Pode um mágico matar um homem com magia?

Lady Pole ainda continua sentindo os efeitos do feitiço que a trouxe novamente à vida. O problema é a espiral de loucura em que ela entra mais a cada dia que passa devido a tortura de ter sua vida dividida entre dois senhores. Não basta não dormir, a comunicação também é impedida, levando a uma torrente de coisas sem sentidos ditas ao invés dum pedido de ajuda propriamente dito. Resta então apelar para os dotes manuais! Mais uma vez a série surpreende com um requinte visual. A tapeçaria feita de cortes de vestidos contando o que ocorre em “Lost Hope” foi de uma genialidade técnica impressionante. O intuito disso tudo era demonstrar para Arabella (a única amizade restante) o sofrimento imposto pelo misterioso “Cavalheiro” e talvez assim conseguir ajuda junto a Strange. O problema de todo esse plano é a interferência externa pela parte de Mr. Norrell e do ser mágico.

Mr. Norrell continua sua cruzada para se tornar o mais odiável possível. É notório o pareço dele pela magia e pelo papel dela desempenhado, mas manter o monopólio sobre ela parece ser mais importante. Ele e somente ele pode ser o detentor oficial dela na Inglaterra (ele só aceitou Strange como aprendiz para poder tolher as habilidades inatas do outro, só pode…) e qualquer um que vá de encontro a isso sofrerá as consequências. Coitado do Mr. Segundus. Mesmo sendo o único sem o peso do contrato de não fazer magia, a pressão continua sobre ele na figura de Childermass, capanga e capacho oficial de Norrell. Segundus irá peitar as ordens e seguir com sua instituição? Porem Norrell deveria se preocupar com outros fatores… Lady Pole que depois de ter sua única amizade terminada e escutar que está fadada a ter ainda 75 anos de tormento, e ter a tapeçaria roubada a seu mando, resolveu tomar uma atitude drástica. Desta vez Childermass estava na frente para levar o tiro, mas caso ele não sobreviva, como Norrell fará para se proteger de uma próxima tentativa?

Para o “Cavalheiro” Lady Pole já é passado. O novo alvo é Arabella. Porém ao invés da indefesa Lady, a esposa de Strange é muito mais persistente. Resiste a todas as investidas e a chantagem de salvar a amiga em troca de “alguma” liberdade com o excêntrico personagem. A presa aqui é muito mais difícil de ser conquistada. Levando o ser de cabelos brancos a apelar para outros fatores. Stephen surge aqui como uma possibilidade a ser considerada. Sem tomar conhecimento de seu nascimento como escravo, a profecia cada vez fica mais e mais clara nesse sentido. Ele se tornaria rei como? Como um simples empregado seria alçado ao posto mais importante da nação? Não sabemos, mas com certeza o “Cavalheiro” usará isso para atingir Arabella e assim conseguir sua atenção.

Enquanto isso Jonathan Strange aporta para ajudar o esforço de guerra em terras portuguesas. E se na Inglaterra a mágica já alcançou um status nobre, lá exércitos e recursos são mais importantes. Porém aos poucos ele consegue o respeito, se não dos superiores, dos soldados. Aqui que vemos a diferença entre ele e Norrell, mesmo esquentadinho Strange tem certo carisma que o cerca e acaba ganhando a atenção e a atuação de Bertie Carvel também ajuda. E ninguém merece o Duque de Wellington (Ronan Vibert sempre um porre)… Desde a chegada, o desdém reservado ao mágico foi de uma intensidade enervante. Strange constrói uma estrada do nada para ajudar o exército a atravessar as terras lusitanas sem sofrer perda de equipamento, ele manda construir uma mais estreita da próxima vez. E ainda é chamado de Merlin!

Foram igrejas, pontes, rios, tudo movido de local para o deleite e planos do Lord. Mesmo assim a satisfação nunca chega, levando a perdas para Strange. Na tentativa de mover uma floresta de lugar e assim recuperar um lote de canhões roubados, o magico acaba perdendo seu fiel assistente Jeremy. Childermass levou uma bala e o coitado aqui levou uma bala de canhão. Mas foi com um dos feitiços mais legais até aqui que ele conseguiu de vez o respeito do empertigado Duque e conseguir recuperar as armas. Não sou fã de zumbis, mas a cena toda foi um primor. Do feitiço com sangue e uma cuspida para retomar o dom da fala até o final com as pobres almas sendo despachadas pelo fogo junto com o moinho, não tenho o que reclamar! Pode mandar mais dessas! E zumbis napolitanos (que falam a língua do inferno) sempre serão legais…

E agora o tabuleiro está cada vez mais próximo do retorno do Raven King. Pouco a pouco as peças vão assumindo suas posições para o cumprimento da profecia, e depois do retorno de Strange de Portugal o conflito com Norrell é só questão de tempo. E os planos do elusivo “Cavalheiro” complicarão ainda mais tudo. Que venha o quarto capítulo!

Pena de Corvo 1: O séquito de Norrell, Drawlight e Lascelles, são um pequeno show a parte. A perseguição de Arabella para saber alguma possível noticia sobre Lady Pole foi um abrilhantado momento de Vicent Franklin. Recomendo assistirem Cucumber para mais dele em ação (e não só em comédia ele dá um show…)

Pena de Corvo 2: Sacanagem mor Norrell mandando interceptar as cartas de Arabella para Strange com medo dela fazer algum pedido contra ele.

Pena de Corvo 3: Strange como o interprete oficial das cartas dos soldados também foi um duma série de momentos inspirados do episódio.

Pena de Corvo 4: “- Pode um mágico matar um homem com magia? – Suponho que um mágico possa, mas um cavalheiro nunca o faria.” Melhor frase do episódio…

Pena de Corvo 5: Childermass também consegue fazer mágica? Depois que ele entrou em contato com a tapeçaria parece que sim…

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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.