Maternidade é o tema que define este episódio
Como já comentei em reviews anteriores, a décima quinta temporada de Law and Order SVU veio para nos mostrar mais da vida pessoal de seus personagens, principalmente de Benson que, em Wednesday’s Child, mais uma vez, foi o foco da narrativa. Quando, na primeira cena do episódio, vi Lewis no sonho de Benson imaginei que o episódio mostraria alguma insegurança de Olivia por causa deste personagem. No entanto, acredito que a imagem de Lewis tenha sido a maneira de o roteiro nos mostrar que ele ainda está presente na narrativa, mesmo que não esteja aparecendo como foco das atenções.
E, ao contrário do que eu imaginava, o tema deste episódio é completamente diferente: a maternidade. Um tema que é explorado, de formas distintas, ao longo de toda a narrativa e nas diferentes partes da mesma. Seja no personagem de Olivia com os detetives ou nos envolvidos no caso, o tempo todo vemos a maternidade como a questão principal de Wednesday’s Child. A partir do momento que Benson pega o teste de gravidez na farmácia até os segundos finais do episódio este tema é muito bem explorado pelo roteiro.
A conversa de Olivia com o psicólogo foi a parte mais emocionante do episódio para mim. Mesmo sabendo que esta temporada tem investido em um lado mais vulnerável da personagem, quando ela conversou com o psicólogo sobre a possibilidade de estar grávida e como isso poderia abrir novos caminhos na sua vida, foi o momento em que mais vi Olivia emocionalmente vulnerável e, principalmente, imaginando, e querendo, uma vida diferente. Há quinze temporadas o esquadrão é a vida de Olivia e Mariska fez muito bem a cena em que imagina uma vida diferente e as dúvidas da personagem.
Além de desenvolver bem essa questão pessoal de Benson, o caso da semana, com Lisa, Nicky e o casal que o adota, também foi muito bem escrito para interagir exatamente com essa questão da maternidade que estava sendo explorada na vida de Benson. Além disso, havia algum tempo que não víamos um caso de envolvendo o sequestro de uma criança.
Desde o início, a mãe não parecia reagir como sempre vemos pais reagindo no caso do sequestro dos filhos, que era exatamente a maneira como o pai de Nicky estava se comportando. O que me fez imaginar que havia alguma coisa errada com o seu desaparecimento. Portanto, achei ótimo que o roteiro não demorou muito tempo para explorar esse viés de investigação e logo descobriram que a mãe que havia deixado o próprio filho para adoção ilegal.
A partir deste momento, a narrativa se tornou ainda mais interessante, com o casal que adotava crianças que os pais não queriam mais através de meios ilegais para explorá-las em vídeos com temática sexual. Toda a busca por Alexa e Roger foi muito interessante, principalmente quando ela é presa pela polícia ao tentar comprar insulina para Nicky, porque aqui o episódio começa a trabalhar na humanidade da personagem e em tudo que havia acontecido em sua vida.
A forma como tudo se resolveu foi muito interessante, com a descoberta da capacidade de Roger de andar e da raiva de Alexa, que desencadeou a personagem a contar tudo que eles haviam feito. Ainda mais quando a questão de crianças abandonadas pelos pais e pelo sistema é abordada. Existiam três meninas e um bebê junto com Nicky e nenhum deles foi procurado pelos pais quando a polícia os resgata.
Retomando a questão da maternidade, vimos, ao longo de Wednesday’s Child, uma série de diferentes padrões da figura materna. Olívia como “mãe” dos detetives de SVU, assim como a mãe que poderia ter sido; Lisa, a mãe que abandonou Nicky, e seu pai como a figura materna de crianças ao redor do mundo, mas não de seu próprio filho; e ainda Alexa como a exploradora de crianças, que no funcho era uma criança explorada em busca de um substituto para o filho que perdeu. Mais uma vez o roteiro de Law and Order veio para mostrar que ainda temos muito o que ver deste seriado.
PS: O olhar de Olivia no momento em que ela segura o bebê em suas mãos pela primeira vez é perfeito e demonstra todos os sentimentos maternos pelos quais a personagem estava passando naquele momento.















