Os reality shows e a manipulação da realidade.

Após um episódio que considerei morno, SVU trouxe Assaulting Reality, cumprindo a promessa feita aos fãs que seria elaborado um episódio baseado no reality show The Bachelor. Em primeiro lugar preciso dizer que nunca assisti ao reality, mas foi muito fácil reconhecer o objetivo do roteiro, assim como aconteceu com o episódio em que Carly Rose Sonenclar (X Factor) participou, que trouxe uma paródia de American Idol (Episódio 15×07).

Exatamente por estarmos assistindo mais um episódio tão focado em um reality fiquei apreensiva sobre quais tipos de novidades o roteiro poderia nos trazer, principalmente em função da cena inicial de cada episódio ter sido muito parecida, nos mostrando as diferentes reações dos detetives ao programa que estava passando na televisão. No entanto, a surpresa foi ótima e SVU nos entregou um incrível episódio, que uniu com maestria a realidade do esquadrão com a “realidade” do programa.

Desta vez, o roteiro conseguiu integrar perfeitamente o mundo do reality show com a investigação policial, trabalhando com uma complexa intertextualidade entre essas duas esferas, que estavam tão unidas que se tornaram uma só. Os produtores do show não apenas manipulavam a realidade do programa que exibiam, como também conseguiram manipular os detetives do esquadrão e fazer com que eles dançassem aos seus interesses sem que eles soubessem.

Assaulting Reality foi um episódio que trouxe agilidade na trama, com novos acontecimentos a cada minuto, num frenesi que vemos em reality shows. Um frenesi que é permitido a partir do momento em que é possível editar a realidade e manipulá-la para o entretenimento. O trabalho das câmeras foi muito importante para trazer esse ar dos realitys para SVU, com diferentes pontos de vista e até mesmo imagens tremidas e com ângulos estranhos. Desta forma, o roteiro foi extremamente eficiente em transformar SVU em um reality show, tornando o episódio muito mais interessante do que seria se estivéssemos assistindo uma investigação comum.

Além de todo este trabalho para criar um universo particular a Assaulting Reality, o roteiro ainda conseguiu entregar uma história interessante e com ótimos pontos de virada, como quando descobrimos que Ryan não era o responsável pelo que havia acontecido com Melanie. A cada segundo da trama era necessário compreender o que realmente estava acontecendo e o que os produtores gostariam que nós pensássemos estar acontecendo (assim como nos reality shows).

E, falando nos produtores, as mentes por trás de toda a confusão midiática gerada, é preciso comentar que sua participação no crime era óbvia, assim como a finalização do caso, com Lizzy conseguindo a confissão dos dois. No entanto, neste tipo de episódio o que vale é o caminho percorrido e não a revelação final da culpa. A grande reviravolta foi a descoberta de Graham como o verdadeiro culpado pelo estupro, mas era necessário punir os produtores do reality show, e a maneira encontrada foi realmente a mais simples e óbvia, porém, ainda assim, eficaz.

Assim como falei no episódio anterior, este também demandou muito tempo de tela para a criação da história, o que deixou a vida pessoal dos personagens um pouco de lado. Mas, após tantos episódios vendo Carisi ao lado de Rollins como uma figura paterna para seu filho, fica impossível não comentar sobre este novo desenvolvimento. Não havia comentado anteriormente sobre as indicações de um romance entre os dois e acredito que o tenha feito por estar tentando fingir que não estava acontecendo. Não acho uma jogada inteligente do roteiro juntar os dois personagens.

Carisi vem mostrando grande potencial ao longo desta temporada e colocá-lo ao lado de Rollins vai, necessariamente, gerar conflitos. Não por ser Amanda, mas por que romances em seriados nunca tem um andamento simples, e eles trabalham no mesmo esquadrão. Portanto, os dois personagens são fundamentais para o desenvolvimento da trama. Soma-se isso ao fato de Rollins ser a personagem com mais problemas complicados em SVU e fica complicado acreditar que esse caminho daria certo.

P.S.1 – Não sei se fui só eu, mas achei engraçado que para a logo do programa foi utilizada a figura de uma maçã, diferente da habitual rosa, o que me fez pensar em Desperate Housewifes. Sei que a proposta deste seriado é completamente diferente do que o título sugere, mas o trocadilho é pronto!

P.S.2 – Já falei isso inúmeras vezes em diferentes reviews, mas Barba vem perdendo espaço de tela. Mesmo fazendo parte das investigações, não estão sendo exibidos episódios com foco no lado judicial de SVU e acredito que o seriado perca com isso, além do fato de Barba merecer mais tempo de tela!

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