Começa uma nova era em SVU com Benson no comando! 

Havia muito tempo que não assistia a entrada de Law and Order inteira, mas não pude deixar de fazer isso neste episódio. Estava esperando o momento em que aparecem os componentes de nossa querida divisão policial e, como era de se esperar, Cragen não aparece mais na gravação. A saída de Cragen muda toda a logística da squad room, que agora está sob o comando da detetive Olivia Benson.

Antes mesmo de o episódio começar já era óbvio que seu foco seria nesta troca de comando e em como todos reagiriam, especialmente Olivia. Em uma temporada muito focada na vida pessoal de seus detetives, este episódio mais uma vez nos permitiu ver o que estava acontecendo em suas vidas. Vimos Amanda com seus problemas de apostas em Atlantic City e Nick tentando colocar sua vida de volta nos trilhos após ser “condenado” a serviços de mesa (desk duty) e ir parar no sofá de Benson e Cassidy.

Mas, não houve nada mais interessante do que presenciar as mudanças na vida de Olivia dentro e fora da squad room. Enquanto dois de seus detetives estão completamente desestabilizados na vida, vemos, o tempo todo, Benson tentando manter o equilíbrio de sua própria vida após tantas mudanças em sua rotina. Em poucas cenas vimos que a personagem está abalada com tanta transformação, como as piadas dos outros detetives, as garrafas de vinho em cima de sua mesa, e sua única reação verbalizada, quando está ao telefone com Cassidy e perde a paciência dizendo que não queria mais tomar nenhuma decisão naquele dia.

Com tantas coisas acontecendo na vida pessoal de cada um, achei que este episódio teria um caso de fácil resolução. E as primeiras cenas me deixaram a impressão que o episódio realmente iria focar em seus detetives. No entanto, fui surpreendida positivamente com uma história muito mais complexa. Acredito que o roteiro tenha tentado juntar muitos elementos diferentes em um episódio só. Mesmo com o saldo positivo, achei que a trama ficou confusa em determinados momentos.

Já vimos outros episódios que tratavam de assuntos como este, o estupro cometido por homens que ocupavam altos cargos na sociedade e possuíam uma rede de proteção. A história de Clare, Perry, Dolan, o casal Masconi e a Knollwoods fez com que os detetives percorressem inúmeros caminhos diferentes para chegar à verdade. Foi inteligente mostrar um caso complexo, mas como outros que já vimos anteriormente, permitindo que mesmo o ritmo acelerado de acontecimentos nos parecesse natural. Desde que Clare disse que seu agressor era cliente VIP já sabíamos que tudo seria mais difícil. Mas jamais iria prever a prisão de Clare por fraude em New Jersey e o envolvimento do FBI no caso.

Essa trama, em conjunto com os pequenos momentos em que pudemos ver os detetives em suas vidas pessoais, foram responsáveis por mais um bom episódio de Law and Order SVU.

PS: Não posso terminar essa review antes de falar da cena de Amaro com Benson, quando o detetive decide usar as próprias palavras de Olivia contra ela mesma: If you can’t trust me, I’m done (Se você não consegue confiar em mim, para mim está acabado). Uma frase que, para mim, apenas duas pessoas têm a bagagem necessária para utilizar: Benson e Stabler. Achei um erro que o personagem utilizasse as próprias palavras de Liv contra ela, deixando-a acuada e sem saber o que dizer logo em seu primeiro dia de trabalho.

PS II: Acredito que com tanta instabilidade na vida de três dos quatro detetives, Fin deveria começar a ganhar um pouco mais de espaço, o que já vem acontecendo naturalmente, mas poderia acontecer de forma mais acentuada.  

15×13: Betrayal’s Climax 

NYPD X BX9.

Após uma série de episódios ótimos, mas com foco em seus detetives, em Betrayal’s Climax SVU vem para mostrar que ainda tem como nos mostrar diferentes abordagens para temas já vistos de forma eficiente e sem envolver pessoalmente os detetives no caso. Ou seja, após quinze anos no ar essa temporada veio com tudo para nos mostrar que ainda é possível inovar e exibir bons episódios com casos “comuns”.

