Legacies se recupera de uma semana ruim ao apresentar elementos importantes de sua trama central com Malivore, seu melhor episódio desde o piloto da série. Diferentemente de seus antecessores, o quinto episódio não foi mais um tiro no escuro ou um compilado de cenas confusas e que em nada acrescentam à trama. Malivore é o responsável por finalmente responder alguns dos questionamentos mais frequentes até então, revelando não apenas o padrão de surgimento das novas criaturas e o local de onde elas estão vindo, mas principalmente o motivo pelo qual todas elas nunca foram sequer mencionadas em toda a existência de The Vampire Diaries ou The Originals. Sem dúvidas ainda há muito que explicar de modo geral, mas esse é um forte indício de que o spin-off pode estar começando a andar por si só, focando em seu enigma principal e construindo um novo caminho na mitologia de seu mundo sobrenatural. Por isso eu digo: ainda há esperança, meus amigos!

Apesar disso, é através da cena introdutória dessa semana que vemos que mesmo com algumas mudanças positivas, o roteiro ainda peca aqui e ali. Nos momentos finais de Hope is Not the Goal vemos Dorian isolado numa cabana, ao telefone com Alaric e próximo da adaga, o que indica que Malivore começaria sua história imediatamente após essa cena. Pois bem, o quarto episódio termina de forma assustadora: uma nova criatura (que parece ser um Wraith, se a fala de Dorian com a Dríade estiver fazendo alusão a aparição do último monstro), totalmente negra e semelhante a um zumbi, invade o local e o recurso de cliffhanger (ou gancho) toma o lugar dos nossos corações e mentes, deixando todos nós, os telespectadores, extremamente ansiosos por sua continuação. No entanto, decepcionando a todos (por pouco não dei 5.0 para Legacies dessa vez), Malivore ignora totalmente a cena do último episódio e introduz a dríade sem qualquer explicação, de forma avulsa na narrativa.
Por outro lado, não podemos negar o papel que Malivore desempenhou no spin-off, demonstrando um grande passo em sua evolução narrativa. Tudo estava bem costurado e fiel – desde a relação de seus personagens, o vínculo com o passado e a realidade do mundo sobrenatural introduzido em TVD e TO, até a natureza de sua trama principal. Mesmo que os holofotes do episódio tenham sido direcionados à identidade e a origem de Landon, bem como a razão do mistério em torno das novas criaturas, foi a primeira vez que me interessei por seus eventos adjacentes. Ao contrário do que foi mostrado nos bastidores das últimas semanas, cenas que contém o diálogo de Lizzie e Penelope, o abalo da relação das gêmeas e o nascimento do conselho de honra, por exemplo, serão extremamente relevantes para o futuro da série.

Bem, tudo começa com uma conexão aos últimos eventos… Levando em conta os testemunhos de Josie e Lizzie, Alaric decide não por ensinar magias ofensivas na escola (até agora), mas sim em dar voz aos estudantes, permitindo que eles participem ativamente das decisões do local. Com um leve toque de humor (liderado pela irreverência de Lizzie, que, apesar de toda sua imaturidade e instabilidade, permanece como uma das personagens mais carismáticas da série, sempre com uma referência externa na ponta da língua), o episódio conseguiu tudo o que nós esperávamos em apenas uma breve eleição estudantil: que os ânimos entre os alunos fossem inflamados e o circo pegasse fogo na mansão. Enquanto Alaric e Dorian se ocupavam com a dríade, a mansão Salvatore se tornava o cenário de intrigas e dramas de adolescentes – trazendo verossimilhança à narrativa proposta por Legacies.
Porém, além de servir como artifício humorístico com a introdução de momentos de descontração, a escolha do conselho de honra pode simbolizar a união das facções ali presentes – algo que a escola precisa urgentemente – e o estopim para que novos conflitos surjam. No que tange a primeira consequência, fica claro que essa era a intenção de Alaric desde que o personagem teve a ideia de realizar uma eleição estudantil. E digo isso não só pelas pequenas intrigas que permeiam o local e os diálogos de cada aluno, mas principalmente a forma com a qual todos eles lidam com seus sentimentos, como a raiva, a decepção e a derrota, por exemplo. Até onde o papel da Emma tem sido relevante e eficaz como conselheira da escola? Onde estão as aulas de autocontrole, respeito e consideração pelo outro? Por qual motivo ninguém impede o bullying que existe nas relações de cada raça?

