O adeus a um personagem que mal chegou ao esquadrão de Benson…
Após uma de suas melhores temporadas, Law and Order SVU entrega um season finale frustrante. E digo frustrante não porque foram dois episódios ruins, pelo contrário. Mas, ao mesmo tempo, foi uma hora e vinte minutos de episódios baseados em uma história que não era tão forte assim para segurar bem o ritmo até o final. Um season finale não pode simplesmente se basear na morte de um dos principais personagens de SVU, sem uma trama bem construída por trás, especialmente um personagem novo que ainda não havia tido tempo suficiente de cativar os espectadores.
Foi neste episódio que recebemos o maior número de informações sobre Dodds, que vinha sendo inserido aos poucos e com cautela no esquadrão. Já sabíamos que sua integridade não devia ser duvidada, mas isso não era o bastante. Quando os detetives relembram Mike nós ouvimos apenas uma história de Amanda e o comovente diálogo de Olivia com o pai do sargento, falando que ele queria ser um herói. Vimos também a reação (um pouco exagerada pelo ator) de seu pai, as lágrimas de sua noiva, e a presença de sua mãe e irmão. Tirando William, todos estes personagens foram introduzidos na trama sem maior cuidado, apenas jogados no meio de muitas outras informações. Tudo me pareceu um pouco forçado demais.
A morte de Dodds também não veio como uma surpresa, já que desde o início deste episódio o clima era de despedida. Porém, todas as cenas que seguiram o disparo da arma foram intensas. Vimos a reação de cada um dos personagens ao que estava acontecendo, com óbvio destaque para Benson e William Dodds. Mariska Hargitay mais uma vez mostrou com facilidade as emoções de Olivia, misturando culpa e força, o que culminou no ótimo diálogo final com seu terapeuta. Este é inclusive um acontecimento perfeito para que o roteiro introduza com mais ênfase o plot do problema de Liv com álcool. No entanto, a cena final nos dá a esperança de que talvez sua nova família ao lado de Tucker e Noah possa ser a solução. Mas, é cedo para qualquer conclusão. Uma boa surpresa, que vimos também nesta cena, foi um pouco mais da história de Tucker, que parece ter descoberto novo fôlego para sua vida saindo da IAB e fazendo planos com sua nova família.
Vimos também neste episódio o filho de Finn, que estava sumido há bastante tempo. No entanto, sua participação, apesar de central, já que foi o ponto de ligação da primeira vítima com o esquadrão, foi muito curta. No passado já o tínhamos visto com mais engajamento na trama, o que consequentemente significava maior tempo de tela para Tutuola. Porém, a foto de seu novo bebê pode significar que a vida pessoal de Finn e sua atuação no esquadrão sejam maiores na próxima temporada. Minha torcida para que isso aconteça é constante e acredito que outra abertura para isso seja a vaga de sargento.
E, falando em personagens com possibilidade de mudança, Carisi conseguiu passar na prova da “OAB”, o que potencialmente pode significar uma mudança de carreira, implicando em seu desligamento de SVU. No entanto, até o momento parece que não veremos mudanças nesse sentido. Informação esta que eu comemorei, já que considero que o personagem trouxe novo fôlego para o seriado. Porém, o roteiro também nos deu pistas de que Barba pode ser obrigado a grandes mudanças em sua vida.
E aqui chegamos ao principal ponto deste episódio e a principal jogada do roteiro. O mesmo roteiro que deixou a desejar no plot principal foi muito competente na introdução da trama de Barba. Este foi o principal ponto de especulação do season finale e certamente será o centro de acontecimentos do início da décima oitava temporada de SVU. Infelizmente tivemos poucas informações sobre essas ameaças, mas já é muito interessante sabermos que elas estão ligadas a um caso anterior a este apresentado no finale. Possivelmente veremos o esquadrão com a dificuldade de encontrar os culpados, já que aparentemente eles são policiais. Veremos uma guerra SVU vs NYPD, que sempre rende boas histórias. E Barba já demonstrou que será implacável!
Antes de finalizar essa review, falarei rapidamente da trama principal deste finale. Justamente pelo fato de a história em si não ter sido tão relevante que dei mais atenção ao desenvolvimento dos personagens. No entanto, não posso retirar todo o mérito da história principal, já que o estupro de mulheres encarceradas é um importante ponto de discussão. Foi muito interessante vê-las tendo suas reações, ao mesmo tempo particulares e similares, quando o esquadrão as informou de sua ambição de ir atrás do guarda da prisão acusado de estupro. Para aquelas mulheres era impensável que o guarda seria preso. A situação de constante abuso em que viviam era considerada normal, rotineira. Vimos ainda outra guarda que auxiliava no abuso das prisioneiras, tudo com a (ridícula) justificativa de que poderia sair algumas horas mais cedo do trabalho.
O roteiro, no entanto, poderia ter trabalhado melhor esta trama se o foco principal não fosse o envolvimento de Dodds em uma situação de risco, que culminou em sua morte. E, ainda é cedo para que possamos entender o que a morte de Dodds significará para o futuro do esquadrão. Acredito que o personagem acabou não sendo utilizado como poderia ter sido. Toda a cautela em sua introdução, que vinha funcionando bem, acabou de forma muito rápida e fica o sentimento de que foi tudo meio sem sentido. No entanto, mesmo que o episódio tenha terminado com gosto de frustração, considero a 17ª temporada uma das melhores e mais consistentes de todo o seriado e espero que a 18ª mantenha este ritmo.
Agradeço a todos os leitores que acompanham minhas reviews e nos “vemos” de novo na Fall Season!















