“Todos nós temos nossa cruz para carregar.” – EINARSSON, Gísli.

Após um ano da erupção do vulcão intitulado Katla, na cidade de Vik, localizada na Islândia, famosa região dos chamados Países Nórdicos, juntamente à Escandinávia, elementos misteriosos da pré-história emergem das geleiras  derretidas. Essa é a simples sinopse na nova série original Netflix, homônima do vulcão, lançada na última quinta-feira, dia 17 de junho de 2021, para mais de 160 países.

O primeiro episódio, de forma inesperada, inicia-se com uma mulher, completamente nua, levantando do chão de um vulcão, toda suja com cinzas, barro preto e argila, andando perdida, sem saber de nada. Se você, leitor, assim como quem vos escreve, notou uma certa semelhança com a série australiana Glitch (2015-2019) – que também possui o selo da “gigante do streaming” -, saiba o seguinte: não estamos enganados sobre essa semelhança, não. No entanto, diferente da produção vinda da terra dos cangurus, a moça que ficou perambulando não havia sido enterrada anos atrás, pelo menos, não até o presente momento desta Crítica de Primeiras Impressões. Vai que aconteceu e ela não se lembra? Aliás, como um ser humano consegue sobreviver praticamente na “boca” de um vulcão, hein?! É a “magia” da ficção, realmente!

E dentre os sobreviventes da devastação que a atividade vulcânica causou na localidade, temos Gríma (Guðrún Ýr Eyfjörð, atriz e cantora conhecida como GDRN), uma jovem, que reside com o seu pai, Thor Jónsson (Ingvar Sigurdsson  de Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald), no pequeno município. Apesar de não entender qual é a profissão da jovem, quando eu bati o olho nela, logo me veio à mente a Suzane Von Richthofen, mulher que mandou matar brutalmente os seus pais, em 2002, na cidade de São Paulo (SP). Sério: se fossem irmãs, com certeza,  não pareceriam tanto, vamos combinar. Outro personagem que parece com outra pessoa é o intérprete do chefe da polícia local, vivido pelo ator Þorsteinn Bachmann (Case), chamado Gísli Einarsson. Ele é a cara da personagem principal dos filmes Crônicas de Natal 1 e 2 (2018 e 2020), o Papai Noel (Kurt Russell de Era Uma Vez Em… Hollywood), também da “gigante do streamig”, podem verificar, se quiserem. Ah, tem a protagonista de The Rain (2018-2020), Simone Andersen (Alba August de Gidseltagningen), também, gente: ela é a cara da Gríma, sendo ambas protagonistas de histórias misteriosas na Escandinávia: olha que genial! Netflix sabe muito bem escolher o seu elenco, repleto de belos e talentosos atores, né?!

Brincadeiras à parte, voltemos ao contexto ficcional: lá em Vik, os moradores vivem apreensivos, pois, a qualquer instante, o vulcão, ainda ativo, pode retornar às suas atividades de devastação, mesmo com os cientistas pesquisando com as suas medições no entorno da estrutura, um tanto medonha, diga-se de passagem. E diante de tamanha força da natureza, os indivíduos que ali residem têm as suas moradias repletas de pó, de poeira, juntamente à neve e ao frio. Haja paciência para limpar tudo, hein?! Sem contar a fumaça, cheia de fuligem e de outras substâncias que, querendo ou não, podem e causam problemas respiratórios. Olhem o exemplo da senhora que mora na casa do policial, toda debilitada, tadinha. Aliás, ela é mãe dele? Qual o grau de parentesco entre os dois, será? Por favor, me contem nos comentários, porque eu, realmente, não consegui captar tal informação.

No que diz respeito aos aspectos técnicos, devo elogiar, e muito, a fotografia, com belas imagens panorâmicas das montanhas da Islândia e grandes espaços remetendo ao ermo, sem fim. De modo a dar mais veracidade à trama, a ambientação tem uma luz Solar fraca, com um ar mais sombrio, na qual a predominância de cores chamativas é praticamente inexistente. As filmagens, inclusive, foram feitas ao redor de um vulcão, mas sem ele estar, obviamente, em erupção. Ademais, é claro, o fato de a Islândia ser um país nórdico, um tanto desconhecido e isolado, afinal, para quem não sabe, lá é uma ilha. Ah, não posso me esquecer do idioma forte e bonito. Será que até o final dos 8 episódios desta primeira temporada, eu consigo pronunciar, ao menos, uma palavrinha? Vamos tentar! Enquanto isso, os cientistas da região tentam descobrir maiores detalhes do Katla, ao analisarem amostras rochosas de sua constituição química, por exemplo. Darri Hansson (Björn Thors de O Assassino de Valhalla) é um deles e, a princípio, ele só tem questionamentos do que respostas, sendo algo muito positivo, uma vez que podemos criar teorias e, consequentemente, expectativas do que está por vir na história, não é mesmo?!

E por falar na trama, a até então moça – sem nome e sem roupa – é resgatada com uma manta térmica e cobertores. Ela aparenta estar em choque, com hipotermia, traumatizada pelo ocorrido em sua vida. Aqui, vale destacar a excelente caracterização da maquiagem da atriz, repleta de cinza e de barro, pelo corpo inteiro. Ao longo das cenas em que ela foi sendo limpada, confesso que eu fiquei com uma certa gastura, uma sensação desagadável – não sei explicar, perdão  – ao vê-la parcialmente limpa. Custavam tirar todo o barro preto? Pelo menos, tiraram uma boa parte do rosto dela e, com isso, ela pôde se identificar: enquanto o seu nome é Gunhild Ahlberg (Aliette Opheim de Califado), seu país de origem é a Suécia. Contudo, a informação mais relevante dita foi que ela estava com Thor, o pai de Gríma. A partir dessa confissão, a teoria de que Gunhild estivesse em grupo e se perdeu, conseguiu se concretizar, afinal de contas, todos estavam achando que ela fosse uma turista perambulante. Além disso, vem o seguinte questionamento: por qual motivo Thor estaria praticando atividades turísticas em uma cidade devastada? Não apareceu nenhum decreto da prefeitura municipal, por exemplo, proibindo tais serviços, mas, por questões óbvias de segurança, é fundamental evitar o local do Katla, apesar dos turistas curiosos e invasivos.  