No entanto, mesmo sendo um episódio comum, sem extremo foco em um dos detetives, ele marcava a estabilização de Benson como chefe da equipe, a pessoa responsável por tomar decisões. Algo que já havia sido abordado no episódio anterior e mostrou a personagem desestabilizada por isso. Neste, diferente da situação anterior, Olivia parecia conseguir tomar as decisões de forma mais natural, mesmo com as piadas de seus companheiros sobre seu novo cargo.

Mesmo com todas as comemorações sobre a nova posição de Olivia como sargento, achei muito inteligente do roteiro marcar o esse rito de passagem da personagem com uma “formatura” na NYPD, provando que daqui para frente veremos uma nova dinâmica e uma nova Benson. Uma personagem que, nós espectadores já sabemos, vai ter que lidar com dois detetives extremamente instáveis mais cedo ou mais tarde.

Mas estes são assuntos para os próximos episódios, vamos ao caso de Betrayal’s Climax. Apesar de ser mais de uma mesma história, no sentido de ser uma nova abordagem para temas já vistos, como o das gangues e do envolvimento de meninas da alta sociedade de Nova York com membros das mesmas, achei que este episódio nos trouxe dois personagens carismáticos. Manny e Avery foram muito bem trabalhados nestes quarenta minutos e conseguiram passar todas as suas emoções ao espectador. Eu, pessoalmente, achei um pouco exagerado, mas em uma situação como a mostrada neste episódio acredito que foi um exagero bem utilizado.

Desde que Manny e Avery foram encontrados e começaram a contar o que havia acontecido, a história não nos mostrou grandes reviravoltas e revelações que constantemente mudaram o ritmo da narrativa. A escolha do roteiro foi diferente, com o desenvolvimento mais lento e constante da trama, até chegar a seu ponto principal: o assassinato do irmão de Manny, que os detetives conseguem ligar a BX9, gangue da qual ele fazia parte, e não de uma gangue rival.

Todos os elementos de Betrayal’s Climax foram muito bem coordenados e funcionaram em total sintonia. Esta temporada está tendo a árdua tarefa de focar em seus detetives pessoalmente e, ao mesmo tempo, não deixar que suas vidas pessoais tomem conta da trama. E esse esforço foi bem mostrado neste episódio, com a pequena exploração dos problemas de Amaro e Rollins, em poucos segundos, mas que esteve presente.

Mesmo Benson perde um pouco do seu espaço na questão de emoções pessoais, não a vimos em casa trabalhando desta vez, mas o tempo todo como a nova comandante e também como detetive. O que nos leva a seu encontro final com Carlos, o chefe da gangue BX9. O personagem ameaça Benson e a detetive, em contrapartida, o desafia e praticamente declara uma guerra. Não sei se essa situação será explorada, ainda mais com a trama de Lewis, mas seria interessante.

PS: Não sei muito bem o que achar do diálogo desta cena, gostei muito que Olívia respondeu Carlos e depois disse que não queria guarda pessoal porque não viveria deste jeito, com medo. Mas a frase de impacto me soou muito forçada.

–  I’m safer in here than you are out there, Sergeant…Benson, is it?

– Tell your client to keep his mouth shut.-          No, no, that’s okay. You threatening me? I got the biggest gang in the city. You think your guys are loyal? Go ahead. Test the NYPD. I dare ya.

– Estou mais seguro aqui, do que você do lado de fora Sargenta… Benson, não é?

– Fale para o seu cliente manter a boca fechada

–  Não, não. Está tudo bem. Você está me ameaçando? Eu tenho a maior gangue da cidade. Você acha que seus homens são leais? Vá em frente. Teste a NYPD. Te desafio.

Artigo anteriorPsych | Série é cancelada pelo canal USA
Próximo artigoHelix 1×05: The White Room