Quando o aprendiz supera o mestre.

Alguns meses se passaram desde a “ressuscitação mágica” de Lady Pole e para Mr. Norrell os frutos não poderiam ser melhores. As tentativas de utilizar a mágica como arma e defesa para a Inglaterra nos conflitos napoleônicos não somente foram aprovadas como estão funcionando a pleno vapor. Seja com uma armada feita de chuva para enganar os entrepostos franceses, ou protegendo os mares com obstáculos invisíveis os esforços do isolado personagem são ovacionados e apreciados. E junto com ele uma “explosão” no interesse pela magia. Livros são adquiridos em disputas acirradas, matérias e mais matérias nos jornais, enfim sonho realizado! Não… Ainda não. Para isso é necessário ter um aprendiz e passar o conhecimento adquirido…

E a vida de Jonathan Strange também deu uma guinada considerável nesses últimos meses. Não só o casamento com Arabella foi consumado, como vai muito bem obrigado. Ela age como braço direito dele, direcionando e auxiliando em algumas questões pessoais e de negócios (vide o leilão de livros no final do episódio). E se o que se tem não é suficiente, porque não adquirir conselhos de um superior no assunto? Assim Strange se oferece como aprendiz de Mr. Norrell, extasiando com sua mágica o socialmente intricando homenzinho. Porém o método de ensino e o aluno não combinam. Mr. Norrell com seu “protecionismo” da mágica limita o que deve ser aprendido e o que deve ser realizado. Livros são negados, conhecimento não repassado. E a dualidade de pensamento de ambos complica ainda mais tudo: Mr. Norrell abomina tudo relacionado ao Raven King, enquanto Strange tem uma fixação no assunto.

E Lady Pole como vai? Muitíssimo mal! Toda magia tem um preço e no caso dela foi metade de sua vida e um pedaço do dedo. O detentor da dívida? O misterioso ser mágico, “O Cavalheiro”. E assim toda noite ao badalar de sinos etéreos ele a leva para o seu reino Lost Hope (Esperança Perdida, tradução aproximada) para dançar e dançar e dançar… Num baile que nunca termina. E pelos dançarinos que presenciamos, chuto no mínimo que o “Cavalheiro” seja do povo das fadas, quem sabe talvez o próprio Raven King! O problema que essa dupla jornada é os efeitos que ocorrem na sanidade (física e mental) de Lady Pole. Acessos de loucura e estafa, os quais nenhum médico consegue explicar (e nem mesmo o Mr. Norrell tem capacidade de resolver) deixam o Ministro em estado de desespero. E talvez Strange tenha uma solução para isso…

Não bastasse todo o ciúme (das capacidades) e (a não consumada) disputa entre os dois, o incidente das barreiras invisíveis atingirem a própria frota britânica foi o momento para a constatação de um fato interessante que (com certeza) alimentará a uma contenda no futuro: enquanto Mr. Norrell querendo ou não depende dos livros que possui para fazer magia, Strange tem um talento natural, criando feitiços de sua própria vontade e dedicação.

Faço aqui um parêntese para elogiar as sequências de magia desse episódio. Se no primeiro presenciamos a igreja que ganha vida através das estatuas, neste não fomos poupados de todos os truques: do jornal no espelho, a própria sequência inicial dos barcos feitos de água, a aparição na casa abandonada… Mas a garota dos olhos foi a que se passa na praia. Desde a desenvoltura física do ator, para areia quebrando e revelando os cavalos feitos de areia que desencalham o navio, foi de deixar de queixo caído (pelo menos na opinião do que vos fala). O esmero técnico concebido para a série foi de uma qualidade impar.

Assim depois da demonstração (épica) de Strange, os olhares se voltaram para ele. Ao ponto de o convidarem a ajudar os esforços britânicos contra os franceses em Portugal (não sem antes um pequeno piti de Mr. Norrell é claro!). A maré está virando e os holofotes começam a ir para o até então desconhecido mago. Porém não só a atenção da elite britânica foi redirecionada. O “Cavalheiro” ficou interessado por Arabella depois da pequena invocação de Strange, ao ponto de tentar consolá-la quando ela não consegue os livros de mágica para o marido. Se os efeitos serão os mesmos de Lady Pole, começo a temer pelo destino da esposa de Strange…

Pouco a pouco a profecia vai começando a ter suas peças encaixadas na história. Os dois magos já surgiram, um embate entre os dois é questão de tempo e o surgimento do Raven King é a consequência mais lógica para tudo isso. Se for para desestabilizar de vez e trouxer o caos para a ordem tão incessantemente construída por Mr. Norrell? Só acompanhando o desenrolar da história…

Pena de Corvo 1: Outra peça da profecia ficou bem clara no personagem do empregado da casa, que também é levado para Lost Hope, e tem tudo para ser o escravo que será rei;

Pena de Corvo 2: Os dois “puxa-saco” de Mr. Norrell já estão começando a mexer os pauzinhos para debandar para o lado de Strange. Aquela artimanha de espalhar a noticia do leilão de livros já foi o começo disso;

Pena de Corvo 3: Mr. Segundus sendo o “descobridor” de mágicos oficial. Primeiro Norrell e agora Strange.

Pena de Corvo 4: E Vinculus? Onde foi parar?

Artigo anteriorGrace and Frankie 1×11: The Secrets
Próximo artigoMagnífica 70 | Assista ao promo do 2ª episódio
Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.