Integrando um caso de 1964 à atualidade.
Após assistir os quarenta minutos deste episódio preciso confessar que ainda não sei muito bem o que pensar sobre ele. Foi uma decisão inteligente do roteiro trazer à tona uma personagem que já havia sido o centro de outro episódio na temporada passada – Renne Clark apareceu pela primeira vez no episódio 20 da temporada passada: Girl Dishonored .
Além de trazer Renne, o roteiro ainda integrou toda a história de Josh Galloway com a do comediante Leonard Alfred Schneider, ou Lenny Bruce, apelido utilizado pelo próprio Galloway no momento de sua prisão. Leonard (13 de outubro de 1925 – 3 de agosto de 1966) foi um renomado comediante norte americano que integrou em seu discurso política, religião, sexo e vulgaridades. Em 1964 Lenny Bruce foi condenado no tribunal por obscenidades e, após sua morte em 1966, recebeu o perdão do Estado de Nova York, a primeira na história, em 2003.
Ou seja, este episódio veio para tratar de uma questão polêmica: o direito de “discurso livre” e o conteúdo do que está sendo dito. Cada vez que o comediante Josh Galloway abria a boca saía uma besteira maior do que a outra e até esse ponto não havia nada a ser feito, até que seu ato leva dois estudantes a tentarem estuprar Renne Clark e, posteriormente, outra adolescente acusa o comediante de estupro.
Todos os elementos do roteiro de Comic Pervesion foram muito bem pensados, no entanto, achei oresultado um pouco fraco. Senti como se os acontecimentos não tivessem ido muito para frente e o roteiro passou muito tempo parado no mesmo dilema, que consistiu em provar a culpa de Josh fora dos palcos e a discussão polêmica sobre o papel do álcool no estupro.
Para mim o que mais funcionou no episódio foi o embate entre Benson e Barba, que enfrentou Olivia muito bem e com ótimos argumentos. Desde o início do episódio, quando Josh é acusado de estupro pela menina que já sabíamos estar dando em cima dele, era previsível que aconteceria. Até mesmo o fato de o comediante ser mesmo culpado foi previsível, senão todo o episódio acabaria um pouco sem sentido.
Comic Perversion não foi um episódio que eu considero ótimo, na verdade achei uma considerável queda no nível de qualidade que o seriado vinha nos apresentando nesta décima quinta temporada. Mas, cumpriu o seu objetivo ao mostrar as dificuldades que Benson vai continuar a enfrentar como chefe do esquadrão e que tipos de decisões deverão ser tomadas em seu cargo.
O maior indício do fracasso de Olivia em seu cargo neste episódio foi o fato de ter sido Renee Clark a responsável pela reviravolta do final do episódio que conseguiu garantir a vitória em uma batalha aparentemente perdida pelos detetives e por Barba. Mas não considero isso ruim. Pelo contrário, acredito que ser erros não tem como a personagem conseguir cumprir sua função.
PS: Gostei da aparição de Erin Lindsay, da série Chicago PD, também de Dick Wolf.
15×16: Gridiron Soldier
As consequências de uma “brincadeira”.
Os primeiros segundos deste episódio acabaram me iludindo. Achei que finalmente o roteiro iria explorar mais a recaída de Rollins, que vem sendo abordada em alguns momentos e em outros é como se nada tivesse acontecendo. Mas, acabou que, apesar de o episódio ter Amanda como a detetive principal, sua vida pessoal não foi o foco. O que Gridiron Soldier nos trouxe foi o caso do sobrinho de uma das pessoas do passado de Amanda.
A partir do momento que Cedric desceu do avião vindo de Georgia e encontrou com seu treinador e as duas animadoras de torcida, já estava claro que alguma coisa daria muito errado. Porém, eu havia imaginado uma trama mais superficial e não um roteiro que também nos trouxe uma questão social muito importante: os gays no esporte, neste caso no futebol americano e na NFL.
No entanto, apesar deste tema ter permeado todo o episódio, apenas o final foi realmente tocante, quando vemos Eddie saindo do armário e escolhendo ser ele mesmo ao invés de escolher o esporte que amava por achar que ainda não estava preparado para lidar com a pressão e que a NFL também não estava preparada para ter um jogador profissional fora do armário.
Voltando a história de Cedric: Assim como o episódio anterior, achei que a ideia do roteiro foi interessante, mas a execução e o desenvolvimento deixaram a desejar. Toda a história de Cedric ter sido preso por agredir um homossexual já soava como uma armação do time de futebol que queria contratá-lo ou como consequência do que havia acontecido após a cena em que seus olhos foram vendados.
Gridiron Soldier traz outra questão em relação a adolescência dos jovens em cidades menores e em Nova York. Quando todos aqueles alunos de 18 anos estavam achando normal e tratando apenas como uma brincadeira o fato de terem enganado Cedric e posteriormente feito com que ele fosse preso e tentasse se suicidar por não conseguir conviver com que havia acontecido.
Gostei muito que Olivia levou em conta o que Barba disse para ela no episódio anterior, quando o promotor disse que se ela quisesse continuar no cargo deveria escolher melhor os casos que passa para ele. Mesmo que Amanda tenha acabado indo atrás de uma resposta, achei bom que Olivia tenha trazido o assunto à tona.
Outro ótimo momento do episódio foram seus segundos finais, quando Olivia questiona Fin sobre como os dois se tornaram os responsáveis. Ao que Tutuola responde, que em determinado momento, cada um deve cumprir diferentes papéis.