Para piorar a situação e complicá-la, querendo ou não, a moça afirma que trabalha no Hotel Vik, mas isso foi durante o verão de 2001, ou seja, o tempo passou para todo mundo, e não para Gunhild. Então, por que será que Thor ficou abalado ao vê-la no hospital? Cadê a Bergún (Guðrún Gísladóttir de Trapped), a atendente do Hotel, após ter visto o currículo e as fotos da mulher, lendo as cartas, à procura de respostas? Ainda bem que a polícia tomou frente ao caso e descobriu-se o seguinte: existe uma outra Gunhild na cidade de Upssala, na Suécia, que, aparentemente, desconhece a primeira, mas fica abalada com a notícia. O que será que as duas têm em comum além do nome e da aparência, é claro? O jeito é assistir ao restante dos episódios para sabermos, pois o mistério é a peça chave do seriado. 

E agora, com a ida da Gunhild, mãe do jovem Björn (Valter Skarsgård de Svartsjön), ao território ilhado, com certeza, saberemos maiores informes sobre essa intrigante trama. Ela hesitou ao falar com a sua “gêmea” por telefone, ainda mais depois de ter ouvido o nome do Thor. Estaríamos diante de um caso de irmãs gêmeas? Olha, se for isso, eu não espero menos do que cenas de barraco, com brigas e casos extraconjugais, no melhor estilo novela mexicana de ser, por favor, Netflix! E pasmem: na ficha em que Bergrún olhou nos arquivos do Hotel Vik, tinha dois sobrenomes: Halberg e Ahlberg, o que caracteriza não ser uma mera coincidência, assim esperamos, é óbvio!

Portanto, Katla – assim como Dark (2017-2020), seriado original alemão da Netflix – tem um potencial de ser uma série excelente, repleta de reviravoltas aterrorizantes, escritas e dirigidas por Baltasar Kormákur, famoso cineasta responsável pela série Trapped (2015-atual) e pelo filme Evereste (2015), ambos disponíveis no catálogo da Netflix, por exemplo. E pela última cena, que nos deixou com um cliffhanger, o famoso gancho, o diretor vai conseguir instigar a curiosidade de nós, telespectadores: Gríma, de dentro da casa de apoio para as pesquisas, se depara com a sua irmã desaparecida, a Ása (Íris Tanja Flygenring de Fangar). E diante da frase que abriu os trabalhos desta minha Crítica, será que a irmã mais nova dela é a “cruz” na qual a protagonista necessita carregar? Por qual razão ela parou de tocar piano? O que houve com Ása para que ela aparecesse depois de um ano, toda suja de cinzas e de lama, igualmente à moça chamada  Gunhild? Por fim, será que estamos diante de um contexto de clonagem humana? 

Com o objetivo de responder todos esses e tantas outras questões, teremos aqui, no Série Maníacos, em breve, a Crítica da temporada. Não percam!

OBSERVAÇÕES VULCÂNICAS:

p.s.01: Katla, de duas uma: ou é o nome de uma Agência de Viagens ou de uma Escola de Idiomas, né, não?!;

p.s.02: Será que Gríma pratica Esgrima? A vida seria muito sem graça sem um trocadilho;

p.s.03: Questionamento Extra 1: se Gunhild trabalhou há 20 anos no Hotel Vik, ou seja, em 2001, então, a série se passa em 2021?;

p.s.04: Questionamento Extra 2: Gríma tem um suplício com o rapaz que eu não consegui captar o nome, perdão. O que seria essa espécie de punição? Greve de sexo?;

p.s.05: Acho que não vai dar muito certo a minha tentativa de pronunciação de alguma palavra em islandês, não. Vocês reparam o nome dos atores? Se a escrita já foi difícil, eu não desejo nem treinar a pronúncia;

p.s.06: Se aquela fenda que apareceu crescer ainda mais, eles vão se tornar uma ilha fora de outra ilha, pelo visto;

p.s.07: Os corvos na cidade tem uma pena em branco apesar de todo o corpo ser preto. Um tanto esquisito, hein?! Será que os roteiristas se inspiraram no poema O Corvo do escritor norte-americado Edgar Allan Poe, de 1895?;

p.s.08: A trilha sonora é um personagem à parte, repleta de sombriedade, com direito, até mesmo, a um coral nos acordes. Se alguém encontrar a lista oficial no Spotify, por exemplo, me passa, por gentileza;

p.s.09: Thor já entregou pra Deus, seja no cuidado da limpeza com a sua espécie de oficina, seja no preparo da sua alimentação. Gente, quem não dá uma simples assopradinha na comida para esfriá-la antes de colocar na boca? E detalhe: ele comeu o macarrão direto da panela com o gás ligado;

p.s.10: Katla é uma ótima pedida para fazer uma maratona embrulhado nas cobertas, ainda mais agora – aqui, no Brasil – com o frio do final de outono para o começo do inverno. Onde será que está mais frio: lá ou cá? 

REVISÃO GERAL
Nota:
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katla-primeiras-impressoes'Katla’ entrega uma trama envolvente, com potencial de ser um dos maiores sucessos originais da Netflix. Tomara que isso se concretize, pois a Islândia é linda e merecemos conhecer esse país nórdico, mesmo sendo por meio de uma obra ficcional.