Jed e os lobos atacaram Rafael, Jed espancou o Landon, Hope quase matou Landon com magia negra, Penélope e as gêmeas vivem em pé de guerra… Eu poderia citar muito mais e o problema permaneceria: onde estão os professores e diretores que não percebem a proporção do perigo dessas atitudes? Antes de serem criaturas sobrenaturais (algo que, por sinal, intensifica suas emoções e sensações), eles são adolescentes e estão passando por maus momentos como qualquer outro em suas idades. Não dá para ensiná-los a se defender com magias ofensivas ou golpes sem antes construir um ambiente propício onde eles possam conversar, confiar e contar uns com os outros. Espero que o conselho (composto por Kaleb, Hope, Josie, Rafael e Emma) tenha isso em mente e que o objetivo de Alaric não saia pela culatra e isso cause mais rompimentos e conflitos (o que é provável, tendo em vista a reação de Rafael com a expulsão de Landon).
E por falar em rompimentos, é extremamente empolgante ver o abalo que vem surgindo entre Lizzie e Josie (quase como se conseguíssemos sentir que algo muito ruim pode acontecer em breve). Como previsto, Lizzie está destinada a perder a cabeça exatamente como Kai e tudo indica que a mudança de personalidade de Josie pode ser o estopim para que isso aconteça. Apesar de gostar da Lizzie, fiquei feliz em ver que a posição de Josie no conselho pode mudá-la por completo, tornando-a mais confiante, capaz de enxergar suas próprias qualidades e de viver apenas em função de si mesma, sem deixar que seu amor por Lizzie impeça-a de fazer o que ela deseja.

Como bem disse Penélope (por sinal, ela subiu no meu conceito drasticamente), Lizzie tem sido um buraco negro na vida da irmã (não de forma proposital, claro) e a responsável por alimentar a relação tóxica que há entre as duas. Foi a primeira vez que Penélope teve uma participação tão marcante na série, o que indica não apenas que ela merece ter mais atenção na trama, como ter flashbacks voltados para a sua antiga relação com Josie (e, obviamente, precisamos vê-las juntas novamente, é claro que ainda há amor entre elas). Antes eu ficava decepcionado que Hope estava apagada e ficava insatisfeito com isso (confesso que queria mais momentos dela), mas agora vejo que o spin-off não é só sobre ela, que há vários atores capazes na série, esperando uma oportunidade de brilhar.

