas quem é que não errou pelo menos uma vez na vida, não é verdade?

Apesar dele ter sido insistente e por vezes irritante, sua intenção foi a melhor possível. Assim como tantos personagens da série, Landon também vem evoluindo gradativamente ao longo dos episódios e isso ficou ainda mais visível nessa semana. Ele é uma pessoa pura, inocente, empática, altruísta e, de vez em quando, madura demais em comparação com os adolescentes da sua idade – sua reação ao saber que Rafael sente algo por Hope foi excepcional, ele lidou com a informação de forma madura e adulta, sem ciúme ou raiva do irmão (ainda torço para que os roteiristas esqueçam esse maldito triângulo amoroso desnecessário). Tudo faz parte de seu processo evolutivo: agora, sendo uma criatura sobrenatural, resta saber como ele irá reagir ao saber dos segredos que Hope escondeu acerca do seu passado e de Seylah.

Agora, no que diz respeito ao MG, fica claro que o encontro com seu pai foi extremamente importante para o amadurecimento de seu lado humano (isso mudará a personalidade de MG para sempre), assim como a “morte” de Landon serviu de lição para seu lado vampírico, revelando até onde ele pode ir caso não aprenda a controlar seus impulsos e suas emoções. MG aprendeu da pior maneira que ser vampiro não é fácil como Kaleb sempre demonstrou: sua família o rejeita, sem entender que ele continua o mesmo garoto gentil que era desde pequeno, e controlar o desejo de sangue é mais difícil do parece – num dilema semelhante ao que Stefan enfrentava. MG já havia perdido o controle de si mesmo, mas nunca antes com alguém tão próximo (imaginem se fosse a Lizzie ou a Josie). Isso trouxe realidade ao seu medo, o que pode passar a ser usado como motivação para que ele inicie um processo de mudança de atitude.
E, é claro, isso só será possível com a ajuda de Kaleb, que está disposto a enfrentar tudo ao seu lado. Aliás, sei que não falo sozinho agora: sem dúvidas muitos de vocês, como eu, estão admirados com as atitudes de Kaleb (ele tem se tornado um dos meus favoritos). Seu personagem, como o próprio MG, o Landon, o Rafael e a Hope (além das gêmeas), mudou drasticamente. Falo de maneira geral, pois a evolução de todo o elenco tem se tornado visível: Lizzie e Josie adquiriram, respectivamente, humanidade (e um pouco de autocontrole) e independência/originalidade; MG, amadurecimento pessoal; Landon, sagacidade e força; Rafael, resistência e equilíbrio; Hope, confiança, empatia e maturidade (foi incrível ver sua superioridade e seu amadurecimento ao decidir salvar MG sem nem piscar, mesmo sabendo que ele havia matado Landon); e Kaleb, que se tornou não apenas um alívio cômico da série, mas alguém empático, tolerante, companheiro, perseverante e protetor.
Escrever uma review está além de apenas descrever o que acontece. Minha maior felicidade é ver que eu consigo analisar, além da tela, as mudanças de personalidade que cada um do elenco de uma série desenvolveu com o passar do tempo. E eu não poderia estar mais contente com Legacies: The Boy Who Still Has a Lot of Good to Do alavancou o spin-off para outro nível de qualidade, com uma maestria assustadora e surpreendente (eu não esperava isso de uma série teen que até então não se levava a sério). O décimo terceiro episódio da temporada foi pesado sem ser forçado, foi emocionante sem parecer apelativo, ele foi sensível e todas as sensações e dores foram extremamente palpáveis (eu fiquei desesperado com a excelente atuação dos atores de Hope e MG, que transmitiram com perfeição os medos e a dor de seus personagens). Resumindo: Legacies me encheu de orgulho essa semana!

E por fim, vamos ao desfecho bombástico do episódio: Landon renasceu das cinzas, num processo semelhante ao de uma fênix (quem quiser saber mais sobre o mito em questão, clique aqui). Apesar de suspeitarmos que ele era uma criatura sobrenatural desde o início do spin-off, a revelação continua surpreendente, principalmente pela forma que ela foi apresentada e pela espécie que os roteiristas e os produtores aparentemente escolheram para seu personagem. A fênix é dita como um ser mitológico raríssimo, sendo amplamente conhecida como o símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual (a lenda diz que a criatura pode viver mais de 200 anos). Como um verdadeiro amante de Harry Potter e de mitologia, eu confesso que estou mais do que empolgado em saber que Landon pode ser uma fênix.