E, adentrando a trama principal, vemos o núcleo da dríade se conectar com o de Landon. Em Mystic Falls pouco foi descoberto sobre as origens de Landon, sua natureza ou poderes, mas, por outro lado, foi revelado através do símbolo que a dríade desenhou na madeira que Landon tem alguma ligação com os próprios espíritos da floresta ou o Malivore, o local escuro sob a terra citado no episódio. Por enquanto sabemos apenas que sua mãe se chamava Seylah (sei lá né? – não tem como segurar a piada) e que há a possibilidade dele guardar algum traço mágico oriundo de seus ancestrais. Se o Landon não possui qualquer característica sobrenatural ou poder especial, o mistério continua: o que o personagem é de verdade? Qual será sua missão no spin-off? Seria ele uma espécie de guardião ou juiz do poço negro?
E caso ele tenha vindo do poço, como fica a timeline do mundo sobrenatural de TVD, TO e Legacies? Landon já vivia em Mystic Falls quando Elijah e Klaus ainda estavam vivos (chorando só de escrever isso), o que indica que ele pode ter saído antes de lá. Mas por qual motivo nenhuma criatura surgiu nesse tempo? Será que ele foi o único que saiu do Malivore (ainda bebê) e apenas quando ele tocou a adaga (uma espécie de chave para abrir a dimensão negra), as novas criaturas foram surgindo pelos arredores da cidade? Ainda há muito mistério em torno do personagem, mas uma coisa é certa: ele realmente parece ter o papel de ativar os poderes da adaga. Porém, qual será a origem da arma? Onde ela estava antes de parar na escola Salvatore: na Armory (o mesmo local onde as sereias estavam aprisionadas), talvez?
Por fim, resta falar sobre o momento mais importante do episódio: a tão aguardada explicação para o surgimento das novas espécies sobrenaturais. Como eu suspeitava, aparentemente todos os seres sabiam da existência de dragões, gárgulas, wraiths, aranhas gigantes, dríades e tantos outros. Algo ou alguém fez com que eles fossem esquecidos da história (sinto o cheiro das maldições de Onde Upon a Time e de Storybrooke no ar), e enviados para uma dimensão alternativa, chamada de Malivore e caracterizada como uma escuridão sem fim, localizada abaixo da terra e acessível por um poço. Enquanto Landon pode ser o responsável por tirá-los do abismo, quem será que foi capaz de aprisionar tantos seres sobrenaturais num só lugar e ainda conseguiu apagar as memórias que todos guardavam sobre elas?
E por qual motivo os lobos, vampiros e bruxas não foram aprisionados no mesmo local? Seria o Malivore um outro nome para o inferno de Cade? Se for, isso significa que a Bonnie não destruiu a dimensão em TVD? A ideia é interessante e cumpre sua função: antes havia uma dúvida referente aos Mikaelsons e tantas outras criaturas antigas desconhecerem as espécies apresentadas em Legacies. Agora há um motivo que deixa claro que até mesmo eles, seres extremamente poderosos, foram afetados pela perda de memória. Na teoria parece simples de acontecer, no entanto, quando levado à prática, a situação muda de figura. Qual criatura será mais forte que eles? A meu ver, essa foi uma ótima saída para os roteiristas expandirem o universo das séries, porém, conhecendo Julie Plec como conheço, é capaz da explicação ser medíocre e atropelar tudo que nos foi apresentado até então.
> You, Bodyguard, Homecoming – DICAS DE SÉRIES IMPERDÍVEIS!
Isso é tudo, pessoal, chegamos ao fim de mais um review! Agradeço a presença de todos por aqui, aguardo vocês na semana do dia 7 de Dezembro, com “Mombie Dearest”, o penúltimo episódio desse ano. Até a próxima, ok?
Curiosidades e Comentários:
Dríades – As protetoras das Florestas
Na mitologia grega, as dríades (em grego: Δρυάδες, Dryádes, de δρῦς, drýs, “carvalho”) eram ninfas associadas aos carvalhos. De acordo com uma antiga lenda, cada dríade nascia junto com uma determinada árvore, da qual ela exalava. A dríade vivia na árvore ou próxima a ela. Quando a sua árvore era cortada ou morta, a divindade também morria. Os deuses frequentemente puniam quem destruía uma árvore (Wikipédia). Em Legacies, a criatura demonstrou ser honesta, pura, sábia, emotiva e detentora de um poder inimaginável, capaz de controlar raízes e de ficar mais forte com a aproximação dos elementos da natureza. Ao morrer, ela deu vida a uma nova árvore no local de seu falecimento. A dríade é, a meu ver, a melhor raça criada no spin-off até o momento, digna de toda a atenção e zelo na construção de sua história.
Bonnie
Para a alegria geral da nação, Bonnie foi citada novamente. Dessa vez, ela foi a responsável por realizar um feitiço de localização para encontrar Oliver. Precisamos nos acostumar com a ideia de que ela pode nunca aparecer de fato (isso também vale para o casal Damon e Elena), sendo usada apenas como artifício nostálgico, para enlouquecer seu fandom de TVD. Ou, já que a trama parece falar sobre o inferno que Cade vivia, será esse um indício de que ela pode retornar, nem que seja apenas como participação especial?
Nova Orleans
Como é bom ouvir esse nome novamente! Mais alguém ficou arrepiado quando Hope falou da cidade principal de The Originals? Será que veremos ela mais uma vez ou todas as cenas do Landon no local não serão apresentadas, pulando diretamente para seu retorno à Mystic Falls? E caso vejamos NO, qual personagem da série será o responsável por ajudá-lo a descobrir suas origens: Vincent? Marcel? O que acham dessa referência?
Referência – In the End (Linkin Park)
Quem mais conseguiu identificar a música da cena inicial como a In the End, da banda Linkin Park? Foi apenas uma passagem (com alguns versos cortados), mas não deixa de ser emocionante, principalmente ao lembrarmos-nos do vocalista Chester Bennington, que morreu no ano passado. A melodia ficou belíssima nessa breve versão (letra abaixo):
“It starts with one
All I know
It’s so unreal
Watch you go
I tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn’t even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn’t even matter”
Grupo no Telegram (SM – The Originals)
Pra quem ainda não sabe, eu criei um grupo no Telegram voltado estritamente para os leitores dos meus textos de The Originals e, agora, de Legacies aqui no Série Maníacos. Tem sido muito interessante esse contato com vocês, então, quem ainda não estiver no grupo e quiser fazer parte para discutirmos sobre o spin-off, basta clicar aqui. Aguardo vocês por lá!