Minha teoria dele ser uma espécie de “juiz” era interessante, mas caso se comprove que Landon é de fato uma fênix, eu ficarei muito satisfeito (apesar do Alaric ter citado a lenda, isso ainda não é oficial). E posso ser sincero com vocês? Eu estou realmente admirado com os rumos que Legacies está tomando. Essa hipótese abre um leque enorme de possibilidades empolgantes para a série, como, por exemplo, no que diz respeito às habilidades da fênix – há lendas que dizem que suas lágrimas possuem propriedades curativas, que suas cinzas podem ressuscitar os mortos, que ela é imortal e muito mais. Então, a partir delas surge a grande dúvida: até onde Legacies adaptará as características da criatura lendária aos poderes e a personalidade de Landon? E como isso impactará o restante do mundo sobrenatural?
E ainda, será que isso é um indício de que seu pai (minhas apostas continuam depositadas no Ryan Clarke) também é uma fênix? Bem, Seylah era uma humana (pelo menos foi o que ela contou), então isso deixa claro que Landon é uma espécie de “semideus” (lembrando de Percy Jackson), metade humano e a outra fênix. Quais serão suas fraquezas? Será que após o primeiro renascimento é a ocasião em que as habilidades da fênix despertam completamente (discorro sobre o caso do ônibus abaixo)? Apesar desse ser o momento em que a série está revelando seus mistérios, ainda há muita informação a ser dita e dúvidas a serem esclarecidas. E no que tange a relação de Landon com MG (sobretudo com ele) e Rafael, o que mudará a partir de agora? O que vocês esperam dos três últimos episódios da temporada?
> BONECA RUSSA (SÉRIE NETFLIX) – Teorias, existencialismo e aquele final!
Por hoje é só, pessoal. Gostaram do episódio? Também concordam que ele é o melhor da série até o momento? O que acharam da review dessa semana? Não se esqueçam de deixar suas opiniões ao final do texto ou em nosso grupo do Telegram, ok? Aguardo vocês em “Let’s Just Finish the Dance”, o antepenúltimo episódio dessa temporada. Até lá!
Curiosidades e Comentários:
– Agora que sabemos o que o Landon é (ou pelo menos supomos), fica mais fácil entender o que aconteceu no primeiro episódio da série, quando o ônibus em que o personagem estava pegou fogo e apenas ele sobreviveu. O mais provável é que, coma onda de energia da adaga (será que isso realmente ocorreu por causa do artefato?) e a explosão do ônibus, Landon morreu, porém, por causa das suas habilidades (vistas na cena final dessa semana), ele voltou a vida como se nada tivesse acontecido. E aí, qual é o palpite de vocês com relação a esse assunto específico?
– Será que o acordo entre Verônica (mãe de MG) e Alaric foi completamente esclarecido? Algo me diz que isso está além do trato de matriculá-lo na mansão Salvatore e escondê-lo do pai. Será que ainda há algum mistério por trás dessa história? Como MG irá reagir ao acordo?
– Corrijam-me se eu estiver errado, mas a psicose lunar é algo totalmente novo na mitologia da tríade de séries vampíricas da CW, correto? Creio que até o momento ela não foi citada, muito menos discutida. É interessante ver que Legacies não apenas está expandindo o catálogo de criaturas, como também vem tomando o cuidado de explorar novos termos do mundo sobrenatural. Ponto para o spin-off, essa foi uma sacada de mestre!
– E agora é confirmado, pessoal: seguindo os passos de Klaus, o sangue de Hope também é capaz de curar a mordida de um lobisomem. Após a morte do pai, esse assunto ainda era um mistério – até então, a mordida que um lobisomem dava num vampiro havia voltado a ser mortal (não contei com Marcel, pois seu paradeiro é um mistério), tendo em vista que Klaus era o único capaz de curá-la. Essa é uma saída inteligente e extremamente necessária para a mitologia de Legacies. Vale lembrar também que o sangue dela ainda é capaz de criar híbridos de forma natural (devido a sua hereditariedade), como ocorreu com o Henry, no primeiro episódio da última temporada de The Originals. Guardem essa informação, pois provavelmente isso ainda será abordado em Legacies!
– Não quero ficar com ódio sozinho, então segurem essa bomba: infelizmente nós veremos o insuportável do Roman no próximo episódio! Apesar de estar curioso com relação ao encontro (mais pelas repercussões que a morte de Hayley desencadeou em sua personalidade e em como anda sua relação com Hope), meu descontentamento é claro, não suporto o personagem. Espero que sua presença seja apenas uma participação especial meteórica!
– Pra quem ainda não sabe, eu criei um grupo no Telegram voltado estritamente para os leitores dos meus textos de The Originals e, agora, de Legacies aqui no Série Maníacos. Tem sido muito interessante esse contato com vocês, então, quem ainda não estiver no grupo e quiser fazer parte para discutirmos sobre o spin-off, basta clicar aqui. Aguardo vocês por lá!















